Ignorar desigualdade e discriminação de gênero ameaça desenvolvimento mundial, alerta ONU


      

 

Apesar de quase 1 bilhão de pessoas terem saído da pobreza extrema nos últimos 20 anos e a mortalidade infantil e materna terem reduzido quase pela metade, ainda há muito trabalho a ser feito para resolver as desigualdades e garantir os direitos e a dignidade de todos, especialmente das mulheres e crianças, ressaltou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nesta quarta-feira (12).

 

“Nosso objetivo é garantir igualdade de direitos e oportunidades para todos, erradicar a pobreza extrema e colocar o mundo no caminho para o desenvolvimento sustentável”, disse Ban ao lançar um relatório global que avalia avanços, lacunas e desafios 20 anos depois da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. Em 1994, no Cairo, foi lançado um Programa da Ação que buscava fornecer acesso universal ao planejamento familiar, serviços de saúde sexual e reprodutiva, direitos reprodutivos, atingir a igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres e a igualdade de acesso à educação para meninas.

 

“O relatório revela em detalhes as desigualdades persistentes e a discriminação que ameaçam inviabilizar o desenvolvimento. Em muitos países e regiões, o progresso é limitado aos ricos, com um número enorme de pessoas excluídas do processo e dos benefícios do desenvolvimento”, disse o diretor executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin.

 

“Mais da metade dos ganhos absolutos na renda mundial de 1988-2008 foram para os 5% mais ricos e nenhum ganho foi para os 10% mais pobres. Nas comunidades mais pobres, o status das mulheres, a morte materna, o casamento infantil e muitas das preocupações [expressadas] no Cairo têm visto muito pouco progresso ao longo das últimas duas décadas”,acrescentou.

 

Entre outros desafios, o diretor do UNFPA observou que cerca de 800 mulheres morrem diariamente durante o parto, uma em cada três mulheres no mundo inteiro já experienciaram abuso físico ou sexual e uma em cada três meninas no mundo em desenvolvimento se casa antes dos 18 anos, apesar do matrimônio infantil ser ilegal em 158 países.

 

Osotimehin reiterou que, atualmente, não há nenhum país em que as mulheres são iguais aos homens no poder político e econômico. Além disso, muitas pessoas, especialmente os pobres, vivem sem acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar. Mais de 200 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento que querem métodos de contracepção não conseguem.

 

“Vinte anos depois, ainda temos um longo caminho a ser percorrido para realizar a visão do Cairo”, disse Osotimehin. “Mas a retrospectiva de 20 anos da CIPD nos mostra que a visão é tão relevante hoje como era em 1994.”

 

Fonte: ONU Brasil