The Economist cita destruição da Amazônia na era Bolsonaro e recomenda boicote a produtos


Reportagem ressalta que o presidente ‘deixou claro que os infratores não têm nada a temer’ (Reprodução)

A política ambiental adotada pelo governo Bolsonaro volta a ganhar repercussão da imprensa internacional.  Menos de uma semana depois do New York Timesmanchetar que a ‘destruição da floresta amazônica acelera’ na era Bolsonaro, nesta quinta-feira (1º) a revista britânica The Economist estampa na capa: “O velório para a Amazônia: a ameaça do desmatamento descontrolado”.

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Uma das mais prestigiadas revistas de economia da Europa, a The Economist ressalta que o mundo não deve tolerar o “vandalismo” de Bolsonaro, e sugere ações concretas, como boicote aos produtos exportados pelo Brasil.

“Empresas de alimentos, pressionadas pelos consumidores, devem rejeitar a soja e a carne produzidas em terras amazônicas exploradas ilegalmente. Os parceiros comerciais do Brasil devem fazer acordos contingentes de seu bom comportamento. O acordo alcançado em junho pela União Europeia e pelo Mercosul, do qual o Brasil é o maior membro, já inclui dispositivos para proteger a floresta tropical. Aplicá-los é esmagadoramente do interesse das partes. O mesmo vale para a China, que está preocupada com o aquecimento global e precisa da agricultura brasileira para alimentar sua pecuária”, destaca.

André Trigueiro

@andretrig

“Companhias de alimentos, pressionadas pelos consumidores, deveriam rejeitar a soja e a carne produzidas em terras amazônicas ilegalmente exploradas, como aconteceu em meados dos anos 2000.” (Reportagem da @TheEconomist ) #Amazônia #desmatamento #boicote https://www.economist.com/leaders/2019/08/01/deathwatch-for-the-amazon 

Deathwatch for the Amazon

Brazil has the power to save Earth’s greatest forest—or destroy it

economist.com

André Trigueiro

@andretrig

Alguém ainda estranha o fato da mais prestigiada revista de economia do mundo considerar o desmatamento da #Amazônia um assunto relevante? Será que os editores da @TheEconomist são veganos? “É a economia, estúpido!”, alguém já disse. #outracoisa

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A reportagem destaca ainda que o Brasil tem o poder de salvar ou destruir a maior floresta da terra. Esse futuro, no entanto, vai depender que a política ambiental a ser adotada nos próximos anos não siga o modelo adotado nos últimos sete meses.

“A maravilha natural da América do Sul pode estar perigosamente próxima do ponto de inflexão além do qual sua transformação gradual em algo mais próximo do estepe não pode ser impedida ou revertida”, diz o texto. Para a revista britânica, Bolsonaro está apressando esse processo – em nome, segundo ele, do desenvolvimento. “O colapso ecológico que suas políticas podem precipitar seria sentido com mais intensidade nas fronteiras de seu país, que circundam 80% da bacia – mas também irá muito além delas”, diz a Economist, acrescentando que isso deve ser evitado.

O texto afirma que o Brasil diminuiu 17% da extensão original da floresta, mais do que a área total da França, para a construção de estradas e barragens, extração de madeira, mineração, agricultura de soja e pecuária.

A publicação destaca que após um esforço do governo durante sete anos para retardar a destruição, ela voltou a crescer em 2013 por causa do enfraquecimento da fiscalização e da anistia ao desmatamento no passado.

A recessão e a crise política, segundo o texto, reduziram ainda mais a capacidade do governo de aplicar regras. Embora o Congresso e os tribunais tenham bloqueado alguns dos esforços do presidente para tirar partes da Amazônia de seu status protegido, Bolsonaro deixou claro que os infratores de regras não têm nada a temer, apesar do fato de ele ter sido eleito para restaurar a lei e a ordem.

A análise prossegue enfatizando que, como de 70% a 80% da extração madeireira na Amazônia é ilegal, a destruição aumentou para níveis recordes. “Desde que assumiu o cargo em janeiro, as árvores estão desaparecendo a uma taxa de mais de duas vezes o tamanho de Manhattans por semana”, alertou.

Coisa de vegano

No último sábado (27), ao reafirmar a intenção de transformar a baía de Angra dos Reis , na Costa Verde do Rio, na “Cancún brasileira” , Bolsonaro afirmou que apenas “veganos que comem só vegetais” se preocupariam com a questão ambiental. Ele foi questionado se o meio ambiente não era importante na proposta para a Estação Ecológica de Tamoios .

“Só aos veganos que comem só vegetais [é importante a questão ambiental] — respondeu o presidente, em declarações reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo. “Outros países com baía não tão exuberante como a de Angra conservam o meio ambiente. Se quiséssemos fazer uma maldade, cometer um crime, nós iríamos à noite ou em um fim de semana qualquer na baía de Angra e cometeríamos um crime ambiental, que não tem como fiscalizar”.

Bolsonaro anunciou em maio que mudaria, por decreto, as regras de preservação da Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis.

Estadão/Dom Total