A semente que se plantou, agora germina

Um novo olhar se desponta num horizonte de linhas esperançosas de transformação. O que antes era semente, hoje já se germina. Fazemos mesmo a diferença quando estamos juntos em um mesmo objetivo.

De modo transformador, o Movimento ECOS, ecoou. Trouxe nas escolas a ressonância de seu propósito, qual seja: a construção de um meio ambiente sustentável.

As escolas progrediram em seus projetos, desenvolveram ideias, envolveram pessoas, persistiram com criatividade e estabeleceram prioridades. Já se vê em cada escola participante o alvorecer de novos tempos.

No Movimento Ecos, tarefas são estabelecidas para que as escolas realizem atividades que são pontuadas pela organização do Movimento, de acordo com critérios pré-estabelecidos. Já caminhamos para a reta final. Visando à redução do consumo de água e energia, as escolas se mobilizaram. Tanto o corpo docente quanto o discente se empenharam no planejamento e na execução de medidas que cumprissem esses dois objetivos básicos.

Ana Góes, aluna do 3° ano e representante da Escola Estadual Presidente Dutra no movimento ECOS, disse que “estamos nos dedicando intensamente às novas propostas que o projeto Ecos trouxe, como por exemplo, estamos mais atentos a economia de energia e água. Desde prestar atenção às luzes acesas após o turno de aulas até a torneira mal fechada. Além disso, nos dedicarmos a horta é um momento de enorme paz e felicidade, além de enfatizarmos para nós mesmos e para toda a escola a importância da preservação do ambiente escolar e do planeta Terra. O Movimento Ecos é possível em qualquer lugar!”.

A etapa do projeto para esse momento é a coleta de dados preliminares como resultado do que já foi feito. A etapa final se aproxima, mas já é visível, pelos resultados parciais, que o projeto valeu a pena em cada escola. Já se colhe o que se plantou, já aplica o que aprendeu. Atualmente, todas as escolas encontram-se na fase de execução, próximas de entregar o relatório que descreverá e contará o que fizeram nos últimos meses.

O segundo semestre chegou e a vida educacional retomou seu ritmo normal. Ainda no dia 25 deste mês, acontecerá um evento com a finalidade de alinhar as diretrizes e desenvolver uma comissão para a grande Caminhada Ecológica a ser realizada em outubro. Mais ainda, no dia 31, ocorrerá a apresentação do concurso Dança de Rua, cujos passos já estão afinados por alguns grupos.

Por se tratar de um projeto que envolve milhares de pessoas, direta e indiretamente, não é difícil de se supor que os passos são difíceis. E é exatamente esse um dos pontos mais importantes para o êxito desse grande projeto de sustentabilidade. Nós, professores e professoras que acompanhamos as escolas, assim como nossas alunas e alunos bolsistas (da Dom Helder e da EMGE) escutamos algumas vezes que “não daria certo”. Quem falou isso? Quem se manifestou negativamente? O comum, o “normal” é escutarmos que não haverá os resultados esperados em qualquer empreitada na vida. Não faltam os pessimistas de plantão.

Para que as tarefas fossem executadas com sucesso, a capacidade de negociação das equipes foi e sempre será uma das mais importantes virtudes, para que projetos que visem ao bem comum sejam bem-sucedidos. Imagine a situação de uma escola brasileira do ensino médio, portanto, em um país não acostumado (infelizmente) com a questão da sustentabilidade, que decide, pelo convite inicial de uma faculdade parceira, dedicar-se a mudar a cultura interna de seus funcionários e alunos. Nessas escolas, a reação esperada da maioria da comunidade envolvida não tinha como ser outra que não a de oposição, afinal, é desconfortável mudar, ainda mais quando essa mudança não traz um resultado certo e facilmente mensurável. E tem mais: a certeza de que outros milhões de brasileiros continuarão com o mesmo agir viciado, descomprometido com a questão ambiental. Então, por que ser diferente?

Ao que tudo indica, pelo que vivenciamos nesses meses, as escolas que mais avançam são as que melhor conseguem superar os “nãos” internos. Eis uma questão bastante interessante, porque, muitas vezes, em ambientes de muita oposição em que mais “nãos” são superados, aumenta-se a criatividade e a produtividade. Não basta, por parte das equipes diretamente envolvidas, uma fantástica boa vontade de fazer diferente. Se não forem capazes de mobilizar a escola inteira, ou, pelo menos, boa parte dela, o projeto pode “emperrar”, e aquela energia inicial, capaz de importantes transformações, corre sério risco de morrer na praia.

Todas as vezes que me deparei com manifestações de resistência, em reuniões com docentes ou discentes, valorizei o argumento de oposição. Mas eu, assim como os outros professores da Dom Helder, tenho encontros esporádicos com as equipes. São os membros das equipes que souberam negociar e superar os “nãos” recebidos das “pessoas difíceis” (expressão utilizada pelo professor de Harvard, William L. Ury, um dos mais importantes especialistas em técnicas de negociação, no mundo todo). Ainda que inconscientemente, equipes bem-sucedidas souberam lidar com esses “nãos”.

Em poucos meses, conheceremos o resultado do Movimento Ecos. Uma Escola Estadual será declarada vencedora. Esse ganho, no entanto, de aprenderem a como lidar com os oponentes, respeitando-os, buscando superar as resistências e não desistindo em razão desse tipo de situação, será uma conquista definitiva na vida de todas essas pessoas, pois, afinal, não há ambiente social em que todos sejam iguais e estejam sempre de acordo com os mesmos propósitos, nem pessoas idênticas que não se oponham, umas às outras.

Finalizando, arrisco a dizer que, por trás da Escola vencedora, estarão alunas, alunos e docentes com alta capacidade de negociação. Vencerão em outros momentos. Uma pena saber que nem sempre teremos notícias de suas conquistas, mas é uma enorme satisfação ter a certeza de que elas acontecerão.