Seminário “Movimento Ecos e Sustentabilidade Socioambiental”

No dia 25 agosto, de 8h às 12h, ocorrerá, na sede da Escola Superior Dom Helder Câmara, o Seminário “Movimento Ecos e Sustentabilidade Socioambiental”. Com o intuito de promover a educação ambiental, o Movimento ECOS conta com a cooperação técnica da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais e tem mais de 100 escolas parceiras.

O seminário contará com a participação do palestrante George Rubadel, especialista em Relacionamento Interpessoal, PNL (Programação Neurolinguística) e Hipnose. Ele utiliza a mágica para mudar paradigmas e fazer com que equipes se sintam mais motivadas e as pessoas mais conectadas. Rubadel é um exemplo de superação: começou como office-boy aos 14 anos, foi faxineiro nos Estados Unidos, mas conseguiu se tornar diretor financeiro da multinacional Stema Group. Ele já somou mais de 4.000 mil apresentações, que já foram assistidas por quase 3 milhões de pessoas.

O Seminário é voltado sobretudo para diretores, professores orientadores, representantes e vices do ECOS e bolsistas.

As escolas devem confirmar a inscrição no Seminário através da ficha de inscrição que deve ser anexada no site EAD, até o dia 20 de agosto.

Para os alunos da Dom Helder e EMGE que não são bolsistas, mas querem participar, o Seminário valerá o equivalente a 4 horas de atividades complementares na área da Extensão.

Confira a programação:

8:00 – Recepção dos convidados com cafezinho

8:30 – Mesa abertura (5 minutos para cada)

  • Reitor da Dom Helder
  • Reitor da EMGE
  • Representante da Secretaria de Educação
  • Coordenador do ECOS

9:00 – Certificado da Pegada Ambiental

9:15 – Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG

9:30 – Agenda do ECOS e Encaminhamentos

  • Concurso Dança de Rua; Concurso Garoto e Garota ECOS; Caminhada Ecológica; Alteração de cadastro.

10:15 – Intervalo para lanche

10:30 – Palestra Motivacional: “Sustentabilidade socioambiental” com George Rubadel

11:30 – Reunião com o professor articulador

  • Cada professor com os bolsistas, diretores, professor orientador e alunos representantes fará os encaminhamentos das suas escolas.

26 mil brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos nos últimos dez anos

Cerca de 40 mil pessoas foram atendidas no sistema de saúde brasileiro após serem expostas a agrotóxicos nos últimos dez anos, segundo um levantamento inédito feito pela Pública com base nos dados do Ministério da Saúde. Desse total, 26 mil pacientes tiveram intoxicação confirmada por médicos, com sinais clínicos como náuseas, diarreias ou problemas respiratórios, ou mesmo alterações bioquímicas no sangue e urina detectadas por exames laboratoriais. A média equivale a sete pessoas intoxicadas por dia. Homens são a maioria dos afetados por agrotóxicos agrícolas e a maioria dos pacientes tem ensino fundamental incompleto.

Segundo os registros, na maior parte dos casos o paciente foi curado. Mas há centenas de casos de mortes: 1.824 pessoas morreram devido à intoxicação e outras 718 pessoas permaneceram com sequelas, como insuficiência respiratória, problemas nos rins ou lesões no fígado.

O levantamento foi feito com base em registros de 2007 a 2017 no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. Os dados revelam também uma grande quantidade de tentativas de suicídio por agrotóxicos e milhares de envenenamentos no ambiente de trabalho.

Agrotóxicos são amplamente usados em suicídios

As circunstâncias nas quais ocorrem as intoxicações são variadas, mas os dados revelam duas situações principais: suicídios e acidentes.

Nos últimos dez anos, mais de 12 mil pessoas tentaram suicídio com agrotóxicos em todo o Brasil. Dessas tentativas, 1.582 resultaram em mortes. Outras 231 tiveram cura, mas com sequelas. A maioria absoluta das tentativas de suicídio ocorreu no Paraná, com 2.140 registros. Em seguida vêm São Paulo e Pernambuco.

Agrotóxicos agrícolas são a terceira substância mais comum em tentativas de suicídio no Brasil, atrás de medicamentos e produtos para matar ratos. A quantidade de pessoas que tentaram suicídio no Brasil com agrotóxicos é quase oito vezes maior do que a dos que tentaram por abuso de drogas ilícitas ou lícitas, como álcool e anfetaminas.

A letalidade das tentativas de suicídio por agroquímicos é preocupante: é a maior entre todos os agentes utilizados nesses casos. Mais de 12% das tentativas de suicídio com intoxicação confirmada resultaram em morte, taxa dez vezes maior que a de pessoas que tentaram o suicídio com medicamentos.

Trabalhadores com baixa escolaridade são os que mais se acidentam

Fora as tentativas de suicídio, os acidentes são a segunda principal causa de intoxicação por agrotóxico no Brasil. Nos últimos dez anos, foram mais de 7 mil ocorrências. A maioria delas (62%) aconteceu em ambiente de trabalho. O Paraná é o estado com o maior número absoluto: foram 1.082 casos confirmados nos últimos dez anos.

A maioria dos casos de envenenamentos acidentais em ambiente de trabalho levou à cura sem sequela. Contudo, há 65 casos de sequelas após o tratamento e 32 mortes por intoxicação.

Mais da metade dos acidentes de trabalho com agrotóxicos envolve pessoas de 20 a 39 anos. Para cada mulher envenenada, há quase seis homens. E o grau de escolaridade mais comum é da 5ª à 8ª série do Ensino fundamental incompletas.

Para a professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Bombardi, trabalhadores rurais são especialmente vulneráveis às intoxicações não apenas porque lidam diretamente com os agrotóxicos, mas também porque as intoxicações crônicas – que ocorrem após anos de exposição às substâncias – dificilmente são percebidas pelo sistema de saúde. “Quem são os mais intoxicados são os trabalhadores rurais e os camponeses, que estão manuseando esses produtos”, explica.

“O que mais vai aparecer são as intoxicações agudas, o sujeito passou mal e procurou o serviço de saúde, ou seja, os efeitos mais visíveis. Já as crônicas aparecem com muito menos importância nos dados. Por exemplo, o câncer e a malformação fetal podem ser multifatoriais. Precisaria de um cuidado muito maior do sistema de saúde para identificar esses casos, embora a gente saiba que existem”, avalia.

Larissa, que é autora do Atlas do uso de agrotóxicos no Brasil, indica que, embora haja dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ainda faltam informações necessárias para aprofundar as pesquisas sobre intoxicações. “Estamos começando a desenvolver uma metodologia que avalie a conexão entre malformação fetal e câncer com a exposição a agrotóxicos, mas falta um mundo de pesquisa. A gente não tem informação detalhada de consumo de agrotóxicos por município, o montante utilizado em cada cidade, sobre pulverização aérea em todos os estados, ou seja, faltam dados oficiais”, avalia.

Paraná é recordista em envenenamentos

O estado brasileiro com a maior quantidade absoluta de exposições e intoxicações por agrotóxicos nos últimos dez anos é o Paraná, com 4.648 registros.

O estado é o segundo do Brasil com maior área plantada do país e também o segundo com a maior quantidade de estabelecimentos que utilizam agrotóxicos, segundo dados do Censo Agro 2017, do IBGE. Entre as principais produções agrícolas no estado estão cevada, feijão, milho, trigo e soja. Após o Paraná, São Paulo e Minas Gerais são os estados com maior quantidade absoluta de estabelecimentos que utilizam venenos agrícolas.

Nos últimos dez anos, o Paraná se manteve como um dos estados com maiores taxas de intoxicação por habitante. Contudo, desde 2011, os registros de intoxicação subiram no Espírito Santo, que é hoje a unidade da Federação com maior quantidade de intoxicações em relação à população.

O Paraná é o estado do deputado Luiz Nishimori (PR), relator do Projeto de Lei (PL) 6.299, de 2002, que altera a legislação sobre os agrotóxicos, transferindo o poder regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – vinculada ao Ministério da Saúde – para o Ministério da Agricultura, entre outras medidas. A Pública questionou o deputado se a proposta, caso aprovada, não poderia aumentar os casos de intoxicação no seu próprio estado, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

O PL 6.299 é duramente criticado pela própria Anvisa, que afirma que as mudanças regulatórias trarão riscos à saúde da população. A Comissão Científica em Vigilância Sanitária (CCVISA) mostra que o projeto “vai na contramão da tendência internacional de consumo e comércio, representando um risco às exportações agrícolas brasileiras, podendo inclusive afetar a balança comercial do país”.

Por outro lado, a Sociedade Brasileira Rural (SBR), entidade que representa produtores rurais, defende que o projeto não irá aumentar a quantidade de intoxicações, pois elas ocorrem “pela aplicação equivocada dos defensivos, sejam eles químicos ou orgânicos, da mesma forma que ocorre com os medicamentos”, afirma o diretor João Adrien. “A lei atual funciona como uma barreira que protege as multinacionais que já estão no mercado, inibindo a entrada de novas empresas. Mas as startups com novas tecnologias, novos produtos, que surgirão com uma lei menos discricionária, menos burocrática e mais eficiente, poderão ter menor toxicidade”, argumenta.

Pressão constante sobre a Anvisa

A Pública questionou o Ministério da Agricultura sobre as intoxicações e a pasta respondeu em uma nota que “um produto só é liberado se considerado que, se utilizado conforme as recomendações de uso, não coloque em risco a saúde humana e o meio ambiente”. A assessoria do Ministério da Agricultura ainda acrescentou que “o número de intoxicações com medicamentos é muitas vezes superior ao dos pesticidas” e que medidas para evitar o aumento das intoxicações são “competência das autoridades de saúde humana”, completou. O atual ministro, Blairo Maggi (PP-MT), é o autor do PL 6.299.

O projeto de lei foi apresentado dois meses depois de o Decreto 4.074 ter estabelecido a competência da Anvisa para avaliar e reavaliar os registros de agrotóxicos conforme o grau de toxidade. Segundo Luiz Cláudio Meirelles, que foi gerente-geral de toxicologia da Anvisa de 1999 a 2012, sempre houve pressão contrária à ação dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente na regulamentação dos agrotóxicos. “Durante a gestão tivemos muitas brigas com empresas de agrotóxicos e parte do agronegócio por conta dessas mudanças na área regulatória, várias tentativas de tirar a competência [da Anvisa]. O projeto de lei é de 2002, está conseguindo avançar agora por conta da conjuntura política atual, mas a gente passou esses anos todos resistindo para que a competência nas áreas de saúde e meio ambiente não fossem retiradas. A gente não queria impedir que a produção agrícola exista, mas que incorpore novas tecnologias e que proteja a população”, critica.

Meirelles esteve na Anvisa também durante a implementação da Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat), sistema que fornece informações, diagnostica e trata envenenamentos por agrotóxicos e outras substâncias em todo o país. Segundo ele, os números reais de intoxicação são muito maiores que os apontados pelo sistema de notificações – a estimativa é que, para cada caso reportado, 50 não sejam informados.

Assim, nos últimos dez anos, o número real de pessoas intoxicadas no Brasil poderia chegar a 1,3 milhão, isto é, mais de 300 pessoas intoxicadas por dia.

“Lidamos com uma informação muito aquém daquela que deveria ser produzida até para orientar as políticas públicas nessa área”, reconhece o especialista. No início de julho, contudo, a Anvisa publicou orientação de serviço 49/2018, que permite o processo de registro de agrotóxicos por “analogia”, isto é, quando já forem aprovados no mercado dos Estados Unidos ou na Europa, facilitando mais o uso de pesticidas. A Pública procurou o órgão para comentar a repercussão da publicação da portaria, mas não obteve retorno.

Para a médica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Brasília, Andrea Amoras Magalhães, além da subnotificação pela dificuldade de muitas pessoas acessarem o sistema de saúde, é preciso treinar melhor os profissionais para identificar e tratar exposições a agrotóxicos. “A gente só faz diagnóstico daquilo que a gente conhece. A exposição aguda é muito mais fácil de identificar. Falta ao sistema de saúde estar mais preparado para fazer diagnóstico da intoxicação crônica [que ocorre após várias exposições de menor dosagem]. Temos uma deficiência do ensino de toxicologia nas faculdades de medicina – que eu posso falar com mais proximidade –, mas, de uma maneira geral, dos diversos profissionais de saúde”, avalia.

Relatório aponta intoxicação em crianças na zona rural e cobra providências

Em maio de 2013, cerca de 90 pessoas, a maioria delas crianças, foram internadas após um avião pulverizar agrotóxico em uma plantação próxima a uma escola rural em Goiás. A situação foi documentada no relatório da ONG Human Rights Watch (baixe aqui), divulgado em julho deste ano, que coletou relatos de intoxicação em comunidades indígenas, quilombolas e rurais em sete estados do país.

“É preciso delimitar uma zona de segurança para pulverização terrestre – em torno de locais como escolas, prédios ou áreas habitadas – porque até o momento não existe uma norma nacional. Para pulverização aérea existe, mas ela não é respeitada. Deveria ocorrer a suspensão da pulverização aérea enquanto as autoridades conduzam estudos sobre os impactos ambientais e à saúde”, explica um dos autores do estudo e consultor da Human Rights Watch, João Guilherme Bieber.

Segundo o pesquisador, a intoxicação de crianças que estudam ou vivem em áreas pulverizadas é ainda mais grave, pois os danos à saúde são mais severos. Segundo os dados do DataSUS, nos últimos dez anos, 1.484 crianças de até 9 anos foram intoxicadas por agrotóxicos no país.

Após a publicação do relatório, o secretário de Defesa Agropecuária, Luís Eduardo Rangel, se comprometeu a formalizar as distâncias de aplicação terrestre de agrotóxicos para evitar contaminação de pessoas. Procurado pela Pública, o Ministério da Agricultura respondeu que a competência para normatização e controle de uso de agrotóxicos é dos órgãos estaduais e do Distrito Federal e que uma proposta de instrução normativa está sendo elaborada para ser discutida no Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa).

Agência Publica

A indústria e o direito humano fundamental de acesso à água

Por Ivan Dutra Doehler

Quando utilizamos hoje em dia algum produto ou serviço, já temos alguma noção de uma pegada de carbono que ele deixa em sua cadeia produtiva. Mas não pensamos sobre quanta água pode ter sido gasta para fabricar os produtos e serviços que consumimos no dia-a-dia. São necessários mil e duzentos litros de água para produzir um quilo de carne. A produção de um aparelho celular consome doze mil litros de água, quase o mesmo que é gasto para fabricar uma única calça jeans: onze mil litros. Um carro requer quase meio milhão de litros de água para ser fabricado.

A escassez de água era tratada como uma questão regional na crônica meteorológica dos anos recentes e se restringiam à Região Nordeste, mas as estiagens recorrentes desde o começo da crise hídrica, que resultaram numa escassez de água dramática nos Estados da Região Sudeste, acenderam o alerta vermelho do racionamento de água e revelaram o desperdício oculto sob a suposta abundância. Diante da escassez, começa a mudar a percepção da água como recurso finito e cada vez mais escasso e caro, mas é preciso que não apenas os particulares racionalizem o uso da água, mas também a indústria dê sua contribuição com práticas que reduzam o uso desse insumo no processo produtivo.

A preocupação com a escassez de água no plano internacional, contudo, vem da década de setenta do Século passado. A Conferência das Nações Unidas sobre a Água, realizada em 1977 em Mar del Plata, recomenda em seu Plano de Ação que sejam feitos esforços coordenados para o uso racional da água e a diminuição do desperdício na indústria e na agricultura. A Conferência Internacional  da ONU sobre Água e Meio Ambiente realizada em Dublin, em 1992, resultou na Declaração de Dublin, que trouxe quatro princípios: a água como recurso finito e vulnerável; a participação popular na gestão e desenvolvimento dos recurso hídricos; o papel fundamental da mulher na gestão e proteção dos recursos hídricos; e a água como bem econômico e sua valoração como elemento de garantia do acesso preferencial à água pelas populações a preços compatíveis.

A Agenda 21, que foi elaborada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, dedicou dois capítulos à proteção das águas. O Capítulo 18 tem como objetivo geral “assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta, ao mesmo tempo em que se preserve as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade da natureza.”

A Agenda 2030 é fruto da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável realizada no Rio de Janeiro em 2012 (RIO+20) e dela constam 17 objetivos. O ODS6 é um dos mais importantes entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável ali propostos, uma vez que a falta ou dificuldade de acesso à água constituem uma violação ao direito humano fundamental de uso preferencial desse bem ambiental de uso comum do povo. A violação desse direito afeta a parcela mais desfavorecida da população, conforme alertou o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si. Estima-se que dois bilhões e meio de pessoas em todo o mundo encontram-se nessa situação.

Segundo dados das Nações Unidas[1], apenas 0,5% por cento da água está disponível para consumo humano e 40% da população mundial enfrentam problemas com escassez de água. Enquanto isso, 70% da água em todo o planeta são destinados à agricultura, 20% são consumidos pela indústria, restando apenas 10% para consumo humano. Apenas 5% de todos os investimentos em todo o mundo são voltados para a gestão da água com base em processos que racionalizam o uso do recurso natural. Os 95% restantes são investimentos que se baseiam nas técnicas tradicionais de gestão da água, em geral grandes desperdiçadoras desse precioso recurso.

Nesse cenário realizou-se no mês de março passado, em Brasília, o 8º Fórum Mundial da Água, em que diversos setores da sociedade manifestaram suas intenções de preservação da água não apenas para o presente, mas também para as futuras gerações. O evento é organizado pelo Conselho Mundial da Água (WWC, da sigla em inglês) em parceria com o pais que sedia o encontro, e mobiliza vários setores da sociedade com o objetivo de fortalecer ações e encontrar soluções para a gestão de recursos hídricos no mundo todo.

No âmbito do 8º Fórum da Água, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) firmou o Compromisso Empresarial Brasileiro pela Segurança Hídrica, garantindo a aplicação de diversas soluções compartilhadas para enfrentar a crise e reduzir o consumo de grandes volumes de água potável, utilizando técnicas tais como reuso, gestão de perdas, tratamentos sustentáveis para reutilização de efluentes industriais e domésticos, reservatórios de acumulação, soluções de dessalinização, uso de fontes de energia renovável, recuperação e preservação de bacias e mananciais visando o incremento da infraestrutura natural, ações de reflorestamento, como resposta à crise hídrica.

Se nos dias atuais a indústria vem perdendo participação no PIB como reflexo do capitalismo pós-industrial, é impensável continuarmos a dar mais água para os parques industriais do que para o consumo da população. A tecnologia permite à humanidade buscar novas formas de produzir com menos abuso e desperdício de água. Somente o comprometimento do setor produtivo e do governo, somado à efetiva participação das populações na gestão dos recursos hídricos, será capaz assegurar o acesso à água de qualidade para a presente e as futuras gerações, como garantia do exercício de um direito humano fundamental.

Referências

<http://www.agda.pt/declaracao-de-dublin.html>, acesso em 18/05/2018

<http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2013/03/quantos-litros-de-agua-sao-usados-na-fabricacao-de-cada-produto.html>, acesso em 18/05/2018

<http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/meio_seculo_de_lutas%3A_uma_visao_historica_da_agua.html>, acesso em 18/05/2018

http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global/item/670>, acesso em 18 de maio de 2018.

RIBEIRO, Wagner Costa. Geografia política da água. São Paulo. Ed Annablume, 2008.

<https://nacoesunidas.org/pos2015/ods6/>acesso em 20/05/2018

PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato Si. Ed. Paulinas, 2015, São Paulo.

*Advogado, Especialista em Direito Público pela PUC/MG, Mestrando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável na Escola Superior Dom Helder Câmara.

A semente que se plantou, agora germina

Um novo olhar se desponta num horizonte de linhas esperançosas de transformação. O que antes era semente, hoje já se germina. Fazemos mesmo a diferença quando estamos juntos em um mesmo objetivo.

De modo transformador, o Movimento ECOS, ecoou. Trouxe nas escolas a ressonância de seu propósito, qual seja: a construção de um meio ambiente sustentável.

As escolas progrediram em seus projetos, desenvolveram ideias, envolveram pessoas, persistiram com criatividade e estabeleceram prioridades. Já se vê em cada escola participante o alvorecer de novos tempos.

No Movimento Ecos, tarefas são estabelecidas para que as escolas realizem atividades que são pontuadas pela organização do Movimento, de acordo com critérios pré-estabelecidos. Já caminhamos para a reta final. Visando à redução do consumo de água e energia, as escolas se mobilizaram. Tanto o corpo docente quanto o discente se empenharam no planejamento e na execução de medidas que cumprissem esses dois objetivos básicos.

Ana Góes, aluna do 3° ano e representante da Escola Estadual Presidente Dutra no movimento ECOS, disse que “estamos nos dedicando intensamente às novas propostas que o projeto Ecos trouxe, como por exemplo, estamos mais atentos a economia de energia e água. Desde prestar atenção às luzes acesas após o turno de aulas até a torneira mal fechada. Além disso, nos dedicarmos a horta é um momento de enorme paz e felicidade, além de enfatizarmos para nós mesmos e para toda a escola a importância da preservação do ambiente escolar e do planeta Terra. O Movimento Ecos é possível em qualquer lugar!”.

A etapa do projeto para esse momento é a coleta de dados preliminares como resultado do que já foi feito. A etapa final se aproxima, mas já é visível, pelos resultados parciais, que o projeto valeu a pena em cada escola. Já se colhe o que se plantou, já aplica o que aprendeu. Atualmente, todas as escolas encontram-se na fase de execução, próximas de entregar o relatório que descreverá e contará o que fizeram nos últimos meses.

O segundo semestre chegou e a vida educacional retomou seu ritmo normal. Ainda no dia 25 deste mês, acontecerá um evento com a finalidade de alinhar as diretrizes e desenvolver uma comissão para a grande Caminhada Ecológica a ser realizada em outubro. Mais ainda, no dia 31, ocorrerá a apresentação do concurso Dança de Rua, cujos passos já estão afinados por alguns grupos.

Por se tratar de um projeto que envolve milhares de pessoas, direta e indiretamente, não é difícil de se supor que os passos são difíceis. E é exatamente esse um dos pontos mais importantes para o êxito desse grande projeto de sustentabilidade. Nós, professores e professoras que acompanhamos as escolas, assim como nossas alunas e alunos bolsistas (da Dom Helder e da EMGE) escutamos algumas vezes que “não daria certo”. Quem falou isso? Quem se manifestou negativamente? O comum, o “normal” é escutarmos que não haverá os resultados esperados em qualquer empreitada na vida. Não faltam os pessimistas de plantão.

Para que as tarefas fossem executadas com sucesso, a capacidade de negociação das equipes foi e sempre será uma das mais importantes virtudes, para que projetos que visem ao bem comum sejam bem-sucedidos. Imagine a situação de uma escola brasileira do ensino médio, portanto, em um país não acostumado (infelizmente) com a questão da sustentabilidade, que decide, pelo convite inicial de uma faculdade parceira, dedicar-se a mudar a cultura interna de seus funcionários e alunos. Nessas escolas, a reação esperada da maioria da comunidade envolvida não tinha como ser outra que não a de oposição, afinal, é desconfortável mudar, ainda mais quando essa mudança não traz um resultado certo e facilmente mensurável. E tem mais: a certeza de que outros milhões de brasileiros continuarão com o mesmo agir viciado, descomprometido com a questão ambiental. Então, por que ser diferente?

Ao que tudo indica, pelo que vivenciamos nesses meses, as escolas que mais avançam são as que melhor conseguem superar os “nãos” internos. Eis uma questão bastante interessante, porque, muitas vezes, em ambientes de muita oposição em que mais “nãos” são superados, aumenta-se a criatividade e a produtividade. Não basta, por parte das equipes diretamente envolvidas, uma fantástica boa vontade de fazer diferente. Se não forem capazes de mobilizar a escola inteira, ou, pelo menos, boa parte dela, o projeto pode “emperrar”, e aquela energia inicial, capaz de importantes transformações, corre sério risco de morrer na praia.

Todas as vezes que me deparei com manifestações de resistência, em reuniões com docentes ou discentes, valorizei o argumento de oposição. Mas eu, assim como os outros professores da Dom Helder, tenho encontros esporádicos com as equipes. São os membros das equipes que souberam negociar e superar os “nãos” recebidos das “pessoas difíceis” (expressão utilizada pelo professor de Harvard, William L. Ury, um dos mais importantes especialistas em técnicas de negociação, no mundo todo). Ainda que inconscientemente, equipes bem-sucedidas souberam lidar com esses “nãos”.

Em poucos meses, conheceremos o resultado do Movimento Ecos. Uma Escola Estadual será declarada vencedora. Esse ganho, no entanto, de aprenderem a como lidar com os oponentes, respeitando-os, buscando superar as resistências e não desistindo em razão desse tipo de situação, será uma conquista definitiva na vida de todas essas pessoas, pois, afinal, não há ambiente social em que todos sejam iguais e estejam sempre de acordo com os mesmos propósitos, nem pessoas idênticas que não se oponham, umas às outras.

Finalizando, arrisco a dizer que, por trás da Escola vencedora, estarão alunas, alunos e docentes com alta capacidade de negociação. Vencerão em outros momentos. Uma pena saber que nem sempre teremos notícias de suas conquistas, mas é uma enorme satisfação ter a certeza de que elas acontecerão.

A água no cenário mundial e sua problemática

Sobradinho – No maior reservatório do Nordeste, o nível da água atingiu o menor patamar dos quase 40 anos da barragem de Sobradinho (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por Naiara Carolina Fernandes de Mendonça*

Água. Tecnicamente conceituada como composto químico formado de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (H2O). Um elemento tão simples quanto essencial à vida humana.

Nosso planeta, embora denominado Terra, possui 2/3 de água em sua superfície, sendo que 96,5% dela formam os oceanos como água salgada, e apenas 3,5% se encontram em forma de lagos, geleiras ou calotas polares, onde podemos encontrar a água doce.

Desta água doce tem-se que 73% é utilizada na agricultura, 21% na indústria e 6% resulta em água potável, ou seja, própria para o consumo doméstico. Todavia, embora denominemos esse tipo de água como potável, sua qualidade ainda é muito precária, uma vez que na maioria dos países subdesenvolvidos, a maior parte das doenças e mais de 1/3 da taxa de mortalidade provêm da péssima qualidade do recurso.

Além disso, a luta pelo acesso ao recurso hídrico tem se tornado um dos principais pontos de conflito internacionais, em especial das regiões áridas e semiáridas.

Diante, então, da problemática da escassez e degradação da qualidade dos recursos hídricos do planeta, a necessidade de estabelecer mecanismos e instrumentos eficazes, capaz de criar um manejo integrado, proteger e assegurar a existência de recurso de qualidade para a presente e futura geração vem se fazendo cerne das questões globais.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até o ano de 2025 a quantidade de pessoas que vivem em países onde o recurso hídrico é escasso, passará de aproximadamente 700 milhões para mais de 3 bilhões. Atualmente, 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável e cerca de 5 milhões morrem, por ano, devido a contaminações provenientes da ausência de abastecimento do recurso.

O Brasil se encontra em posição de vantagem. Contando com três bacias hidrográficas as quais resultam no maior volume de água doce do mundo – Bacia Amazônica, Bacia de São Francisco e a Bacia do Paraná – possui, assim, 12% dos recursos hídricos do planeta.

De acordo com o Itamaraty, essa porcentagem significa 53% dos recursos hídricos da América do Sul. Além disso, uma parte significante das fronteiras do país se faz por corpos d’água, sendo 83 rios fronteiriços e transfronteiriços, bem como bacias hidrográficas e aqüíferos, ocupando 60% do território brasileiro.

Por outro lado, apesar de toda essa contribuição da natureza, permitindo que o volume de água distribuído por pessoa seja 19 vezes superior ao mínimo estabelecido pela ONU (1.700 m3/s por habitante por ano), o país ainda sofre com a escassez do recurso em determinadas áreas de seu território.

Assim, e com o objetivo de tentar sanar os problemas que pairam sobre o tema, em todo o mundo, a comunidade internacional passou a adotar princípios fundamentais para a utilização sustentável e conservação das águas para as futuras gerações. Estes princípios foram firmados durante a Conferência Internacional sobre a Água e Desenvolvimentos, realizada em Dublim, na Irlanda, no ano de 1922.

O objetivo destes princípios é reconhecer a água como um recurso finito, vulnerável e essencial para a manutenção da vida e desenvolvimento do meio ambiente. Buscar o desenvolvimento e administração da água por uma abordagem participativa. E, por fim, estabelecer um valor econômico para todos os tipos de uso do bem.

Além disso, desde o ano de 1997, o Conselho Mundial da Água (CMA), organiza trimestralmente um dos eventos mais importantes sobre o tema, o Fórum Mundial da Água. Este evento conta com a participação de representantes de governos, ONGs e sociedade civil. Importante destacar que, recentemente, o Brasil foi palco da última edição do Fórum (2018), com o tema “Água Compartilhada”.

O Fórum, embora não constitua um foro intergovernamental, é considerado o principal ambiente com vista a conscientizar a sociedade sobre a relevância do recurso, criar compromissos políticos com o objetivo de elevar o tema como prioridade dos governos e estabelecer um diálogo internacional entre diferentes setores envolvidos com a temática dos recursos hídricos, contando com ampla participação da sociedade civil.

Todos esses eventos e discussões sobre o tema são de extrema importância, uma vez que incorporam ao setor hídrico especificidades que devem ser ressaltadas e respeitadas, diante dos inúmeros conflitos existentes em relação aos recursos hídricos. Todavia, embora haja todos esses esforços a fim de trazer uma solução para o problema da água, o que se observa é a negligência com a qual os recursos hídricos são geridos e distribuídos no Brasil e no mundo

Os argumentos a fim de justificar a desigual distribuição de água giram em torno das características geográficas peculiares de cada região, além das alterações de vazão dos rios, que se dão por conta das variações de clima. Fato é que, a quantidade de recursos hídricos do mundo é capaz de abastecer toda a população. No Brasil, por exemplo, tem-se que a quantidade de água existente no país é suficiente para atender 57 vezes a demanda atual, todavia não é o que se passa no cenário brasileiro e mundial.

Claro que a questão geográfica dificulta a chegada do recurso a determinadas regiões, mas o principal fator que nos leva à essa desigualdade hídrica é político. A má gestão dos recursos hídricos leva a um dos maiores problemas enfrentados quando se trata do tema.

Segundo José Esteban Castro, um dos grandes especialistas no assunto, se a gestão dos recursos hídricos fosse pautada nos princípios da igualdade e democracia, isso não aconteceria.

Ele destacou que em uma cidade do México, por exemplo, na qual um rio passava na porta das casas de uma determinada população, estes não possuíam água em suas torneiras. Já em uma outra cidade, localizada em meio ao deserto, cerca de 80% de sua população recebia água em suas casa.

Nesse sentido, é possível afirmar que o problema da água do planeta gira em torno de um fator político e de gestão. O que é lamentável, uma vez que em tempos onde a solidariedade e igualdade são aclamadas e a busca pelo bem estar da comunidade internacional tão necessária, o interesse daquele que gere ainda prevalece sobre as necessidades do outro.

É preciso entender que a gestão da água, diz respeito à gestão da vida, e de uma vida digna. Esse é o compromisso!

*Mestranda em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Vale trata a Amazônia como seu ‘almoxarifado’, diz governador do Pará

A mineradora Vale foi duramente criticada pelo governador do Pará, Simão Jatene, e por parlamentares do Senado nesta terça-feira (7) por conta de sua ausência em uma audiência pública realizada no Congresso para debater, justamente, as condições da prorrogação antecipada das concessões ferroviárias da Vale.

Na abertura da audiência, foi informado que o presidente da Vale Fabio Schvartsman, não compareceu à audiência “em virtude de compromissos anteriores assumidos”. Após o encontro de quase seis horas de discussões, que teve a participação de diversas autoridades do governo, entre elas o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, o governador criticou a ausência da companhia.

“É uma enorme tristeza. É a comprovação de uma coisa que se tem falado com muita frequência, que é o fato de a Vale ainda não ter percebido que o papel dela não pode ser apenas o de alguém que vê a Amazônia e, particularmente, o Estado do Pará, como um almoxarifado, onde você tira e retira os recursos naturais, e deixa, enfim, um buraco para gerações futuras. Isso não é aceitável”, declarou Jatene, após o encontro. “Eu acho lamentável e, de certa forma, até um desrespeito, não ter vindo participar desse debate. Ela é, sem dúvida alguma, a principal interessada nisso aqui.”

A audiência foi realizada para discutir a proposta do governo de exigir da companhia Vale, como contrapartida à renovação das concessões da Ferrovia Vitória-Minas e da Estrada de Ferro Carajás, a construção de um trecho de 383km da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) no Estado de Mato Grosso. O Pará e o Espírito Santo, que são cortados pelas atuais concessões que serão renovadas, exigem que a contrapartida da empresa esteja atrelada a obras ferroviárias previstas para seus territórios, e não para o Mato Grosso.

Indignado com a ausência da empresa, o senador paraense Flexa Ribeiro (PSDB/PA) afirmou que “a Vale é o câncer do Pará e onde ela está instalada são metástases”. “Eu lamento que o presidente da Vale tenha sido covarde em não comparecer à audiência”, declarou, durante a sessão.

O senador capixaba Ricardo Ferraço (PSDB/ES) também reclamou da “covardia” da empresa em não marcar presença no debate. “Eu queria lamentar essa postura arrogante, autoritária da companhia Vale do Rio Doce, que se esconde, que não vem para o debate no Senado Federal para que nós possamos fazer, face a face, um questionamento sobre essa questão”, afirmou. “Eu quero deixar registrado aqui o meu protesto, quero deixar registrada aqui a minha indignação pela ausência e pela covardia da diretoria da Vale e do seu presidente de não estarem aqui na Comissão de Infraestrutura do Senado para que nós pudéssemos debater este assunto, até porque sabemos todos nós que essa não é apenas uma decisão pretendida pelo governo federal, essa é uma decisão que foi arquitetada pela Vale. E a Vale, com isso, se coloca numa condição de costas para o Senado da República.”

Questionado sobre as declarações, a Vale informou, por meio de nota, que seu único posicionamento público sobre o assunto foi divulgado em 2 de julho, quando o governo anunciou seu plano com a empresa. Na ocasião, a mineradora confirmou que participava do processo de prorrogação antecipada das suas concessões ferroviárias, que expiram em 2027.

“A aprovação para a prorrogação antecipada das concessões será submetida ao Conselho de Administração, após a análise das contrapartidas requeridas pelo Governo Federal, a serem oficializadas depois da etapa de audiências públicas. A Vale manterá o mercado informado caso haja qualquer nova informação relevante relacionada a tal processo”, declarou, à época.

A proposta sobre a prorrogação da Vale precisa entrar ainda em fase de audiência pública para, depois, seguir para o Tribunal de Contas da União. Se a proposta for aprovada, o governo fica liberado para assinar a prorrogação antecipada desses contratos. O governo defende que o trecho no Mato Grosso é a melhor alternativa e que, após a ferrovia ser construída, será devolvida à União para que seja leiloada.

Para os Estados do Pará e Espírito Santo, o governo prometeu o repasse da outorga da Norte-Sul, que deve ser concedida em novembro, com lance mínimo de R$ 1,06 bilhão. O governador Simão Jatene ironizou. “Seria cômico, se não fosse trágico. Querem oferecer um R$ 1 bilhão que será pago em parcelas durante 30 anos, para fazermos nossa ferrovia.” O Pará cobra a construção do último trecho da Norte-Sul, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA).

Agência Estado

Terra corre risco de entrar em ‘efeito estufa’ irreversível

O planeta precisa urgentemente de uma transição para uma economia verde porque a contaminação por combustíveis fósseis ameaça empurrar a Terra para um duradouro e perigoso estado de “efeito estufa”, alertaram pesquisadores nesta segunda-feira (6).

Se o gelo polar continuar derretendo, as florestas encolhendo e os gases de efeito estufa, aumentando a novos máximos – como acontece atualmente a cada ano -, a Terra chegará a um “ponto de inflexão”, isto é, a um ponto de dano irreversível.

Cruzar esse limiar “garante um clima de 4 a 5 graus Celsius superior à era pré-industrial, e níveis do mar entre 10 e 60 metros mais altos do que os de hoje”, advertiram cientistas nas Atas da Academia Nacional de Ciências.

E isso “poderia acontecer em apenas algumas décadas”, advertiram.

O que é uma “Terra estufa”?

“É provável que uma Terra Estufa seja incontrolável e perigosa para muitos”, alerta o artigo escrito por cientistas da Universidade de Copenhague, da Universidade Nacional da Austrália e do Instituto de Pesquisas de Efeitos Climáticos de Potsdam, na Alemanha.

Ao final do século ou até mesmo antes, os rios transbordariam, as tempestades causariam estragos nas comunidades costeiras e os arrecifes de coral desapareceriam.

A média das temperaturas globais poderia exceder a de qualquer período interglacial – isto é, nas épocas mais quentes entre as Eras do Gelo – do último 1,2 milhão de anos.

O degelo polar produziria níveis do mar dramaticamente mais altos, inundando as terras costeiras onde vivem centenas de milhões de pessoas.

“Lugares na Terra se tornarão inabitáveis se a ‘Terra Estufa’ virar realidade”, disse o coautor do estudo Johan Rockstrom, diretor-executivo do Stockholm Resilience Center.

Onde está o ponto de inflexão?

Os pesquisadores sugerem que o ponto de inflexão poderia ocorrer quando o aquecimento da Terra se situar 2° Celsius acima dos níveis pré-industriais.

O planeta já aqueceu 1°C em relação à era pré-industrial e continua esquentando à velocidade de 0,17°C por década.

“Um aquecimento de 2°C poderia ativar elementos de inflexão importantes, elevando ainda mais a temperatura para ativar outros elementos de inflexão em um efeito dominó, que poderia fazer a temperatura do sistema da Terra aumentar ainda mais”, destacou o informe.

Essa cascata “poderia inclinar todo o sistema da Terra para um novo modo de operação”, disse o coautor Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Pesquisas de Efeitos Climáticos de Potsdam.

Os especialistas também estão preocupados com outros fenômenos, como os incêndios florestais, que se propagarão à medida que o planeta se tornar mais quente e seco e têm o potencial de acelerar o acúmulo de dióxido de carbono e o aquecimento global.

Como se calcula?

O artigo, intitulado “Perspectiva”, se baseia em estudos publicados previamente sobre pontos de inflexão da Terra.

Os cientistas também examinaram condições que a Terra experimentou no passado remoto, como no Plioceno, há 5 milhões de anos, quando o CO2 estava em 400 partes por milhão (ppm), como hoje.

No Cretáceo, era dos dinossauros há 100 milhões de anos, os níveis de CO2 eram ainda mais elevados, atingindo as 1.000 ppm, em grande parte devido à atividade vulcânica.

Afirmar que 2°C é um ponto sem retorno “é novo”, disse Martin Siegert, codiretor do Instituto Gratham no Imperial College de Londres, que não participou do estudo.

Os autores do estudo “coletaram ideias e teorias previamente publicadas para apresentar uma narração sobre como ocorreria o cruzamento do limiar”, disse.

“É bastante seletivo, mas não disparatado”.

Como detê-lo?

Segundo os cientistas, as pessoas devem mudar imediatamente seus estilos de vida para serem melhores tripulantes da Terra.

Os combustíveis fósseis devem ser substituídos por fontes de energia com emissões baixas ou nulas, e deveriam ser criadas mais estratégias para absorver as emissões de carbono, como pôr fim ao desmatamento e plantar árvores para absorver o dióxido de carbono.

Na lista de ações está a gestão do solo, melhorar as práticas agrícolas, a conservação de terras e costa e as tecnologias de captura de carbono.

No entanto, inclusive se os humanos deixassem agora de emitir gases de efeito estufa, a tendência atual de aquecimento poderia desencadear outros processos do sistema Terra, chamados retroalimentações, que levariam a um aquecimento ainda maior.

Isto inclui o degelo do permafrost, o desmatamento, a perda da camada de neve do hemisfério norte, do gelo marinho e do gelo polar.

Os cientistas dizem que não é certo que a Terra possa permanecer estável.

“O que ainda não sabemos é se o sistema climático pode ‘estacionar’ de forma segura cerca de 2°C acima dos níveis pré-industriais, como prevê o Acordo de Paris”, disse Schellnhuber.

AFP

Cientistas preveem aumento de até 2 mil por cento em mortes por ondas de calor

Homem lê em dia de calor forte em Berlim
24/7/2018 REUTERS/Fabrizio Bensch

Por Sebastien Malo

O número de mortos por ondas de calor pode aumentar em até 2 mil por cento em algumas partes do mundo até 2080, de acordo com um estudo divulgado, conforme grandes partes do hemisfério norte são afetadas por temperaturas anormalmente altas.

Cientistas há tempos alertam que as mudanças climáticas irão provocar mais condições meteorológicas extremas em todo o globo, de ondas de calor a furacões.

Os pesquisadores do estudo mais recente dizem que este é o maior até o momento sobre o número de mortos por ondas de calor, que, segundo eles, irão aumentar em frequência e gravidade.

“Ondas de calor futuras serão em especial mais frequentes, mais intensas e irão durar muito mais”, disse Yuming Guo, professor associado da Universidade Monash, na Austrália, em comunicado.

“Se não pudermos encontrar uma maneira de mitigar as mudanças climáticas e ajudar as pessoas a se adaptarem às ondas de calor, haverá um grande aumento de mortes relacionadas a ondas de calor no futuro”.

Ondas de calor passando pelo hemisfério norte dominaram os noticiários nas semanas recentes, com dezenas de mortes registradas do Japão ao Canadá.

O estudo, publicado na revista LOS Medicine, analisou 20 países em quatro continentes e concluiu que o aumento na mortalidade deve ser maior próximo à linha do Equador.

A Colômbia, mais atingida, pode sofrer 2 mil por cento mais mortes prematuras de calor extremo durante o período de 2031 a 2080, comparado com o de 1971 a 2010, segundo o estudo.

As Filipinas e o Brasil também devem ter grandes aumentos nos números de mortes prematuras, de acordo com o estudo.

Países localizados mais longe do Equador, como Estados Unidos e nações europeias, terão aumentos menores.

No entanto, mesmo sob os melhores cenários – nos quais emissões de aquecimento do planeta foram contidas e aumentos populacionais são baixos – mortes irão aumentar, de acordo com o estudo.

Durante ondas de calor, definidas como ao menos dois dias consecutivos de temperaturas quentes anormais, o corpo não consegue dissipar o calor, deixando especialmente adultos mais velhos em risco de sofrerem condições médicas como ataques cardíacos.

Com base em dados históricos, os pesquisadores usaram modelos climáticos para estimar temperaturas futuras.

Eles disseram que a conclusão do estudo destacou a necessidade de tomar medidas agora para evitar uma crise de saúde pública no futuro.

Medidas para mitigar os efeitos do calor podem incluir abertura de centros de resfriamento e pinturas brancas em telhados para refletir a luz e manter casas mais resfriadas.

Reuters

Sobre as atividades desenvolvidas na 4ª fase e a mobilização para o evento de Dança de Rua

O Movimento socioambiental Ecos retoma a dinâmica de suas atividades após o período de descanso da última quinzena do mês de julho e, juntamente com as equipes das escolas parceiras, seguem o cumprimento das tarefas propostas, bem como o estabelecimento das agendas e compromissos programados.

Nesse segundo semestre, o Ecos passa a receber os pré-resultados do desempenho de atividades realizadas nos projetos das escolas. Esses resultados parciais já são frutos do trabalho planejado e segmentado pelas equipes das escolas, que estão relacionados às categorias escolhidas por essas equipes, de acordo com a realidade de cada escola. Dessa forma, já se observa que várias equipes vêm concluindo com seriedade e compromisso o que foi proposto, de maneira conjuntural e recebendo o apoio dos estudantes, monitores e professores da Faculdade de Direito Dom Helder Câmara e EMGE (Escola de Engenharia de Minas Gerais), ambas apoiadoras do Movimento.

As escolas iniciam a fase final de conclusão de seus projetos, efetivando a entrega de relatório com resultados parciais, apresentando resultados como o reaproveitamento e destino de papel coletado na escola, a transformação de resíduos em objetos, diminuição do consumo de energia e de água, melhora nos padrões da merenda escolar, através do cultivo de verduras orgânicas e todo um melhoramento no espaço escolar. O Movimento demonstra para esses jovens e professores que é possível obter um espaço de convivência mais saudável e sustentável, através da mudança e transformação de novas posturas.

Neste mês de agosto, o Movimento também orienta para o evento “Dança de rua”. Esta atividade estimulará o processo de resgate cultural e autoestima dos alunos. O concurso de dança de rua vem mobilizando várias escolas com entusiasmo e fortalecendo a ideia do coletivismo, da participação e da inclusão social, extremamente importantes para as comunidades escolares. Em visitas, observou-se que as escolas estão muito comprometidas com o evento, tais como a Escola Estadual Henrique Diniz, Escola Estadual Manoel Martins, Escola Municipal Professora Luiza Maria de Souza, Escola Estadual Antônio Miguel, Escola Estadual João Alphonsus, Escola Estadual General Carneiro, dentre outras. As escolas já estão ensaiando seus números de danças e o esperado é que mais de 50 escolas disputem as classificatórias. As escolas pré-classificadas farão uma apresentação no dia 31 de agosto, pela manhã, no Espaço Cultural José Aparecido, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Governo Trump suspende as normas ambientais impostas a automóveis

As agências americanas de Proteção Ambiental (EPA) e de Segurança Rodoviária (NHTSA) anunciaram nessa quinta-feira a suspensão das normas ambientais obrigatórias que o governo de Barack Obama havia imposto à indústria automotiva.

Os dois órgãos reguladores propuseram, em seu lugar, novas regras menos rígidas, que poderão intensificar o confronto entre o governo de Trump e o estado da Califórnia em relação aos “carros verdes”.

As normas suspensas previam aumentos graduais da autonomia dos veículos até alcançar um objetivo de 100 km para cada 4,32 litros de gasolina até 2025.

Estes padrões “já não são apropriados”, disse a EPA em um comunicado. “Estamos cumprindo a promessa do presidente Trump aos americanos de dar uma solução sobre o tema da economia de combustível e os padrões de emissão de dióxido de carbono (CO2)”, afirmou Andrew Wheeler, o chefe da agência ambiental.

“Nossa proposta busca atingir um equilíbrio regulatório baseado na informação mais recente e implementar uma solução para os 50 estados que permita que mais americanos comprem um veículo menos poluente, seguro, novo e mais barato”, acrescentou.

As duas agências federais dizem que as normas do governo de Obama contribuíram para aumentar o preço médio dos automóveis, agora de 35.000 dólares, ou seja, 2.340 dólares a mais, o que leva os consumidores a não trocarem de carro.

Isto faz com que se privem de contar com novos automóveis equipados com as últimas tecnologias que os tornam mais seguros.

Consequentemente, afirmam as autoridades reguladoras, a suspensão desses padrões permitirá aos americanos economizar milhares de dólares e reduzir o número de mortes nas estradas.

As novas normas, que ainda devem ser ajustadas e modificadas, entrarão em vigor neste inverno boreal, detalharam.

“A Califórnia lutará contra esta (decisão) estúpida com todos os meios a sua disposição”, reagiu imediatamente no Twitter Jerry Brown, o governador deste importante estado do oeste dos Estados Unidos.

Em troca, os lobbies automotivos como Auto Alliance e Global Automakers elogiaram a decisão, que salvará postos de trabalho, asseguram.

AFP