São as águas de março fechando o verão…


Participantes do Movimento Ecos durante a Caminhada Ecológica de 2019. (Foto: Bárbara Teixeira)

Por Helen Almeida

Março mal chegou e com ele, veio mais chuva. De acordo com Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o acumulado de chuvas nos dois primeiros dias do mês em Belo Horizonte e na região metropolitana gira em torno de 80 mm.

Ainda que as precipitações estejam menos intensas, a constância delas e o consequente acúmulo de água no solo mantém o alerta para o risco geológico, com queda de muros, deslizamentos e desabamentos.

Considerando que viemos de um janeiro com índices pluviométricos históricos, cujo volume de chuvas superou o de todo o ano de 2019 e de um mês de fevereiro com uma média acumulada de aproximadamente 400 mm, março vai fechar o verão repetindo o feito de seus meses antecessores, a expectativa é de chuvas acima da média.

Vimos então, ao longo dos dois últimos meses, as consequências que o excesso das chuvas provocou em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Tais eventos não são novos, já que Belo Horizonte foi edificada sobre uma extensa malha fluvial canalizada, o Ribeirão Arrudas, sabendo-se que há relatos históricos de tragédias resultantes das chuvas no passado.

De tanto caos, emergiu de forma mais intensa o debate sobre a necessidade de mudanças estruturais, de políticas públicas direcionadas não mais apenas à canalização, mas à reabilitação dos cursos d’agua na região, com estratégias que promovam o resgate de áreas verdes e matas ciliares, sistema natural de drenagem e escoamento das águas. Os especialistas afirmam: a alternativa é imitar a natureza e resgatar o máximo possível as características naturais perdidas durante o processo de urbanização e canalização das águas.

Para além de tantas mudanças grandiosas e estruturais, que demandam ações coordenadas de diversos setores públicos, nós também podemos contribuir. O Movimento Ecos vem, desde 2011, em parceria com as escolas da rede pública do Estado de Minas Gerais, buscando desenvolver estratégias que impactem positivamente na formação de consciência ambiental, nos âmbitos comunitário, social e individual.

Pensar globalmente e agir localmente! O Movimento Ecos acredita que juntos, podemos! Incentivar o debate para a conscientização sobre grandes problemas ambientais, identificando causas e ações que possam reduzir grandes impactos a partir de ações locais e viáveis, tais como, redução do consumo de água, papel, energia, gestão de resíduos, implantação de hortas e manejo de áreas verdes, como soluções alternativas para prevenção de danos e a recuperação ambiental.

O movimento trabalha em parceria com a sociedade civil para implementar mudanças e prevenir grandes catástrofes, para que as águas de março, que fecham o verão, sejam promessa de vida.

Edição – Bárbara Teixeira – NECOM

Movimento Ecos 2020: aprimoramento e educação ambiental para todos


Por Elmo Júlio de Miranda, desde fevereiro de 2011 no Movimento Ecos

Após a pausa do recesso letivo, o Movimento Ecos retorna com suas atividades de educação ambiental. Fevereiro iniciou-se com várias reuniões entre profissionais, professores, nucleadores, estudantes e coordenação geral para sistematizar as diretrizes, regulamento e editais que definem as estratégias do Movimento.

Promovido pela Dom Helder Escola de Direito e pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE), o Ecos está com novas propostas que interiorizam o projeto em busca de maior dinamismo em suas atividades. Uma das transformações é a implantação de elementos facilitadores para melhorar as condições de desenvolvimento das escolas de Belo Horizonte e região metropolitana. Dessa maneira, pretende-se levar mais qualidade para os projetos.

Novas estratégias

Para 2020, o Movimento Ecos ampliou grupos de pesquisas, capacitando seus integrantes para que possam levar maior conhecimento e nível técnico às equipes. O objetivo é suprir as necessidades que giram em torno do descarte de materiais, resíduos, água, energia, melhorias dos espaços das escola e entorno, além de outras categorias que possam colaborar com melhores resultados nas relações das equipes com os espaços físicos-naturais. A proposta é que o Ecos possa ser, cada vez mais, uma ferramenta que possibilite mudanças de posturas em um plano coerente, pedagógico e multiplicador para todas essas comunidades.

A relevância do Projeto Socioambiental para a educação mineira

Espera-se, para 2020, a ampliação e a participação de novos centros de ensino técnicos, ligados à indústria, para a dinamização do Movimento. O Ecos atenderá novas escolas da região metropolitana de Belo Horizonte, tais como Ibirité, Lagoa Santa, Nova Lima, Santa Luzia, Vespasiano e ampliará o número de instituições em Contagem, Ribeirão das Neves e Sabará.
A importância do Movimento nessas escolas vem sendo observada e muito valorizada pela rede de ensino público, visto que o Projeto Socioambiental está legitimamente conveniado à Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG), obtendo total reconhecimento institucional entre as partes.

A experiência crescente do projeto

A cada ano, o projeto vem sendo reconhecido pelo estado e pela federação, através de premiações e no aumento de escolas participantes. Tal fato é fruto do trabalho e profissionalismo dos parceiros do projeto que buscam, com detalhes, a dinamização e melhorias estruturais para o Ecos.

Ainda temos “a questão multiplicadora” que possibilita que as famílias, comunidade e todo o entorno das escolas recebam parte dessa educação ambiental, modificando atitudes, repensando ações e adequando suas relações em prol de um ambiente mais equilibrado e harmonioso.

Afinal, o Movimento Ecos, inicia sua décima edição nas escolas…

O Ecos começou seu trabalho com as escolas em 2011, com meia dúzia de instituições participantes. A cada ano esse número aumentou devido ao valor ambiental que o movimento carrega e o seu papel como obra social na educação pública.

Todos nós aprendemos, todos nós reconhecemos e todos nós agradecemos!

Edição – NECOM

Dom Helder e EMGE recebem doações para vítimas das chuvas


A Dom Helder Escola de Direito e a Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE) receberão doações de produtos de limpeza e de higiene, água mineral e alimentos não perecíveis para as vítimas das chuvas em Minas Gerais.

O posto de coleta funcionará a partir desta quinta-feira (30), de 8h às 18h, na sede das instituições (Rua Álvares Maciel, 628, Santa Efigênia, Belo Horizonte). Os materiais arrecadados serão encaminhados para o Serviço Social Autônomo (Servas), para a Cruz Vermelha e outras entidades.

De acordo com o novo balanço divulgado pela Defesa Civil, o estado tem 101 municípios em situação de emergência, 38.703 pessoas desalojadas e 8.157 desabrigados. Além de receber as contribuições da comunidade acadêmica, a Dom Helder e a EMGE doarão os móveis que foram substituídos na última reforma dos prédios.

Informações: (31) 2125-8800

Vote e ajude o EcoDom a ganhar o prêmio Cidadania Metropolitana


Votação pela internet fica aberta até segunda-feira (25) (Reprodução)

O Movimento EcoDom, desenvolvido pela Escola de Direito Dom Helder e pela  Escola de Engenharia EMGE, concorre ao prêmio Cidadania Metropolitana – Sociedade Civil, que será entregue na abertura da VII Conferência Metropolitana da RMBH, no dia 28 de novembro. A iniciativa premia entidades públicas e privadas, órgãos públicos, universidades, movimentos sociais, dentre outras organizações que contribuam para a consolidação de um pacto metropolitano na Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH.

A escolha dos vencedores é feita por meio de voto popular online, neste link. O prazo termina nesta segunda-feira (25). Cada eleitor terá direito a apenas um voto, o que será ratificado pelo e-mail cadastrado. Na eventualidade do registro de votos além do permitido, será considerada apenas a primeira opção.

O Movimento EcoDom conta com a participação de 150 escolas da rede pública de educação de Minas Gerais, em convênio com a Secretaria de Estado da Educação. Nessa sexta-feira (23), o projeto encerrou os trabalhos de 2019 com uma caminhada na região Central de Belo Horizonte que reuniu mais de 20 mil estudantes. Somente neste ano, o EdoDom chegou a mais de um milhão de pessoas.

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Mais de 20 mil estudantes caminham em defesa do meio ambiente


Caminhada EcoDom 2019 para Belo Horizonte e levou mensagem de preservação ambiental Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

Belo Horizonte teve grande mobilização em defesa do meio ambiente na manhã desta sexta-feira (22). Mais de 20 mil estudantes, acompanhados pelos seus professores, participaram da VIII Caminhada Ecológica, promovida pelo Movimento EcoDom, celebrando o empenho e as conquistas de projetos de sustentabilidade desse ano. O Movimento EcoDom, da Escola de Direito Dom Helder e Escola de Engenharia EMGE, conta com a participação de escolas da rede pública de educação de Minas Gerais, em convênio com a Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG). O evento contou também com as 61 escolas que disputaram, exclusivamente, o Campeonato Estadual de Matemática (CEM) promovido pela EMGE.

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Munidos com balões, faixas, tambores e bandeiras, os estudantes deixaram a Praça Raul Soares, às 8h30, e seguiram pela Avenida Olegário Maciel até a Praça da Assembleia Legislativa, no Santo Agostinho. A manifestação foi puxada pela fanfarra do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) e parou o Centro de Belo Horizonte. “É muito bonito ver esses jovens com tamanha empolgação e alegria! Temos que nos manifestar mesmo. O meio ambiente agradece”, afirmou a aposentada Maria Helena Costa, que mudou o percurso de suas atividades físicas para acompanhar a caminhada.

Movimento EcoDom realiza último encontro de formação com bolsistas


Após um ano de muito empenho e dedicação, está chegando a hora de encerrar os trabalhos com a Caminhada Ecológica 2019. E, para que saia tudo bem, o movimento conta com a colaboração dos bolsistas junto às escolas parceiras. Nos dias 4 e 5 de novembro, foram realizados os últimos encontros de formação deste ano, especificamente para deliberações sobre a caminhada.

Os encontros contaram com a presença dos nucleadores, cada um no seu dia, e de um convidado especial: Marco Piquini, responsável pela comunicação externa do EcoDom. O convidado levou algumas palavras de motivação aos bolsistas, que muito têm a aprender com o trabalho realizado no projeto.

Vale lembrar que o bolsista, aluno da Dom Helder Escola de Direito ou Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE), é a peça-chave que liga o movimento às escolas. É com a colaboração deles que as equipes conseguem elaborar seus trabalhos, tarefas e atividades relacionadas ao EcoDom. Sem a presença destes alunos nas escolas, com certeza o projeto não seria o mesmo.

É por este motivo que a última formação foi dedicada à capacitação dos bolsistas para com a caminhada. Eles devem estar informados e preparados para ajudar as escolas antes, durante e depois do evento, não os deixando na mão. Dessa maneira, repassar informações e realizar os itens necessários para a participação da escola na caminhada é essencial. (Veja o edital e a tarefa da Caminhada Ecológica na plataforma do Movimento EcoDom).

Além disso, a participação efetiva do bolsista no projeto garante a ele a permanência da sua bolsa de estudos na Dom Helder e EMGE, bem como um grande aprendizado sobre a relação com o outro, uma vez que nos dias de hoje, cada vez mais automatizado, as relações humanas estão sendo um diferencial.

Portanto, após muito trabalho, o Movimento EcoDom agradece a colaboração dos bolsistas e deseja que todos permaneçam no projeto em 2020. A Caminhada Ecológica encerra o ano premiando todos que se destacaram no movimento com ajuda destes estudantes.

A caminhada acontece no dia 22 de novembro, às 9h, com concentração a partir das 7h30 na Praça Raul Soares. O cortejo sairá da praça e irá percorrer a Av. Olegário Maciel até a Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde acontecerão as finais do Projeto Socioambiental, Pegada Ambiental, Concurso de Fotografia Garota e Garoto EcoDom e Festival de Dança EcoDom.

Bárbara Teixeira – Equipe EcoDom

Não podemos demonizar o agronegócio, defende especialista


Lavouras devem faturar R$ 391,8 bilhões em 2019. (Reuters)

Patrícia Azevedo

Responsável por 22% das riquezas geradas por ano no país, o agronegócio deve alcançar neste ano um faturamento de R$ 391,8 bilhões na área de lavouras e de R$ 186,3 bilhões em pecuária, segundo dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os números são semelhantes aos de 2018, quando o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) chegou a R$ 578,2 bilhões, reforçando a importância do segmento para a economia brasileira. Ao mesmo tempo, muitas empresas ainda desrespeitam a legislação e exploram o meio ambiente de forma predatória, agravando problemas como o desmatamento, a perda da biodiversidade e a contaminação do solo, inclusive em áreas de preservação, como a Amazônia.

“Nós temos uma visão negativa do agronegócio pela forma como ele é realizado atualmente – em larga escala, com muitos agrotóxicos. Mas não precisa ser assim. Se você coloca regras e estabelece formas para trabalhar, quem garante que ele não vai cumprir a perspectiva do bem viver? Ou mesmo contribuir para a economia solidária”, apontou Maraluce Maria Custódio, da Dom Helder Escola de Direito. Na terça-feira (29), a professora coordenou a apresentação de trabalhos científicos sobre o tema na 4ª Semana de Estudos Amazônicos (Semea), que prossegue até sexta-feira (1º), em Belo Horizonte.

Para mudar o atual cenário, Maraluce defendeu a criação de políticas públicas e um pensamento social sobre a atividade. Como exemplo, citou a defesa do bem-estar dos animais de produção e interesse econômico, prevista pela Lei de Política Agrícola, pelo Decreto 9.013/2017 e por uma série de Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “São regulamentações muito pesadas nesse sentido”, avaliou. A professora citou também o uso de agrotóxicos, previsto pela Lei 7.802/1989. “O texto não estabelece quantidade de agrotóxicos, mas fala como eles devem ser utilizados. Não é qualquer um, de qualquer forma. Por mais que novos agrotóxicos sejam liberados, há uma preocupação em relação a isso. Mas obviamente faltam políticas públicas”, ponderou Maraluce.

Alerta

As próprias associações e entidades do agronegócio começam a perceber que o futuro da atividade depende da preservação do meio ambiente no Brasil. Em setembro deste ano, 11 entidades brasileiras, entre elas o grupo do setor de carne bovina Abiec, assinaram uma campanha para pedir o fim do desmatamento em terras públicas. O texto também exige a proteção de áreas de conservação no país e a criação de uma força-tarefa do Ministério da Justiça para resolver conflitos por terras públicas de floresta.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas têm potencial para prejudicar o agronegócio porque afetam diversos fatores ambientais de grande influência sobre a atividade agrícola. O principal deles é o regime de distribuição das chuvas – apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas. Com o desmatamento e o aumento das temperaturas, fatores como umidade, qualidade do solo, polinizadores e pragas serão afetados.

Professora Maraluce Maria Custódio, da Dom Helder.
Professora Maraluce Maria Custódio, da Dom Helder

“O problema é: nós achamos que proteção do meio ambiente e o desenvolvimento social são incompatíveis com o desenvolvimento econômico. E entre os três, o Brasil tem optado só pelo último, esquecendo os outros”, apontou Maraluce. A professora é especialista em Direito Ambiental e Geografia e concedeu entrevista ao Dom Total durante o Semea. Confira:

Como podemos conciliar o agronegócio com a economia solidária e o bem viver?

Nós não temos uma noção real de desenvolvimento sustentável no Brasil, nunca tivemos. Nós desenvolvemos essa mentalidade dentro do Direito e da academia, as comunidades têm tentado construir uma economia solidária, mas não conseguimos ainda enxergar isso como uma forma de negócio. Esse é o problema.

Há comunidades inteiras que vivem de forma solidária. Eu me lembro, quando morava na França, uma coisa muito interessante: você tinha um corredor do supermercado que era para produtos da economia solidária. Eu achava bastante louco. Quando eu entrava lá, tinha café do Brasil. Café de uma região de Minas Gerais que eu nunca tinha ouvido falar, e eles exportavam para a França. Isso também é agronegócio, só que feito pela comunidade.

Precisamos trazer a questão do desenvolvimento sustentável e pensar as três dimensões: a econômica, a social e a ambiental. Sempre falo: o problema é que as pessoas confundem as coisas. A mineração, por exemplo. Ela é necessária, regulamentada, eu tenho como prever e diminuir todos os danos. Um desastre ambiental é outra coisa. O mesmo ocorre com o agronegócio. Não conseguimos viver sem. Só precisamos trazer essas atividades para o desenvolvimento sustentável, não ignorá-las.

O defensor público Johny Fernandes Giffoni, também palestrante da Semea, apontou que o atual governo tem deslegitimado as ações dos órgãos de controle socioambiental. Lembrou também a diminuição do orçamento da Funai, Ibama e ICMBio, entre outros. As ameaças ao desenvolvimento sustentável aumentaram?

O uso de agrotóxicos, por exemplo, não é uma política que vem de agora. Foi o governo Lula que liberou os transgênicos, por uma medida provisória, sem nem ouvir a sociedade. Nós temos uma política de ocupação da Amazônia pela agricultura completamente louca, que vem desde o regime militar. Então não é problema do governo atual. Ele tem demonstrado mais claramente essa política, mas ela já existia antes. E caminha dentro da perspectiva de como nós pensamos a construção do Brasil.

Vamos analisar: os índices de pobreza. Não é que eles aumentaram, eles apareceram de forma mais clara. Estão bem mais exacerbados e chocantes, por causa da crise econômica. A questão do meio ambiente. O desenvolvimento do agronegócio no Mato Grosso vem acontecendo há muito tempo e ninguém se importa. O uso de fazendas na Amazônia, bem como a mudança do Código Florestal, no governo anterior, também aconteceram nessa perspectiva. O problema é a forma como nós pensamos.

Sem um sólido desenvolvimento social, a economia não serve para nada. Se não protegermos o meio ambiente – é isso que estamos vivendo, agora. Em Belo Horizonte, os ventos chegaram a uma velocidade de furação no último sábado (26), isso não tem lógica! Em uma cidade como essa, tamanho calor. Tudo está relacionado. Aquela nuvem que veio do Amazonas e que chegou em São Paulo, aquela chuva negra. Precisamos parar de fingir que essas coisas não existem.

Sempre falo: eu não sou hipócrita. Acho que a mineração tem que existir, o agronegócio é possível. Só que é necessário colocar regras e fiscalização. Hoje não mexemos, porque eles garantem desenvolvimento econômico. Temos que para com isso.

Como promover essa mudança?

Temos que colocar em mente que os políticos são trabalhadores. São nossos representantes, funcionários do povo. Parar com isso de todo poderosos. Se nós não damos um direcionamento adequado, claro que a situação não vai mudar. Só que isso ainda é bastante complexo. Nós temos problemas econômicos muito sérios.

Sempre digo aos meus alunos: é muito complexo pensar o mundo quando você está com fome. Quando o seu filho está com fome. Como é que eu vou chegar para o cara que está debaixo da ponte e falar: olha, está ocorrendo uma audiência pública ali, participa! Nós temos que entender que o desenvolvimento social é sim muito importante. Isso não é socialismo. Isso é a economia liberal. Sem mercado, eu não tenho como desenvolver a economia. E sem classe média um país não existe.

Eu estive na Venezuela ainda no estágio anterior a essa confusão, eles já tinham eliminado a classe média. Eles estavam com classe pobre e classe rica. É uma loucura, e por isso chegou a esse colapso. A classe média é importante. As pessoas têm que ser valorizadas, o trabalho também. Reconhecer os sujeitos na sociedade. Isso quem tem que fazer somos nós. Enquanto nós não nos organizarmos, a situação continuará. A academia também tem um papel importante, de se inserir na comunidade como fornecedor de informações confiáveis, do conhecimento científico. Repito: precisamos discutir essas questões, elas fazem parte da nossa vida.

Dom Total

A Sustentabilidade atinge novo patamar na cadeia do café cafeicultura


Luís Fernando Guedes Pinto

 
A Semana Internacional do Café, que acaba de se encerrar, ocorrida em Belo Horizonte, reuniu produtores, torrefadores e diversos outros atores da cadeia produtiva do café e da sua indústria. Durante três dias, o encontro recebeu um grande e diversificado público que teve acesso a uma intensa e ampla programação, da qual eu gostaria de realçar quatro temas.
 
Inicialmente, como de costume, a qualidade do café e sua bebida mantiveram-se com grande importância na programação e na exposição. Do plantio à xícara, o café brasileiro persegue cada vez mais a identidade dos cafés especiais. A variedade de origens e especificidades de grãos e cafés embalados aumenta cada vez mais, na busca pela diferenciação para todos os mercados e expectativas de consumidores.
 
Em segundo lugar, a sustentabilidade foi um tema central, posicionando-se como um complemento à qualidade e também, intencionalmente, um diferencial no mercado internacional. As experiências e casos de sucesso aumentam, enquanto as diversas certificações seguem como uma das principais referências e instrumentos para a inovação, implementação e garantia da tal sustentabilidade social e ambiental; incluindo sistemas públicos, como o Certifica Minas, com mais de 1500 propriedades certificadas, sendo a maioria de pequenos produtores.
 
O aumento das experiências vem acompanhado de uma maior maturidade de produtores e de toda a cadeia sobre as oportunidades e os benefícios da sustentabilidade e certificação, sem expectativas ilusórias de grandes prêmios de mercado, como ocorreu na fase pioneira e de nicho dos certificados. As outras vantagens econômicas, tangíveis e intangíveis, são cada vez mais reconhecidas por produtores. Estudos têm mostrado que o aumento de produtividade, a diminuição de custos e uma maior eficiência têm sido resultados da certificação e da adoção de uma gestão profissional e integrada e que isto tem implicado em vantagens econômicas maiores que os prêmios de mercado.
 
Outro destaque foi a presença e visibilidade cada vez maior de pequenos produtores e agricultores familiares, tanto nos espaços de café de qualidade, quanto de sustentáveis. Afinal, produtores com plantios de até café 20 há de café são responsáveis por 50% da safra brasileira e este grupo começa a participar da espiral de inovação e diferenciação. Projetos coletivos de associações de produtores ou cooperativas de diversas regiões do país estiveram presentes no evento, variando de geografias muito distintas, como do Sul de Minas Gerais, Rondônia e Espírito Santo.
 
Por trás destes casos de sucesso estão eficientes programas de assistência técnica e extensão rural desenvolvidos e oferecidos em diferentes arranjos por organizações como as EMATERs de Minas Gerais, Paraná e Rondônia, INCAPER, Educampo – SEBRAE e SENAR. Estes programas estão diariamente no campo, com técnicos e outros recursos que têm sido o motor da inovação e fortalecimento de pequenos produtores de café e a sua sobrevivência com dignidade e protagonismo em um período que a agricultura brasileira segue se concentrando. Estes casos devem ser multiplicados e inspirar uma nova era para a assistência técnica pública e público-privada no Brasil.
 
Finalmente, o papel das mulheres do café esteve presente em importantes atividades da programação, com casos concretos de liderança na organização no setor. Está em construção a Rede de Mulheres do Café que deve, cada vez mais, evidenciar para a sociedade o protagonismo feminino para a inovação do setor.  
 
Luís Fernando Guedes Pinto é Engenheiro Agrônomo e Gerente do Imaflora.
 
Confira no CaféPoint
 
Fonte: Imaflora

Corredor Ecológico de Belo Horizonte


O primeiro Corredor Ecológico de Belo Horizonte está perto de se tornar realidade –

Por Sabrina Rodrigues

Belo Horizonte, em Minas Gerais, tem um bom motivo para comemorar: em breve ganhará o primeiro Corredor Ecológico da Região Metropolitana. Abrangendo as regiões de Mata da Baleia, Serra do Curral e Serra do Rola Moça, e com uma conexão com a Serra do Gandarela, o corredor terá extensão de aproximadamente 1.500 hectares.

A iniciativa é uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Fundação de Parques Municipais, a Prefeitura de Nova Lima e o Instituto Estadual de Florestas (IEF).

A criação do corredor ecológico objetiva promover conexões entre áreas verdes, os ecossistemas e viabiliza o deslocamento de animais, dispersão de sementes e aumento da cobertura vegetal. “Vamos mapear os locais onde não têm árvores plantadas para que ocorra o reflorestamento e, assim, forme um corredor verde interligando as áreas. as espécies plantadas serão nativas da região”, explicou Karine Paiva, presidente da fundação de Parques Municipais.

Um edital será publicado em janeiro de 2016 para que entidades interessadas na execução do projeto se manifestem. Estuda-se, também, a formação de acordos com a iniciativa privada para a criação de áreas de preservação privadas. “Em algumas partes, os corredores ficam dentro de propriedades particulares. Convidamos essas pessoas a transformar esses espaços em áreas de preservação em troca de isenção de IPTU”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente, Délio Malheiros.

Fonte: http://www.wikiparques.org/o-primeiro-corredor-ecologico-de-belo-horizonte-esta-perto-de-se-tornar-realidade/

Laísa Mangelli

A BHTrans inicia testes com ônibus elétrico


A BHTrans inicia testes com ônibus elétrico nesta terça, dia 22

 
 

A BHTrans inicia, a partir desta terça-feira, dia 22, em caráter experimental, operação de duas linhas do transporte coletivo municipal com ônibus elétrico da empresa BYD do Brasil. O veículo passou por uma vistoria na sexta, dia 18, e inicialmente irá circular nas linhas 5503 A (Goiânia A) e 9105 (Nova Vista/Sion) da Viação Torres, que fazem parte do Consórcio BH Leste.

Durante a vistoria, diretores e técnicos da BHTrans avaliaram aspectos tecnológicos, de segurança e de conforto para os usuários e motoristas. O ônibus que começa a ser testado é 100% elétrico, alimentado por baterias de fosfato de ferro, a mais limpa e segura tecnologia de baterias existentes no mundo e ambientalmente responsável, sem poluição e com emissão zero. Os motores, embutidos nas rodas, proporcionam piso baixo total e manutenção simplificada. O sistema de carga permite o carregamento do veículo total em apenas cinco horas e possui menor custo de manutenção do que o custo de um ônibus diesel.

Apesar dos testes, no momento, não há previsão de incorporação do veículo à frota do transporte coletivo da capital. A tecnologia é chinesa, mas o ônibus elétrico já começa a ser fabricado no Brasil, onde está sendo avaliado em linhas do transporte coletivo das cidades de São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Campinas (SP).

O ônibus elétrico já opera em outros países. A fabricante chinesa foi vencedora de licitação para operar 800 ônibus em Washington, Estados Unidos, e cinco veículos já estão em circulação na famosa frota de Londres. Outros 70 estão em produção para ampliarem sua participação no sistema da cidade de Londres.

 

Fonte: Portal PBH