Ártico experimentou em 2019 seu segundo ano mais quente desde 1900


A costa da Groenlândia, fotografada de uma aeronave da NASA em 30 de março de 2017 (GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP)

Relatório publicado nesta semana afirma que o Ártico experimentou em 2019 seu segundo ano mais quente desde 1900, levando temores sobre o baixo gelo marinho no verão e o aumento do nível do mar.

O Polo Norte está esquentando duas vezes mais rápido que o resto do planeta desde os anos 90, um fenômeno que os climatologistas chamam de amplificação do Ártico, e os últimos seis anos foram os mais quentes da região.

A temperatura média durante o período entre outubro de 2018 e setembro de 2019 foi 1,9 grau Celsius acima da média de 1981-2010, de acordo com o boletim anual da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (Noaa).

A cobertura de gelo marinho no final do verão, medida em setembro de 2019, foi a segunda mais baixa no registro de satélites de 41 anos, junto com os dados de 2007 e 2016, informou o relatório anual.

“O ano de 2007 foi um divisor de águas”, disse Don Perovich, professor de engenharia de Dartmouth e coautor do relatório.

“Em alguns anos há um aumento, em alguns anos há uma diminuição, mas nunca tínhamos retornado aos níveis de antes de 2007”, acrescentou.

O ano até setembro de 2019 foi superado apenas pelo período equivalente em 2015-16 – o mais quente desde 1900, quando os registros começaram.

No mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, os dois últimos invernos registraram uma cobertura máxima de gelo marinho inferior à metade da média de longo prazo.

O gelo também é mais fino, o que significa que os aviões não podem mais pousar com suprimentos para os moradores de Diomede, uma pequena ilha no Estreito de Bering, que agora depende de helicópteros, menos confiáveis.

O gelo espesso também é vital para os habitantes locais que viajam de moto e guardam seus barcos ou caçam focas e baleias.

À medida que o gelo se forma no final do outono, os habitantes ficam isolados a maior parte do ano.

O gelo ancorado ao fundo do mar é cada vez mais raro, e é nesse gelo que pescadores e caçadores armazenam seus equipamentos.

“No norte do Mar de Bering, o gelo marinho costumava estar presente conosco oito meses por ano. Hoje, podemos ver apenas três ou quatro meses com gelo”, escreveram os residentes indígenas em um ensaio incluído no relatório.

Não é apenas o gelo marinho que está recuando, de acordo com o relatório: o gelo na Groenlândia também está derretendo.

Para o resto do mundo, esse derretimento é medido pelo aumento do nível do mar. A cada ano, o derretimento da Groenlândia eleva o nível do mar global em 0,7 milímetros.

AFP

Eleições de 2020 são cruciais para que EUA fique em dia com ação climática


Imagens de satélite de incêndios florestais no Alasca e Canadá (NASA/NOAA/AFP/Arquivos)

Se um democrata partidário de um new deal vencer Donald Trump nas eleições de 2020, os Estados Unidos poderiam reduzir pela metade suas emissões de gases de efeito estufa até 2030 em relação a 2005, a fim de cumprir com os objetivos do Acordo de Paris, segundo o grupo America’s Pledge.

Uma expansão significativa das ações climáticas a nível estadual, municipal e empresarial poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos Estados Unidos em até 37% para 2030 em relação aos níveis de 2005, inclusive sem apoio federal, segundo a projeção publicada pelo grupo na segunda-feira (9).

A eleição de um presidente que promova uma estratégia climática nacional integrada poderá reduzir as emissões em 49% até 2030, em torno dos níveis que os especialistas da ONU consideram necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris, a fim de evitar o aquecimento global.

O America’s Pledge é um grupo fundado em 2017 e financiado pelo magnata Michael Bloomberg, que neste mês anunciou que se candidatará para ser o candidato democrata para as eleições presidenciais de 2020.

Os especialistas climáticos citados no relatório, da Universidade de Maryland e do Rocky Mountain Institute, estimam que os Estados Unidos devem, seguindo a trajetória atual, reduzir as emissões em 25% até 2030 em relação a 2005.

Essa redução seria impulsionada principalmente pelas forças naturais do mercado, que favorecem cada vez mais as energias renováveis e desfavorecem o carvão, assim como as leis nos estados liderados pelos democratas, especialmente na Califórnia e em Nova York.

O melhor dos casos implicaria a eleição de um presidente democrata e uma maioria do congresso que adote um conjunto de leis sobre o setor energético e sobre os veículos, o que possibilitaria ao país alcançar a neutralidade de carbono para 2050.

Os cientistas consideram que é necessário limitar o aquecimento no longo prazo a 1,5 ou 2 graus em relação aos níveis pré-industriais.

“Temos tempo para ficarmos em dia com o objetivo de Paris, mas temos que avançar muito rapidamente”, disse na segunda-feira Carl Pope, vice-presidente da America’s Pledge, aos jornalistas antes da apresentação do relatório na conferência sobre o clima COP25 da ONU em Madri.

“Requer uma mudança revolucionária, mas essa mudança está ocorrendo”, acrescentou Pope.

“Portanto, precisamos de uma reinserção federal, idealmente precisamos dela em 2021, mas não deveríamos nos deter se não obtivermos”.

No sistema federal americano, os estados têm ferramentas para impor energias renováveis na produção local de eletricidade, por exemplo. Mas áreas muito importantes permanecem nas mãos do poder federal: normas automotivas, aviação, transporte marítimo, oleodutos, perfuração de hidrocarbonetos em terras federais, setor de energia e regulamentos para indústrias.

AFP

Greenpeace faz alerta sobre ‘emergência climática’ à sede da reunião europeia


Bombeiros evacuam ativistas do Greenpeace que penduraram o grande banner com o slogan ‘Emergência climática’ na fachada do prédio do Conselho Europeu, em Bruxelas (AFP)

A polícia belga retirou quase 30 ativistas de Greenpeace da sede do Conselho Europeu, horas antes de uma reunião de cúpula de governantes da União Europeia (UE), para chamar a atenção sobre a “emergência climática”. Os ativistas se posicionaram na fachada do edifício Europa, onde exibiram faixas com o lema “emergência climática” e acenderam sinalizadores para simular um edifício em chamas.

Os agentes de segurança iniciaram uma operação para retirar os ativistas e vários deles foram detidos, informou Ilse Van De Keere, porta-voz da polícia de Bruxelas. O Greenpeace driblou a segurança do Conselho Europeu há 10 anos, em dezembro de 2009, para exigir ações da UE na reunião de cúpula da ONU que seria organizada poucos dias depois em Copenhague.

O protesto acontece em um momento chave para a política ambiental da União Europeia (UE). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou na quarta-feira seu “Pacto Verde”, uma “nova estratégia de crescimento”. Os líderes europeus devem superar as divergências para apoiar o pilar do Pacto Verde: alcançar a neutralidade de carbono no bloco até 2050.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que espera um acordo para transformar a UE no “primeiro continente neutro” a respeito das emissões de CO2, uma das principais causas da mudança climática. “A transição trará importantes oportunidades, como o potencial de crescimento econômico, de novos modelos empresariais e mercados, de novos postos de trabalho”, afirma um rascunho da declaração.

A transição para economias e sociedades mais verdes, no entanto, ainda não convenceu países como República Tcheca, Hungria e Polônia, muito dependentes de energias fósseis e que pedem garantias em troca da mudança.

Para convencer os países mais relutantes, a presidente da comissão propôs a criação de um mecanismo de transição justo, que permita o uso de recursos públicos e privados de até 100 bilhões de euros entre 2021 e 2027.

O primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, pediu na quarta-feira à UE para assumir os custos “astronômicos” da transição climática em seu país e defendeu que a energia nuclear seja considerada uma energia “limpa” no bloco.

Os 28 países do bloco estão de fato divididos se devem considerar o setor nuclear, que será um dos elementos do debate, uma energia verde e, portanto, suscetível de receber subsídios e isenções fiscais.

O vice-presidente da Comissão para o Pacto Verde, Frans Timmermans, entrou na discussão e afirmou que, apesar da energia nuclear “não ser sustentável (…) tampouco tem emissões de dióxido de carbono”.

O plano para a descarbonização da economia europeia aumenta os temores sobre a situação social e do mercado de trabalho em vários países da Europa, sobretudo na região leste do continente, que já enfrentam os desafios da globalização e da revolução digital da economia.

O Marco Financeiro Plurianual (MFP) para o período 2021-2027 será o outro duro debate da reunião. Alguns líderes desejam desvincular o tema da questão climática, mas os dois temas devem ser contemplados em conjunto. “Será uma grande disputa, esta é uma questão muito complicada”, advertiu uma fonte diplomática.

AFP

Manifestação contra a mudança climática na Austrália


Cerca de 20.000 manifestantes protestam em Sydney exigindo ação climática urgente do governo da Austrália, já que a fumaça de um incêndio que sufocava a cidade fez com que os problemas de saúde aumentassem (AFP)

Cerca de 20 mil pessoas pediram, nesta quarta-feira, ao governo de Sydney que tome medidas urgentes para combater as mudanças climáticas, num momento em que a capital experimenta picos de poluição relacionados aos incêndios florestais.

Sydney está envolvida há semanas numa névoa de fumaça tóxica ligada a centenas de incêndios que assolaram o leste da Austrália.

Na semana passada, os hospitais da maior cidade do país registraram um aumento de 25% nas internações de emergência.

Na terça-feira, a fumaça acionou os detectores de incêndio em toda a megalópole e os edifícios tiveram que ser evacuados.

Algumas conexões de balsa foram canceladas e, durante o recreio, os alunos tiveram que ficar dentro das escolas.

Esses incêndios devastadores evidenciaram a questão da mudança climática. Os cientistas acreditam que este ano aconteceram particularmente cedo e têm sido intensos devido à seca prolongada e ao aquecimento global.

A manifestação desta quarta-feira reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo a polícia, cerca de 20 mil, de acordo com os organizadores.

“O país está pegando fogo”, explicou Samuel Wilkie, de 26 anos, que participou pela primeira vez em uma manifestação contra o aquecimento global. Segundo ele, a resposta dos políticos é “patética”.

“Nosso governo não faz nada a respeito”, lamentou Zara Zoe, paisagista de 29 anos.

O primeiro-ministro Scott Morrison, fervoroso defensor da indústria de mineração, não falou muito sobre as fumaças tóxicas, preferindo se concentrar nos municípios rurais afetados pelas chamas.

A fumaça dos incêndios florestais é uma das principais causas da poluição atmosférica na Austrália.

Libera partículas finas que podem se alojar profundamente nos pulmões e ter, a longo prazo, consequências “sérias” para a saúde, segundo o cientista Mick Meyer, do CSIRO, um organismo de pesquisa científica financiado pelo governo.

“Na maioria das pessoas, causa sintomas leves”, disse Richard Broome, diretor do Departamento de Saúde. “No entanto, em pessoas com asma, enfisema e angina de peito podem desencadear sintomas”, acrescentou.

AFP

Ativistas marcham nesta sexta em Madri para pressionar líderes da COP25


Ativistas da rebelião da extinção estão nas ruas de Madri protestando, mas a marcha principal acontece na sexta-feira (AFP/Arquivos)

Milhares de ativistas de todo mundo vão marchar nesta sexta-feira (5), em Madri, para exigir uma ação urgente diante da crise climática dos líderes reunidos na COP25, a conferência anual da ONU sobre o clima.

À margem da cúpula, a manifestação em Madri será a principal, embora outra também esteja marcada em Santiago do Chile. O presidente Sebastián Piñera desistiu de sediar a reunião das Nações Unidas em razão da revolta social que abala o país.

Sob o lema “o mundo acordou para a emergência climática”, a marcha de Madri começará na estação de Atocha às 18h (14h de Brasília).

Símbolo da luta pelo meio ambiente desde que lançou, em agosto de 2018, sua “greve escolar” que impulsiona o movimento global “Sexta-feira pelo futuro”, Greta Thunberg estará presente. A jovem sueca dará uma conferência às 16h30 (12h30 de Brasília).

Sem viajar de avião, devido a seu impacto ambiental, Greta foi de veleiro participar de uma cúpula da ONU sobre o clima em Nova York e depois para a COP25 anunciada no Chile. Com a mudança de local, teve que pegar uma catamarã para fazer o caminho inverso.

Depois de três semanas no mar, a ativista de 16 anos chegou a Lisboa e, de lá, seguiu para Madri.

O ator espanhol Javier Bardem, ativista climático, também participará do protesto, que incluirá discursos e eventos musicais e culturais.

Conferência paralela

“Sabemos que será grande. Esperamos centenas de milhares pedindo ações urgentes”, disse um porta-voz da mobilização, Pablo Chamorro.

A marcha de sexta-feira quer ser um “grande momento global”, afirmou Estefanía González, porta-voz da Sociedade Civil para Ação Climática (SCAC), que representa mais de 150 grupos chilenos e internacionais.

“Venho do Chile, um país onde um abacateiro tem mais direito à água do que uma pessoa”, criticou.

Em função da desigualdade social e econômica, a crise no Chile está “diretamente relacionada à crise ambiental”, apontou González, referindo-se aos maiores protestos no país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há quase 30 anos.

“Hoje, a ação climática se traduz em equidade social. Não é possível ter equidade social sem a equidade ambiental”, afirmou o ativista.

A SCAC é um dos organizadores da Cúpula Social para o Clima, uma conferência paralela à COP25 que vai durar uma semana, a partir deste sábado, e incluirá centenas de eventos e workshops.

Grupos indígenas terão presença garantida, pois são “os primeiros afetados pelas mudanças climáticas”, nas palavras de Juan Antonio Correa, do coletivo Minga Indígena.

“As práticas tradicionais e históricas e o relacionamento que os povos indígenas têm com a Mãe Terra são uma alternativa e é a maneira pela qual toda a sociedade moderna pode lidar com essa crise climática”, completou.

No manifesto da marcha, os convocadores enviam uma mensagem clara aos representantes dos quase 200 signatários do Acordo de Paris reunidos até 13 de dezembro em Madri.

“Exigimos que os governos participantes da COP25 reconheçam que a atual inação climática e a ambição insuficiente que refletem os compromissos mais ambiciosos dos países nos levarão a um aquecimento global desastroso por toda vida”, disseram.

AFP

Líderes da UE buscarão neutralidade climática até 2050, mostra documento


A nova comissão, liderada pela alemã Ursula von der Leyen, espera um aumento da meta para pelo menos 50% (Ueslei Marcelino/Reuters)

BRUXELAS – Líderes da União Europeia irão se reunir em Bruxelas na semana que vem e irão pressionar para o estabelecimento de um acordo que reduza ao “zero líquido” as emissões de gases do efeito estufa do bloco até 2050, mostrou um esboço do comunicado conjunto do grupo nesta segunda-feira, anunciando uma luta amarga no horizonte da próxima semana.

A cúpula que será realizada nos dias 12 e 13 de dezembro com os líderes nacionais do bloco terá como meta apoiar “o objetivo de atingir a neutralidade climática até 2050”, de acordo com o documento visto pela Reuters.

Tentativas anteriores, no entanto, foram bloqueadas pela Polônia, Hungria e República Tcheca, cujas economias dependem de carvão poluente. Em outras oportunidades, esses países já votaram contra a neutralidade do clima até 2050 por medo de que os cortes nas emissões possam prejudicar suas economias.

Buscando convencer o campo relutante, as linhas gerais do documento fazem referência a uma “transição justa e socialmente equilibrada”, anunciam a liberação de 1 trilhão de euros para investimentos verdes por parte do Banco Europeu de Investimentos até 2030, e ressaltam a necessidade de garantir segurança energética e competitividade diante de potências estrangeiras que não estejam buscando tais objetivos climáticos.

O documento, preparado de antemão para as discussões entre os líderes pode mudar. Mas irá eventualmente precisar do apoio de todos os líderes nacionais da UE para que saia um acordo na conferência.

A nova Comissão Europeia do bloco também visa incentivar a neutralidade climática até o meio do século e quer tornar as metas climáticas da UE para 2030 ainda mais ambiciosas.

As metas atuais preveem a redução de gases do efeito estufa em 40% até 2030, a partir dos níveis de 1990. A nova comissão, liderada pela alemã Ursula von der Leyen, espera um aumento da meta para pelo menos 50%.

Gabriela Baczynska / Reuters

Concentração de gases do efeito estufa bate recorde em 2018, diz ONU


As emissões de CO2 são responsáveis por cerca de dois terços do aquecimento da Terra (AFP)

A ONU anunciou que os principais gases do efeito estufa, que provocam a mudança climática, registraram um recorde de concentração em 2018, com a advertência de que “não há indícios de desaceleração visíveis”. O alarme foi divulgado poucos dias antes do início da reunião anual da ONU sobre a luta contra a mudança climática, a COP25, de 2 a 13 de dezembro em Madri.

“Não há indícios de que vai acontecer uma desaceleração, e muito menos uma redução, da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre a mudança climática”, destacou o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas, por ocasião da publicação do boletim anual sobre concentrações de gases do efeito estufa.

O documento não leva em consideração as quantidades de gases do efeito estufa expelidas na atmosfera, e sim as que permanecem nela, já que os oceanos absorvem quase 25% das emissões totais, assim como a biosfera, a qual pertencem as florestas.

De acordo com os cientistas, o dióxido de carbono (CO2), que está associado às atividades humanas e que constitui o principal gás do efeito estufa que permanece na atmosfera, bateu um novo recorde de concentração em 2018, de 407,8 partes por milhão (ppm), ou seja, 147% a mais que o nível pré-industrial de 1750.

“Cabe recordar que a última vez que a Terra registrou uma concentração de CO2 comparável foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás. Na época, a temperatura era de 2 a 3 graus mais quente e o nível do mar era entre 10 e 20 metros superior ao atual”, afirmou Taalas em um comunicado.

Crescimento mais rápido

Além disso, a OMM destacou que o aumento anual da concentração de CO2, que persiste durante séculos na atmosfera e ainda mais tempo nos oceanos, foi superior à taxa de crescimento média dos últimos 10 anos.

De acordo com as observações dos cientistas, as concentrações de metano (CH4), que aparece em segundo lugar entre os gases do efeito estufa com maior persistência, e de óxido nitroso (N2O) também aumentaram mais que a média anual da última década.

O metano, cujas emissões são provocadas em 60% pela atividade humana (gado, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros etc.), e o óxido nitroso, com 40% das emissões de origem humano (fertilizantes, processos industriais…), também alcançaram níveis máximos de concentração. O óxido nitroso, além disso, tem um forte impacto na destruição da camada de ozônio, que filtra os raios ultravioleta.

Diante da emergência climática, os países se comprometeram, em 2015 em Paris, a adotar planos de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas as emissões mundiais não param de crescer.

Petteri Taalas pediu aos países a “cumprir os compromissos em ação e aumentar o nível de ambição em nome do bem-estar futuro da humanidade”. No início de novembro, no entanto, o governo dos Estados Unidos oficializou a saída do acordo de Paris.

Os quatro maiores emissores de gases do efeito estufa – China, Estados Unidos, União Europeia e Índia – representam 56% das emissões globais. Apenas a UE (9% do total) está a caminho de cumprir, ou até superar, seus objetivos, de acordo com um estudo recente da ONG americana Fundação Ecológica Universal (FEU-US).

AFP

Mudança climática é considerada culpada por desastres pelo mundo


Fogo atinge propriedade a cerca de 350km de Sydney, na Austrália (Peter Parks/AFP)

Inundações violentas em Veneza, incêndios na Austrália e até um surto de peste na China foram atribuídos à mudança climática nesta semana. Pesquisadores alertaram que o aquecimento global pode sujeitar as futuras gerações a doenças de longa duração.

Veneza declarou um estado de emergência na quarta-feira depois que inundações “apocalípticas” varreram a cidade, alagando sua basílica histórica, praças e edifícios de centenas de anos. “Este é o resultado da mudança climática”, disse o prefeito Luigi Brugnaro no Twitter.

As vias de circulação da cidade se transformaram em correntezas furiosas, balaústres de pedra foram derrubados, barcos foram lançados nas margens e gôndolas foram esmagadas em seus ancoradouros quando a elevação das águas atingiu o pico de 187 centímetros.

Essa foi a maior inundação desde o recorde de 194 centímetros de 1966, mas o nível da elevação das águas está se tornando uma ameaça frequente para a joia turística. “Veneza está de joelhos”, disse Brugnaro. “Os danos chegarão às centenas de milhões de euros”.

Do outro lado do mundo, partes da Austrália vêm sendo devastadas por incêndios florestais nesta semana. Quatro pessoas morreram, e comunidades inteiras foram forçadas a fugir das chamas.

Desde 2016, setores do norte e do interior de Nova Gales do Sul, assim como o sul de Queensland, estão sujeitos a uma seca que a Agência de Meteorologia disse estar sendo provocada, em parte, pelas temperaturas mais elevadas na superfície do mar, que afetam os padrões de chuva.

As temperaturas atmosféricas também aumentaram ao longo do século passado, intensificando a ferocidade de secas e incêndios. Mas as ligações entre a mudança climática e eventos climáticos extremos criou uma desavença política na Austrália.

O governo, que apoia a indústria carvoeira, aceita a necessidade de cortar emissões, mas argumenta que ações ambientais mais severas prejudicariam sua economia.

Já na China, autoridades de saúde relataram um surto raro de peste pneumônica depois que dois casos foram confirmados nesta semana em Pequim.

As duas vítimas foram infectadas na província da Mongólia Interior, onde as populações de roedores aumentaram dramaticamente depois de secas persistentes agravadas pela mudança climática, disse a mídia estatal.

Reuters

Emissões de gases de efeito estufa subiram 1,6% ao ano entre 2008 e 2017


Com as políticas atuais em vigor, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3,5 °C neste século. Foto: PNUMA

A ONU Meio Ambiente divulgou no fim de setembro (22) uma retrospectiva de dez anos de seu Relatório de Emissões — uma publicação que compara os níveis de emissão de gases de efeito estufa para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

O mundo parece ter passado a última década fazendo exatamente o oposto do que deveria. Apesar dos avisos nos relatórios anuais, as emissões de gases de efeito estufa cresceram a uma média de 1,6% ao ano entre 2008 e 2017. De fato, essas emissões são agora quase exatamente o que os primeiros relatórios projetavam para 2020 se o mundo não alterasse seus modelos de crescimento insustentáveis e poluentes.

Com as políticas atuais em vigor, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3,5°C neste século, em comparação com os níveis pré-industriais. Isso está muito além dos objetivos do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, ou pelo menos bem abaixo de 2°C.

Se este mundo mais quente se concretizar, todas as previsões de impactos climáticos catastróficos se tornarão realidade. Elevação do nível dos mares, eventos climáticos extremos e danos incalculáveis ​​às pessoas, prosperidade e natureza.

“A última década não trouxe a queda nas emissões de gases de efeito estufa que queríamos, isso é verdade. Mas, de várias maneiras, estamos em um lugar melhor do que há dez anos”, afirmou a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen.

“Grandes avanços na conscientização, na tecnologia e na vontade de agir significa que agora estamos prontos para reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa”, acrescentou.

Uma plataforma para ação

O resumo de dez anos apresenta uma série de desenvolvimentos encorajadores que ocorreram: o foco político na crise climática é o mais alto de todos os tempos, inclusive por meio do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, e os eleitores e manifestantes, principalmente os jovens, estão deixando cada vez mais claro que a crise climática é a prioridade número um.

Cidades, regiões e empresas não estão esperando imposições de governos centrais. Cerca de 7.000 cidades de 133 países, 245 regiões de 42 países e 6.000 empresas com receita de pelo menos 36 trilhões de dólares se comprometeram a reduzir suas emissões.

Além disso, a tecnologia para reduzir de forma rápida e econômica as emissões melhorou significativamente. A energia renovável é um exemplo. Crescimento explosivo significa que a energia limpa evitou a emissão de aproximadamente 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2017, pois forneceu cerca de 12% do suprimento global de eletricidade. A instalação de tecnologias agora está mais barata do que nunca.

Tudo isso é um progresso fantástico, mas não chega perto do suficiente. De acordo com o resumo dos dez anos, as nações devem pelo menos triplicar o nível de ambição refletido em suas promessas climáticas sob o Acordo de Paris — conhecidas como contribuições nacionalmente determinadas ou NDCs — para alcançar a meta de um mundo abaixo de 2°C. Devem aumentar a ambição pelo menos cinco vezes para a meta de 1,5°C.

Será crucial uma ação forte dos membros do G20, que juntos representam 80% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Essa ação ainda não foi vista, de acordo com um capítulo preliminar do Emission Gap Report, que foca nas maneiras pelas quais o G20 pode aumentar a ambição climática.

Opções para cortes rápidos nas emissões são abundantes

No entanto, como revelam o resumo e o capítulo preliminar, o G20 e outras nações têm dezenas de opções para cumprir as metas de Paris. Ao usar apenas tecnologias comprovadas, o mundo poderia cortar 33 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano até 2030. Isso é mais da metade das emissões globais anuais de gases de efeito estufa atuais. É mais do que suficiente para permanecer no caminho para o objetivo de 1,5 °C.

Cerca de dois terços desse potencial estão disponíveis em áreas onde um rápido progresso é possível: energia solar e eólica, aparelhos eficientes, automóveis de passageiros eficientes, reflorestamento e interrupção do desmatamento. Apenas uma fração desse potencial é capturada em compromissos nacionais sob o Acordo de Paris.

E ainda há muitas outras oportunidades.

O fim dos subsídios aos combustíveis fósseis reduziria as emissões globais de carbono em até 10% até 2030. A redução de poluentes climáticos de curta duração — como fuligem e metano — pode reduzir as temperaturas rapidamente, pois estes não permanecem na atmosfera da mesma maneira que o dióxido de carbono.

Além dessas iniciativas, a Emenda Kigali ao Protocolo de Montreal é um compromisso internacional de reduzir o uso de gases com alto potencial de causar aquecimento, conhecidos como HFCs, na indústria de refrigeração. Esta alteração pode resultar em até 0,4 °C de redução no aquecimento. Se a indústria melhorar a eficiência energética ao mesmo tempo, poderá dobrar os benefícios climáticos.

Mais uma década sem cortes significaria desastre

Em novembro, a ONU Meio Ambiente publicará a décima edição do Emission Gap Report. Ele detalhará o tamanho dos cortes anuais de emissões necessários para permanecer no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris. Isso informará os negociadores dos países que se reunirão para a próxima rodada de negociações climáticas sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC).

Já sabemos que esses cortes terão de ser significativos. Todo ano de ação atrasada significa que os cortes se tornam maiores, mais caros e mais impraticáveis. Se chegarmos a 20 anos de Emission Gap Report e as emissões ainda não tiverem caído, o mundo enfrentará um desastre. Simplesmente não podemos dispor de mais uma década perdida.

Na Cúpula de Ação Climática, nas negociações climáticas de dezembro em Santiago do Chile, em todos os escritórios do governo, salas de diretoria, empresas e residências todos os dias, precisamos fazer muito mais a respeito da questão climática para garantir a segurança de gerações futuras, alertou a ONU Meio Ambiente.

A agência das Nações Unidas divulgou o resumo de dez anos na Cúpula de Ação Climática da ONU como parte de um pacote que analisa os avanços na ciência climática. O capítulo preliminar do G20 foi lançado de forma independente como mais uma contribuição para a Cúpula.

Para saber mais, visite https://www.unenvironment.org/pt-br/resources/preenchendo-lacuna-aumentando-ambicoes-de-mitigacao-e-acoes-em-nivel-global-e-do-g20

ONU News

Obama pede ação contra mudança climática


Uma palmeira em uma área de carvão fóssil queimada na Indonésia. Na agenda da UICN há moções que incluem mitigar seu impacto na biodiversidade. Foto: Cortesia de Wetlands International

Uma palmeira em uma área de carvão fóssil queimada na Indonésia. Na agenda da UICN há moções que incluem mitigar seu impacto na biodiversidade. Foto: Cortesia de Wetlands International

Barack Obama, destacou a urgência de se enfrentar a mudança climática, em um discurso aos líderes dos Estados insulares do Pacífico, no Havaí,seu Estado natal.

Por Guy Dinmore, da IPS – 

Honolulu, Estados Unidos, 2/9/2016 – “Nenhum país, nem mesmo um tão poderoso como os Estados Unidos, está imune à mudança climática”, ressaltou o presidente dos Estados Unidos – Barack Obama, no dia 31 de agosto, na Conferência de Líderes das Ilhas do Pacífico, no Centro Leste-Oeste da Universidade do Havaí.

O mar “já engole aldeias” no Alasca e as geleiras derretem a um ritmo “sem precedentes”, recordou o mandatário. Ao destacar os esforços de seu governo para combater a mudança climática com políticas energéticas, afirmou que “não há conflito entre uma economia saudável e um planeta saudável”.

A ameaça incomum que se abateu esta semana sobre o Havaí, por meio de dois furacões que se aproximavam, realçou a mensagem do presidente justamente quando esse Estado insular recebe o Congresso Mundial da Natureza, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Cerca de 8.300 delegados de mais de 180 países participam desse encontro, entre eles chefes de governo e de Estado, organizações e empresários.

Entretanto, as reiteradas advertências de Obama em matéria de mudança climática foram ignoradas pela mídia nacional, totalmente voltada à eleição de seu sucessor e concentrada nas declarações sobre imigração do candidato do opositor Partido Republicano, Donald Trump, no México. Nesse contexto, as advertências de tempestade ocuparam lugar somente nos informes sobre o clima.

A UICN informou que Obama não participaria da cerimônia de abertura do Congresso em Honolulu, mas previa visitar as ilhas Midway em sua primeira viagem ao maior santuário marinho do mundo, bastante ampliado pelo decreto do executivo da última semana de agosto. Depois, o presidente partirá para a China, para o encontro do Grupo dos 20 (G-20) países industrializados e emergentes.

Obama quadruplicou o tamanho do Monumento Nacional Marinho de Papahanaumokuakea para mais de 582 mil milhas quadradas de terra e mar no entorno das ilhas de Sotavento, no noroeste dessa ilha. O santuário foi criado durante o governo de George W. Bush (2001-2009) e as autoridades da UICN esperavam que a escolha do Havaí como sede do Congresso, que acontece a cada quatro anos, permitiria a Obama ampliar o alcance da decisão de Bush em seu Estado Natal.

A aposta deu resultado, mas a escolha de Honolulu não esteve livre de controvérsia, pois os membros da UICN se mostraram descontentes com a pegada de carbono dos milhares de delegados que tiveram que voar e percorrer longas distâncias até chegarem a essa cidade. Um pequeno grupo de manifestantes também cobrou dos Estados Unidos a remoção das bases militares do Havaí.

A UICN considera o Congresso como “o maior e mais inclusivo fórum de decisões do mundo em matéria ambiental”, que procura definir o caminho a seguir para a conservação da natureza nos próximos anos.“O Congresso fixará o rumo a ser percorrido para soluções baseadas na natureza, a fim de tirar milhões de pessoas da pobreza, criando uma economia mais sustentável e restabelecendo uma relação saudável com nosso planeta”, ressaltou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim

Por sua vez, o ministro das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou: “Estamos todos juntos nisso. É hora de sermos audazes. É hora de agir. Não há tempo a perder, por isso vamos fazer com que no Havaí valha a pena”.Sob o lema Planeta na Encruzilhada, o Congresso busca destacar que a conservação da natureza e o progresso humano não são um jogo de soma zero.

“Existem opções factíveis e acessíveis que podem promover o bem-estar geral, ao mesmo tempo apoiando e ampliando os valores naturais do planeta”, segundo a UICN, que reúne 1.300 organizações.Entre os principais assuntos em debate no encontro, destacam-se tráfico de vida silvestre, conservação dos oceanos, soluções baseadas na natureza para mitigação e adaptação ao aquecimento global, e investimento privado na conservação.

“Espera-se a adoção de cem moções nesse congresso ambiental único de governos e ONGs, que depois se tornarão resoluções ou recomendações da UICN, e que chamarão terceiros a tomarem medidas”, afirmou a entidade.As moções da agenda incluem promover a conservação da diversidade biológica em áreas fora de toda jurisdição nacional, mitigar os impactos da expansão da palma na biodiversidade, terminar com o uso do chumbo nas munições, proteger as florestas primárias e antigas, bem como as áreas de grande biodiversidade, das danosas atividades industriais e do desenvolvimento de infraestrutura em grande escala.

Além disso, no dia 4, o Congresso divulgará uma atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, considerada a maior fonte de informação sobre o status da conservação da flora e da fauna mundiais. E, no dia seguinte, será publicado um informe sobre Alerta de Oceanos.Dois delegados europeus, que pediram para não serem identificados, disseram que o debate e a pressão nos bastidores podem chegar a ser intensos, pois os governos e os empresários buscam proteger seus estreitos interesses dos grupos ambientalistas de pressão. Envolverde/IPS

Fonte: Envolverde