Pesquisa mostra que empresas estão dando mais valor à sustentabilidade


Levantamento com 3.344 executivos de diversos países destaca que 64% estão racionalizando o uso da energia em suas companhias, 63% trabalham para reduzir os resíduos e 59% se preocupam com sua reputação com relação à sustentabilidade.

 

A sustentabilidade já é um assunto abordado pelo setor empresarial há um bom tempo, e uma nova pesquisa realizada pela consultoria McKinsey & Company Global com líderes corporativos afirma que esse conceito está se tornando uma parte cada vez mais estratégica e integrada às companhias, apesar de algumas dificuldades em adotar plenamente práticas de sustentabilidade.

Intitulada Sustainability’s Strategic Worth (Valor Estratégico da Sustentabilidade), a pesquisa foi realizada com base nas respostas de 3.344 representantes do setor corporativo de diversas regiões, indústrias, empresas e especialidades, e revelou que a principal razão pela qual os executivos buscam a sustentabilidade, com 43% dos votos, é alinhar esse conceito com suas metas, missões e valores empresariais. Em 2012, última edição da pesquisa, esse índice era de 30%.

Segundo a consultoria, nas últimas versões do estudo, a maioria dos respondentes, quando questionados sobre as razões das companhias para buscar a sustentabilidade, citava o corte de custos e a gestão da reputação das firmas.

Já na última edição, a gestão de reputação ficou em segundo lugar como a razão mais popular, citada por 36% dos executivos (em 2012 foram 35%), e o corte de custos ficou com 26%, uma grande redução em comparação com os 36% de 2012.

“Uma razão para a mudança pode ser os próprios líderes das companhias acreditarem que a questão é mais importante. Os CEOs estão duas vezes mais propensos que eram em 2012 a dizer que a sustentabilidade é sua principal prioridade. Uma parte maior de outros executivos também colocam a sustentabilidade como um dos três principais itens da agenda de seus CEOs”, elucidaram Sheila Bonini and Anne-Titia Bové, que desenvolveram a análise da pesquisa.

O número de CEOs que citaram a sustentabilidade como principal prioridade quase triplicou para 13% em 2014 com relação aos 5% de 2012. Contudo, o número de executivos líderes que citaram a sustentabilidade como uma das três principais prioridades caiu de 37% para 36% no mesmo período. O número de outros executivos que veem a sustentabilidade como uma das três principais prioridades aumentou de 24% para 32%.

Desafios

Bonini e Bové afirmaram também que, com a sustentabilidade aumentando em significância, entender todo o seu valor se tornou mais desafiador – em parte pelo fato de que, quanto mais as companhias priorizam a sustentabilidade, mais o conceito precisa ser integrado aos negócios, o que pode levar a mudanças no sistema produtivo.

Por exemplo, das 13 principais atividades de sustentabilidade elencadas pela McKinsey, 64% dos executivos disseram estar reduzindo o uso da energia em suas operações, 63% afirmaram diminuir os resíduos e 59% declararam gerir sua reputação corporativa em sustentabilidade.

“Essas ações foram citadas mais frequentemente em 2011 e 2012, e uma parcela maior de executivos agora identifica a gestão da reputação como uma atividade essencial”, observaram as analistas.

Mas outros itens, contudo, apresentaram uma implementação mais problemática. O relatório cita como exemplo a extensão do ciclo de vida dos produtos, que ainda deixa a desejar na maioria das empresas.

“Hoje, limitações de recursos estão criando preços e volatilidade sem precedentes nos mercados de recursos naturais. Ainda assim, os resultados indicam que a maioria das companhias sequer começaram a implementar estratégias que estendam a vida de seus produtos e consequentemente reduzam a dependência de recursos de uma forma significativa”, coloca o texto.

“De acordo com outra pesquisa nossa, há um enorme potencial de valor na melhor concepção e otimização de produtos para diversos ciclos de desmontagem e reutilização. Companhias visionárias deveriam começar a investir nesta integração desses produtos, para o benefício da sociedade e para seus resultados. Apenas com materiais, as companhias poderiam economizar possivelmente mais de US$ 1 trilhão por ano”, continua o documento.

Diferentes abordagens para práticas de sucesso

Para identificar práticas de sucesso na implementação da sustentabilidade como estratégia corporativa, Bonini e Bové apontaram quatro abordagens distintas para a organização das práticas sustentáveis: apoio dos líderes, foco em execução, orientação externa e integração profunda.

“A primeira abordagem é caracterizada por líderes ativamente engajados nas companhias, incentivos a funcionários e estratégias claras; a segunda, por uma abordagem clara, responsabilidade e compromisso dos gestores intermediários; a terceira, pelo uso de ideias externas, redes e relacionamentos, assim como o compromisso dos gestores intermediários; e a quarta, pelo incentivo a funcionários para um trabalho sustentável, foco em talentos e compromisso com a sustentabilidade de todos os níveis de gestão”, comentaram as analistas.

“Nossos líderes de sustentabilidade estão representados em cada uma dessas quatro abordagens, confirmando que não há uma única fórmula para o sucesso em sustentabilidade”, continuaram Bonini e Bové.

As autoras concluíram que, para ir em frente com a aplicação da sustentabilidade em toda a cadeia de produção, as empresas devem incluir em suas estratégias três ações: estender o ciclo de vida de seus produtos; buscar tecnologias que levem à melhoria dos índices de sustentabilidade; e focar nas estratégias de sustentabilidade que se quer adotar, como o desenvolvimento econômico ou mudanças de práticas de negócios, e depois dessa definição, desenvolver a estratégia com não mais de cinco prioridades claras e bem definidas.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Pesquisa prova que jovens brasileiros estão dispostos a lutar por causas ambientais


                

 

A preocupação com os danos causados pelo homem ao planeta aumentou consideravelmente nos últimos tempos e a juventude se diz mais consciente quanto a seus atos. Para confirmar a veracidade desta informação, o Nube realizou uma pesquisa com a seguinte questão: “Qual seu envolvimento com meio ambiente?”.

 

O estudo foi realizado entre 11 e 22 de fevereiro e contou com a participação de mais de 1.200 pessoas, entre 15 e 26 anos. Dentre as quatro opções de resposta, com 52,85% dos votos, a alternativa “Tenho hábito de reciclar lixo diariamente” foi a grande vencedora.

 

Para a analista de treinamento do Nube, Rafaela Gonçalves, a alta porcentagem reflete uma adaptação/mudança na forma de lidar com o meio ambiente. “Para a nova geração é muito claro o fato de a sustentabilidade depender de pequenas ações, como realizar descartes em locais corretos, utilizar as lixeiras de coleta seletiva, reaproveitar materiais, economizar água”, comenta.

 

Em segundo lugar, com 21,42%, se sobressaiu o “consumo de marcas ecologicamente corretas”, demonstrando a necessidade das grandes corporações investirem em produtos sustentáveis. “É uma nova tendência, um ciclo onde se envolve a responsabilidade ambiental da empresa produtora e a consciência do consumidor na hora de comprar”, explica Rafaela.

 

Com 17,51%, ou 224 votos, a “postagem de mensagens nas redes sociais” foi a terceira colocada. Mas, é preciso ter em mente o fato de somente comentar sobre o assunto não ser suficiente. “Estar engajado nessas causas já é um primeiro passo, mas mudar hábitos simples pode surtir muito mais efeito”, destaca a analista.

 

Por fim, ficaram os movimentos sociais, com 8,21%. Para Rafaela, eles são fortes alavancadores de discussão e representam uma forma de unir um grupo para uma mesma causa. “Muitas pessoas não têm ideia de como podem fazer a diferença, quando o assunto é preservação do meio ambiente”, explica. Portanto, participar de eventos do tipo auxilia a encontrar formas de solucionar ou minimizar os impactos ambientais.

 

O resultado mostra uma maior atenção dos jovens com as causas ambientais, mas demonstra como ainda existe uma longa jornada em direção a um mundo melhor.

 

* Publicado originalmente no site Ciclo Vivo.

Fonte: Envolverde

Pesquisar na internet pode plantar uma árvore a cada busca


Na hora de pesquisar qualquer coisa na internet, o primeiro buscador que nos vem a mente é o Google certo? E sem dúvida este é um buscador incrível, rápido e dinâmico. Pensando nesses quesitos, um grupo alemão desenvolveu o Ecosia, um buscador, que assim como o Google, é rápido, dinâmico e sustentável. Isso mesmo, o Ecosia é um que planta uma árvore a cada busca realizada através de sua plataforma.

A criação nasceu da união deste grupo alemão com o Yahoo, o Bing e à WWF e pelo menos 80% de suas verbas são destinadas a programas de preservação das florestas tropicais no mundo inteiro, incluindo a nossa querida Amazônia.

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Mas qual o real impacto disso na sociedade? Bom, para você ter uma ideia, se apenas 1% dos internautas em todo o mundo trocasse o Google pelo Ecosia, todos os anos seria possível plantar e proteger uma área equivalente ao território da Suíça.

 

FONTE: Ambientalistas em Rede

Publicado em Consciência Ampla

Relações éticas e pesquisa independente na liberação dos transgênicos no Brasil.


 Entrevista especial com José Maria Gusman Ferraz

“Os estudos apresentados sobre os transgênicos são em quase sua totalidade elaborados pelas empresas que propõem a sua liberação, ou que foram contratados por elas”, denuncia o agrônomo.

Foto: http://bit.ly/1fnlaS8

No ano de 2003, foi aprovada a lei brasileira que libera o uso e a entrada de organismos geneticamente modificados no País. Dez anos depois, no entanto, ainda não se chegou a um consenso sobre os reais riscos e benefícios da tecnologia. Para o agrônomo e pesquisador José Maria Gusman Ferraz, no entanto, as respostas já estão sendo apontadas, mas vem sendo ignoradas pelo Estado. “Os interesses das empresas e seus lobbies determinam o estabelecimento de políticas públicas e normas regimentais”, afirma. “Isto fica claro na flexibilização que a CTNBio vem tendo ao longo do tempo, passando de órgão consultivo para deliberativo.”

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Ferraz questiona as relações éticas estabelecidas entre aquele que desenvolve a pesquisa e as empresas que lutam pela liberação da transgenia. Tal prejuízo viria desde a formação acadêmica até a pós. “O estreitamento da relação ensino/empresas e pesquisa/empresa, ao invés do efeito desejado de formar profissionais com uma visão também de mercado e tornar a pesquisa focada na realidade, criou uma relação empresa/ensino e empresa/pesquisa de conluio e dependência”, aponta ele. Tais empresas são as grandes financiadoras dos estudos da área e, por vezes, chegam até mesmo a atuar como prestadoras de serviço para pesquisas públicas, o que geraria novos dilemas éticos.

Para o pesquisador, esta relação desbalanceada, onde liberações legais são criadas para seguir interesses corporativos, pode trazer muitos riscos para o País. Um dele diz respeito às sementes terminator, patenteadas e desenvolvidas para darem origem a grãos estéreis — forçando a compra de novas sementes. “Existe o risco de o pólen de uma planta contendo o gene “terminator” fecundar outra planta, inclusive variedades crioulas, e torná-la estéril”, aponta ele.

Por enquanto, o uso da semente não é permitido em nenhum país do mundo. No entanto, no Brasil, há várias propostas para a sua liberação. “Isso nos coloca mais uma vez na ponta, mas na ponta da prancha que era usada pelos piratas para executar seus inimigos”, ironiza.

José Maria Gusman Ferraz é mestre em Agronomia pela Universidade de São Paulo – USP e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Cursou pós-doutorado em Agroecologia pela Universidade de Córdoba – UCO, Espanha. Atualmente é professor do curso de mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da UFSCar e professor convidado da Unicamp.

Foto: http://bit.ly/1iyjOnr

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que leva uma variedade transgênica no Brasil, mesmo considerada insegura por diversos estudos, a ser aprovada? São pressões e lobbies de que espécie?

José Maria Gusman Ferraz – São vários os fatores, um deles é seguramente o ponto de vista simplista da maioria dos membros da CTNBio de que não existem riscos, mesmo com todas as evidências que as publicações independentes têm apontado. Alguns membros (ou o departamento em que trabalham) também desenvolvem trabalhos com transgênicos e prestam serviços para empresas que estão produzindo transgênicos, em alguns casos criando um problema ético complicado para sua atuação na CTNBio. Entre outros fatores está o de que as regras de biossegurança são por vezes desconsideradas, como a necessidade de estudos mais longos para verificação de efeitos crônicos, e não só de efeitos agudos, sobre organismos não alvos feitos de forma criteriosa.

IHU On-Line – Muito se fala sobre os riscos dos transgênicos em longo prazo. Quanto tempo é necessário para determinar que um OGM seja seguro para a saúde humana?

José Maria Gusman Ferraz – Trabalhos realizados na Argentina estabelecem uma correlação entre o aumento de plantio de soja transgênica e o aumento de incidência de nascimentos prematuros e de crianças que nascem com deficiências (efeitos teratogênicos). Como não existe uma forma de estabelecer uma relação causa—efeito, pois a população não usa só um tipo de alimento, fica difícil estabelecer esta correlação. No caso do DDT (um inseticida organoclorado), foram necessárias décadas para que se evidenciasse na população seus efeitos deletérios sobre a saúde humana e o meio ambiente, embora houvesse estudos indicando a possibilidade de sua correlação, assim como ocorre hoje com os transgênicos, e que foram desconsiderados pela academia na época.

IHU On-Line – Atualmente usamos transgênicos nas vacinas, na alimentação humana e animal. O que é preciso, afinal, para que um OGM seja considerado seguro?

José Maria Gusman Ferraz – É necessário que sejam efetuados estudos de longo prazo e intergeracionais (mais de uma geração), e que estes estudos sejam efetuados de forma independente. Os estudos apresentados sobre os transgênicos são em quase sua totalidade elaborados pelas empresas que propõem a sua liberação, ou que foram contratados por elas. As poucas publicações independentes de longo prazo indicam riscos, o que mereceria maior atenção para que fossem desenvolvidas novas pesquisas para verificar a segurança ou não dos transgênicos.

Caso flagrante é do milho NK 603, que tem um estudo publicado em revista de referência internacional indicando claramente o alto risco de sua utilização e que foi desconsiderado pela CTNBio. Porém, ao contrário do que indica um comportamento comprometido com a busca da verdade científica, estes trabalhos são criticados e não são considerados pela CTNBio, que não apresenta o mesmo rigor na hora da liberação comercial dos transgênicos. Entre inúmeros casos, um dos mais gritantes é a liberação do feijão transgênico da Embrapa.

IHU On-Line – Acredita que as políticas públicas são pautadas pelo resultado das pesquisas científicas?

José Maria Gusman Ferraz – Infelizmente, a meu ver, ocorre exatamente o contrário. Os interesses das empresas e seus lobbies determinam o estabelecimento de políticas públicas e normas regimentais. Isto fica claro na flexibilização que a CTNBio vem tendo ao longo do tempo, passando de órgão consultivo para deliberativo. Depois, as decisões que eram definidas por maioria absoluta (o que levava a mais discussões científicas) passam a ser por maioria simples.

A mudança nas regras de liberação para experimentos no meio ambiente, que as tornou mais flexíveis, tinha como perspectiva um controle e avaliação detalhada no acompanhamento após a liberação comercial. Fato que ocorreu de forma inversa, pois a exigência dos estudos pós-liberação comercial foi flexibilizada ao extremo com uma nova resolução, permitindo inclusive que a empresa solicitasse a isenção de monitoramento.

IHU On-Line – Qual a relação dos pesquisadores com essas indústrias que promovem pesquisas em transgenia?

José Maria Gusman Ferraz – Variam, desde a total isenção até uma proximidade que poderiam caracterizar conflitos de interesse; houve inclusive uma publicação nominando pesquisadores que, segundo a autora, tinham ligações com empresas. A entrada e saída de membros e assessores de empresas para a CTNBio e vice-versa também ocorre, sem ao menos observar um tempo de “carência” de um para outro.

IHU On-Line – Que tensionamentos éticos se estabelecem na relação entre cientista e mercado? Como garantir que os resultados das pesquisas tenham isenção?

José Maria Gusman Ferraz – A formação de novos pesquisadores já sofre uma forte influência das empresas desde os cursos de graduação, passando pela pós, pois o estreitamento da relação ensino/empresas e pesquisa/empresa, ao invés do efeito desejado — formar profissionais com uma visão também de mercado e tornar a pesquisa focada na realidade —, criou uma relação empresa/ensino e empresa/pesquisa de conluio e dependência com total ausência de ética. Além da visão neoliberal implementada no País, que torna o Estado mero observador e incentivador destas discrepâncias, há também situações como o aparelhamento de laboratórios por empresas e a elaboração de projetos conjuntos. Outro exemplo é a prestação de serviços de empresas públicas, em que consta uma cláusula de que os resultados obtidos, para que sejam divulgados, precisam ter o aval da empresa privada.

IHU On-Line – Nestes 10 anos de transgênicos no Brasil, como você enxerga a discussão sobre o tema no País? Ela tem avançado para uma base empírica mais justificada ou ainda é baseada no senso comum?

José Maria Gusman Ferraz – A discussão pouco tem avançado e a população não tem a mínima informação do que está ocorrendo, até mesmo com a rotulagem dos produtos, que não é observada na forma prevista na lei. As empresas têm feito um trabalho de patrocínios de eventos acadêmicos e publicações por instituições mantidas por elas para construir uma ideia da segurança absoluta da tecnologia. Os estudos que existem são, em sua quase totalidade, os fornecidos pelas empresas, e os trabalhos independentes têm apontado riscos que eram previstos na teoria, mas que são desconsiderados pela maioria dos membros da CTNBio, por pura crença de que os transgênicos são seguros.

IHU On-Line – Como funcionam exatamente as sementes terminator e qual a relação disso com os royalties pagos para as desenvolvedoras? Por que é uma opção vantajosa e quais os riscos envolvidos?

José Maria Gusman Ferraz – A tecnologia terminator é patenteada pela empresa Delta & Pine, que introduz um gene que, incorporado às sementes, faz com que estas, quando forem plantadas, deem origem a plantas de sementes estéreis. Ou seja, produzem grãos e não mais sementes, interrompendo o ciclo natural de vida. Exemplificando de forma simples, eles agem através de “promotores” que na fase final de embriogênese (formação do embrião da planta) inibem o transporte de substâncias de reserva da semente para alimentar o embrião, causando sua morte. A inserção deste gene na planta é extremamente vantajosa para as empresas e extremamente desvantajosa para o agricultor e para a segurança e soberania alimentar do País.

Existe o risco de o pólen de uma planta contendo o gene “terminator” fecundar outra planta, inclusive variedades crioulas, e torná-la estéril. Por enquanto ela não é permitida em nenhum país, mas no Brasil vários projetos estão em tramitação para liberar o seu uso. Isso nos coloca mais uma vez na ponta, mas na ponta da prancha que era usada pelos piratas para executar seus inimigos.

IHU On-Line – Em relação a outros países do mundo, como percebe a relação do brasileiro com os transgênicos? Produtores e consumidores têm consciência do que estão comendo e plantando?

José Maria Gusman Ferraz – O brasileiro comum e mesmo aqueles com mais conhecimento não têm informação sobre o que seja transgênico, nem o que significa o triângulo amarelo com o T na cor preta — quando visível —, e muito menos como este alimento pode estar influenciando em sua alimentação.

O produtor tem pouca opção, pois dificilmente encontra sementes não transgênicas no mercado, pois para as empresas que dominam este mercado interessa vender a semente transgênica. É uma venda casada com o agrotóxico, que ela mesma comercializa. O mesmo acontece para quem planta com a tecnologia Bt, que obrigatoriamente tem que plantar uma área sem transgênicos para retardar o tempo e adquirir resistência.

IHU On-Line – Deseja acrescentar mais alguma coisa?

José Maria Gusman Ferraz – Esta tecnologia, que prometia reduzir o uso de agrotóxicos, está fazendo exatamente o contrário. O uso indiscriminado e em larga escala da tecnologia no país tem levado à seleção de plantas espontâneas tolerantes aos herbicidas, o que tem elevado o número de aplicações. Há relatos de até 15 aplicações para obter o resultado esperado. No caso da tecnologia Bt, após prejuízos de 10 bilhões de dólares, o Brasil aprovou em tempo recorde a Portaria de número 1109 [1], a qual permite a importação do inseticida (benzoato de emamectina), extremamente tóxico e que até agora era proibido no Brasil.

NOTA:

[1] Portaria MAPA 1109/2013: Portaria que, entre outras medidas, prevê a autorização, em caráter emergencial e temporário, da importação de produtos agrotóxicos que tenham como ingrediente ativo a substância Benzoato de Emamectina para fins de contenção da praga Helicoverpa armigera.

Fonte: IHU – Unisinos

Relações éticas e pesquisa independente na liberação dos transgênicos no Brasil.


 Entrevista especial com José Maria Gusman Ferraz

“Os estudos apresentados sobre os transgênicos são em quase sua totalidade elaborados pelas empresas que propõem a sua liberação, ou que foram contratados por elas”, denuncia o agrônomo.

Foto: http://bit.ly/1fnlaS8

No ano de 2003, foi aprovada a lei brasileira que libera o uso e a entrada de organismos geneticamente modificados no País. Dez anos depois, no entanto, ainda não se chegou a um consenso sobre os reais riscos e benefícios da tecnologia. Para o agrônomo e pesquisador José Maria Gusman Ferraz, no entanto, as respostas já estão sendo apontadas, mas vem sendo ignoradas pelo Estado. “Os interesses das empresas e seus lobbies determinam o estabelecimento de políticas públicas e normas regimentais”, afirma. “Isto fica claro na flexibilização que a CTNBio vem tendo ao longo do tempo, passando de órgão consultivo para deliberativo.”

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Ferraz questiona as relações éticas estabelecidas entre aquele que desenvolve a pesquisa e as empresas que lutam pela liberação da transgenia. Tal prejuízo viria desde a formação acadêmica até a pós. “O estreitamento da relação ensino/empresas e pesquisa/empresa, ao invés do efeito desejado de formar profissionais com uma visão também de mercado e tornar a pesquisa focada na realidade, criou uma relação empresa/ensino e empresa/pesquisa de conluio e dependência”, aponta ele. Tais empresas são as grandes financiadoras dos estudos da área e, por vezes, chegam até mesmo a atuar como prestadoras de serviço para pesquisas públicas, o que geraria novos dilemas éticos.

Para o pesquisador, esta relação desbalanceada, onde liberações legais são criadas para seguir interesses corporativos, pode trazer muitos riscos para o País. Um dele diz respeito às sementes terminator, patenteadas e desenvolvidas para darem origem a grãos estéreis — forçando a compra de novas sementes. “Existe o risco de o pólen de uma planta contendo o gene “terminator” fecundar outra planta, inclusive variedades crioulas, e torná-la estéril”, aponta ele.

Por enquanto, o uso da semente não é permitido em nenhum país do mundo. No entanto, no Brasil, há várias propostas para a sua liberação. “Isso nos coloca mais uma vez na ponta, mas na ponta da prancha que era usada pelos piratas para executar seus inimigos”, ironiza.

José Maria Gusman Ferraz é mestre em Agronomia pela Universidade de São Paulo – USP e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Cursou pós-doutorado em Agroecologia pela Universidade de Córdoba – UCO, Espanha. Atualmente é professor do curso de mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da UFSCar e professor convidado da Unicamp.

Foto: http://bit.ly/1iyjOnr

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que leva uma variedade transgênica no Brasil, mesmo considerada insegura por diversos estudos, a ser aprovada? São pressões e lobbies de que espécie?

José Maria Gusman Ferraz – São vários os fatores, um deles é seguramente o ponto de vista simplista da maioria dos membros da CTNBio de que não existem riscos, mesmo com todas as evidências que as publicações independentes têm apontado. Alguns membros (ou o departamento em que trabalham) também desenvolvem trabalhos com transgênicos e prestam serviços para empresas que estão produzindo transgênicos, em alguns casos criando um problema ético complicado para sua atuação na CTNBio. Entre outros fatores está o de que as regras de biossegurança são por vezes desconsideradas, como a necessidade de estudos mais longos para verificação de efeitos crônicos, e não só de efeitos agudos, sobre organismos não alvos feitos de forma criteriosa.

IHU On-Line – Muito se fala sobre os riscos dos transgênicos em longo prazo. Quanto tempo é necessário para determinar que um OGM seja seguro para a saúde humana?

José Maria Gusman Ferraz – Trabalhos realizados na Argentina estabelecem uma correlação entre o aumento de plantio de soja transgênica e o aumento de incidência de nascimentos prematuros e de crianças que nascem com deficiências (efeitos teratogênicos). Como não existe uma forma de estabelecer uma relação causa—efeito, pois a população não usa só um tipo de alimento, fica difícil estabelecer esta correlação. No caso do DDT (um inseticida organoclorado), foram necessárias décadas para que se evidenciasse na população seus efeitos deletérios sobre a saúde humana e o meio ambiente, embora houvesse estudos indicando a possibilidade de sua correlação, assim como ocorre hoje com os transgênicos, e que foram desconsiderados pela academia na época.

IHU On-Line – Atualmente usamos transgênicos nas vacinas, na alimentação humana e animal. O que é preciso, afinal, para que um OGM seja considerado seguro?

José Maria Gusman Ferraz – É necessário que sejam efetuados estudos de longo prazo e intergeracionais (mais de uma geração), e que estes estudos sejam efetuados de forma independente. Os estudos apresentados sobre os transgênicos são em quase sua totalidade elaborados pelas empresas que propõem a sua liberação, ou que foram contratados por elas. As poucas publicações independentes de longo prazo indicam riscos, o que mereceria maior atenção para que fossem desenvolvidas novas pesquisas para verificar a segurança ou não dos transgênicos.

Caso flagrante é do milho NK 603, que tem um estudo publicado em revista de referência internacional indicando claramente o alto risco de sua utilização e que foi desconsiderado pela CTNBio. Porém, ao contrário do que indica um comportamento comprometido com a busca da verdade científica, estes trabalhos são criticados e não são considerados pela CTNBio, que não apresenta o mesmo rigor na hora da liberação comercial dos transgênicos. Entre inúmeros casos, um dos mais gritantes é a liberação do feijão transgênico da Embrapa.

IHU On-Line – Acredita que as políticas públicas são pautadas pelo resultado das pesquisas científicas?

José Maria Gusman Ferraz – Infelizmente, a meu ver, ocorre exatamente o contrário. Os interesses das empresas e seus lobbies determinam o estabelecimento de políticas públicas e normas regimentais. Isto fica claro na flexibilização que a CTNBio vem tendo ao longo do tempo, passando de órgão consultivo para deliberativo. Depois, as decisões que eram definidas por maioria absoluta (o que levava a mais discussões científicas) passam a ser por maioria simples.

A mudança nas regras de liberação para experimentos no meio ambiente, que as tornou mais flexíveis, tinha como perspectiva um controle e avaliação detalhada no acompanhamento após a liberação comercial. Fato que ocorreu de forma inversa, pois a exigência dos estudos pós-liberação comercial foi flexibilizada ao extremo com uma nova resolução, permitindo inclusive que a empresa solicitasse a isenção de monitoramento.

IHU On-Line – Qual a relação dos pesquisadores com essas indústrias que promovem pesquisas em transgenia?

José Maria Gusman Ferraz – Variam, desde a total isenção até uma proximidade que poderiam caracterizar conflitos de interesse; houve inclusive uma publicação nominando pesquisadores que, segundo a autora, tinham ligações com empresas. A entrada e saída de membros e assessores de empresas para a CTNBio e vice-versa também ocorre, sem ao menos observar um tempo de “carência” de um para outro.

IHU On-Line – Que tensionamentos éticos se estabelecem na relação entre cientista e mercado? Como garantir que os resultados das pesquisas tenham isenção?

José Maria Gusman Ferraz – A formação de novos pesquisadores já sofre uma forte influência das empresas desde os cursos de graduação, passando pela pós, pois o estreitamento da relação ensino/empresas e pesquisa/empresa, ao invés do efeito desejado — formar profissionais com uma visão também de mercado e tornar a pesquisa focada na realidade —, criou uma relação empresa/ensino e empresa/pesquisa de conluio e dependência com total ausência de ética. Além da visão neoliberal implementada no País, que torna o Estado mero observador e incentivador destas discrepâncias, há também situações como o aparelhamento de laboratórios por empresas e a elaboração de projetos conjuntos. Outro exemplo é a prestação de serviços de empresas públicas, em que consta uma cláusula de que os resultados obtidos, para que sejam divulgados, precisam ter o aval da empresa privada.

IHU On-Line – Nestes 10 anos de transgênicos no Brasil, como você enxerga a discussão sobre o tema no País? Ela tem avançado para uma base empírica mais justificada ou ainda é baseada no senso comum?

José Maria Gusman Ferraz – A discussão pouco tem avançado e a população não tem a mínima informação do que está ocorrendo, até mesmo com a rotulagem dos produtos, que não é observada na forma prevista na lei. As empresas têm feito um trabalho de patrocínios de eventos acadêmicos e publicações por instituições mantidas por elas para construir uma ideia da segurança absoluta da tecnologia. Os estudos que existem são, em sua quase totalidade, os fornecidos pelas empresas, e os trabalhos independentes têm apontado riscos que eram previstos na teoria, mas que são desconsiderados pela maioria dos membros da CTNBio, por pura crença de que os transgênicos são seguros.

IHU On-Line – Como funcionam exatamente as sementes terminator e qual a relação disso com os royalties pagos para as desenvolvedoras? Por que é uma opção vantajosa e quais os riscos envolvidos?

José Maria Gusman Ferraz – A tecnologia terminator é patenteada pela empresa Delta & Pine, que introduz um gene que, incorporado às sementes, faz com que estas, quando forem plantadas, deem origem a plantas de sementes estéreis. Ou seja, produzem grãos e não mais sementes, interrompendo o ciclo natural de vida. Exemplificando de forma simples, eles agem através de “promotores” que na fase final de embriogênese (formação do embrião da planta) inibem o transporte de substâncias de reserva da semente para alimentar o embrião, causando sua morte. A inserção deste gene na planta é extremamente vantajosa para as empresas e extremamente desvantajosa para o agricultor e para a segurança e soberania alimentar do País.

Existe o risco de o pólen de uma planta contendo o gene “terminator” fecundar outra planta, inclusive variedades crioulas, e torná-la estéril. Por enquanto ela não é permitida em nenhum país, mas no Brasil vários projetos estão em tramitação para liberar o seu uso. Isso nos coloca mais uma vez na ponta, mas na ponta da prancha que era usada pelos piratas para executar seus inimigos.

IHU On-Line – Em relação a outros países do mundo, como percebe a relação do brasileiro com os transgênicos? Produtores e consumidores têm consciência do que estão comendo e plantando?

José Maria Gusman Ferraz – O brasileiro comum e mesmo aqueles com mais conhecimento não têm informação sobre o que seja transgênico, nem o que significa o triângulo amarelo com o T na cor preta — quando visível —, e muito menos como este alimento pode estar influenciando em sua alimentação.

O produtor tem pouca opção, pois dificilmente encontra sementes não transgênicas no mercado, pois para as empresas que dominam este mercado interessa vender a semente transgênica. É uma venda casada com o agrotóxico, que ela mesma comercializa. O mesmo acontece para quem planta com a tecnologia Bt, que obrigatoriamente tem que plantar uma área sem transgênicos para retardar o tempo e adquirir resistência.

IHU On-Line – Deseja acrescentar mais alguma coisa?

José Maria Gusman Ferraz – Esta tecnologia, que prometia reduzir o uso de agrotóxicos, está fazendo exatamente o contrário. O uso indiscriminado e em larga escala da tecnologia no país tem levado à seleção de plantas espontâneas tolerantes aos herbicidas, o que tem elevado o número de aplicações. Há relatos de até 15 aplicações para obter o resultado esperado. No caso da tecnologia Bt, após prejuízos de 10 bilhões de dólares, o Brasil aprovou em tempo recorde a Portaria de número 1109 [1], a qual permite a importação do inseticida (benzoato de emamectina), extremamente tóxico e que até agora era proibido no Brasil.

NOTA:

[1] Portaria MAPA 1109/2013: Portaria que, entre outras medidas, prevê a autorização, em caráter emergencial e temporário, da importação de produtos agrotóxicos que tenham como ingrediente ativo a substância Benzoato de Emamectina para fins de contenção da praga Helicoverpa armigera.

Fonte: IHU – Unisinos

Quase metade dos brasileiros compra produtos que nunca usa


88% dos entrevistados declaram-se moderados ou conservadores na hora de fazer compras, mas 47% admitiram terem comprado produtos que sequer chegaram a usar.

                                  

Fonte: Mercado Ético

 

Apesar de se declarar moderado na hora das compras, o brasileiro não resiste aos impulsos e leva para casa produtos sem planejamento, revela pesquisa divulgada na terça-feira, 22 de outubro, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O levantamento mostra uma contradição no comportamento do consumidor: 88% dos entrevistados declaram-se moderados ou conservadores na hora de fazer compras, mas 47% admitiram terem comprado produtos que sequer chegaram a usar.

O estudo constatou a tendência de o brasileiro usar o consumo para satisfazer as vontades pessoais. De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados declararam pensar em compras supérfluas do mês seguinte antes mesmo de receber o salário. Além disso, 59% disseram ter comprado um produto pensando que o merece, sem analisar as condições financeiras.

Para o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, as compras por impulso são resultado tanto de fatores psicológicos como socioeconômicos. Segundo ele, boa parte do contingente de 40 milhões de pessoas que subiram para a nova classe média na última década tem usado o consumo para se encaixar na sociedade.

“Existe um processo de redefinição da identidade de classe pelas pessoas que subiram de classe social. Por uma questão de status, elas compram mais para impressionar a família, os amigos e obter autoestima. Sem planejamento, essas pessoas adquirem produtos de que não precisam de fato e acabam se endividando excessivamente”, explica Borges. Ele ressalta que o levantamento mostrou que 12% dos consumidores fazem questão de ter acesso a tecnologias de ponta assim que são lançadas. “Será que tem necessidade?”, questiona.

 

Sinal de alerta

De acordo com o gerente do SPC, o consumidor deve ser ainda mais cuidadoso com as compras em tempos de aperto no crédito e baixo crescimento da economia. “Os bancos estão aumentando os juros e reduzindo a oferta de crédito. O emprego está crescendo menos. Isso deveria ser um sinal de alerta para a população, mas o consumidor continua gastando muito, mesmo num cenário menos otimista”, alerta.

Além dos fatores sociais e culturais, o especialista cita a falta de educação financeira como uma das principais causas para a impulsividade do consumidor. “Quem tem educação financeira tende a saber definir prioridades e organizar gastos e passa até a ter maior controle psicológico sobre a impulsividade. Se esse tipo de conhecimento for trabalhado desde a idade escolar, o consumidor chegará à idade adulta com maior controle sobre os gastos”, destaca.

Fonte: Mundo Sustentável

Preservação de nascentes é solução para conservar o Pantanal


                              

Para avaliar o conhecimento dos brasileiros sobre o Pantanal, o WWF-Brasil e o HSBC solicitaram ao Ibope uma pesquisa inédita sobre a região. Realizada em duas etapas, nacional e regional, o levantamento tem por objetivo orientar as iniciativas locais da ONG e de seus parceiros. Na pesquisa regional, a maioria dos entrevistados apontou a preservação das nascentes e a união de esforços são as soluções para combater os problemas do Pantanal.

O estudo nacional ouviu 2.002 pessoas em 26 estados brasileiros. Já a pesquisa regional, 504 moradores de municípios do Mato Grosso, onde grande parte das nascentes do Pantanal está localizada.

Os dados coletados na pesquisa nacional evidenciam que a população já ouviu falar do Pantanal (93%), embora desconheça suas características naturais e localização, já que 66% das pessoas – dois em cada três – não sabem apontar em qual região do Brasil o bioma se encontra.

Os problemas ambientais do Pantanal, identificados no estudo “Análise de risco ecológico da Bacia do Paraguai” publicado pelo WWF-Brasil e parceiros em 2012, são reconhecidos pela população, que aponta a degradação de nascentes (49%) e o assoreamento (47%) entre as principais causas na pesquisa regional. Porém, fica claro que os habitantes do Pantanal não tem a real dimensão do tamanho do problema: 40% dos que responderam a pesquisa não sabem que o Pantanal é uma área de risco ambiental. No entanto, os entrevistados consideram o desmatamento (73%) como a principal causa.

                       

Já o entendimento sobre os rios da região é difuso: o número de pessoas que acreditam que as nascentes do Pantanal vêm do Cerrado é de apenas 39% – ainda assim mais que o dobro dos 18% revelados na pesquisa nacional. Por outro lado, 65% dos entrevistados afirmam, corretamente, que o Pantanal é a maior fonte de água doce do mundo.

                         

Uma informação importante revelada pela pesquisa é que há espaço e necessidade para ações de educação ambiental, com o foco na valorização desse patrimônio natural pelas pessoas que ali vivem. Mais da metade dos entrevistados (57%) nunca visitou o Pantanal, apesar de viver próximo às nascentes. Aqueles que viajam ao Pantanal não têm como interesse principal saber mais sobre preservação, mas sim praticar atividades de lazer, como a pesca esportiva (78%).

Desenvolvimento sustentável é desafio

A pesquisa regional apontou ainda que 55% dos entrevistados perceberam uma melhora na qualidade de vida associada às condições financeiras das famílias e acesso a bens de consumo industrializados.

Por outro lado, houve uma percepção clara dos prejuízos causados ao meio ambiente devido ao desenvolvimento econômico: 51% da população regional indicou que piorou a condição dos rios, nascentes e córregos; e 63% apontou redução da quantidade de peixes.

                      

A união faz a força

Na opinião de 92% dos entrevistados, a melhor forma de garantir a preservação do bioma é a união de esforços de governos, empresas e sociedade civil. A pesquisa aponta que 93% das pessoas acham importante a construção de um Pacto em defesa das cabeceiras do Pantanal. “Para isso, é preciso que a população tenha conhecimento das iniciativas em andamento. A união de esforços entre governos, empresas e sociedade é a forma mais adequada de preservação do Pantanal, na opinião de 76% dos entrevistados. Esse é justamente o conceito do Pacto pelas Cabeceiras”, destaca Glauco Kimura de Freitas, coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil.

No entanto, as iniciativas existentes para a conservação do Pantanal são desconhecidas pela maioria da população. No total de entrevistados, 88% nunca ouviu falar da politica estadual de recursos hídricos; e 82% deles desconhecem totalmente os comitês de bacia na região.

“É preciso uma ampla divulgação dessas instituições, bem como seu papel na preservação das nascentes e águas”, reforça Glauco Kimura de Freitas. “Essa agenda é estratégica e deve ser priorizada; caso contrário, as pessoas não irão se engajar e se mobilizar em prol de ações de conservação”, finaliza.

                       

Fonte: Mercado Ético

Pesquisadores explicam as ações da natureza que aumentam o bem estar


Psicólogo estuda dados de 10 mil pessoas entrevistadas anualmente durante 17 anos. Moradores próximos de áreas verdes demonstram se sentir mais felizes e com menos problemas de saúde.

 Os londrinos adoram seus parques. E agora, no outono, não dá para deixar de passear por eles. As folhas caindo deixam a paisagem deslumbrante. Olhando do alto, dá para ver que as áreas verdes ocupam boa parte da capital britânica. E um bairro tem ainda mais motivos para valorizar os seus parques e praças.

Richmond é o lugar da Inglaterra com maior expectativa de vida saudável. Homens tem saúde boa ou muito boa até os 70 anos, mulheres até 72. E é também o lugar com menor percentual de doenças e onde as pessoas se consideram mais felizes. Cada morador tem sua lista de motivos. Para algumas amigas são o ar puro, o baixo número de carros e a paisagem bonita. “É a natureza, e é de graça”, lembra uma imigrante irlandesa. Um morador orgulhoso destaca os benefícios: “Você leva o cachorro para passear e vê a beleza em volta. É bom para o coração e para a alma”, diz.

O brasileiro Guilherme Carvalho mora há poucos metros de outro parque no Norte de Londres. Sempre que pode, dá uma fugida para lá. Veja uma breve entrevista com o admministrador:

Guilherme: Tem um pouco mais de natureza aqui, você consegue ouvir pássaros. Então dá uma sensação um pouco de, dá a impressão que você nem tá em Londres.
Globo Repórter:  Você acha que isso de alguma forma afeta a sua saúde, você se sente melhor, com mais disposição?
Guilherme: Nossa Senhora, é como se todas preocupações fossem embora, entendeu? É como se você não tivesse mais nada.
Globo Repórter: Você é feliz aqui?
Guilherme: Oh, demais!

Mas será que passear no meio do verde tem efeito na nossa saúde ou é apenas uma impressão de bem-estar sem nenhuma consequência no nosso corpo?

O psicólogo Mathew White e a equipe dele da escola de medicina da universidade de Exeter estudaram os dados de 10 mil pessoas que foram entrevistadas anualmente durante 17 anos. Quem mora perto de áreas verdes demonstrou se sentir mais feliz e com menos problemas de saúde.

Os pesquisadores explicam que a natureza age de quatro formas para aumentar o nosso bem estar. "Esse contato com árvores, praia, reduz o batimento cardíaco e a pressão, nós nos sentimos menos estressados. Em segundo lugar, em contato com a natureza, temos mais predisposição para fazer exercícios, caminhar, andar de bicicleta. Em terceiro, fazemos tudo isso geralmente acompanhados de marido, mulher, filhos, amigos. Passar o tempo com outras pessoas é saudável. E, em último lugar, um ambiente agradável perto de onde moramos nos dá uma sensação de pertencer àquele lugar, de ser a nossa casa. E isso é outro fator muito importante para a saúde", explica Mathew White, psicólogo.

Em uma das pesquisas feita em um laboratório, os pesquisadores simularam um passeio de bicicleta na beira do mar. E concluíram que, mesmo em um ambiente controlado, com um vídeo em vez da situação real, um passeio desses faz muito bem à saúde.

Ao utilizar o repórter como cobaia para mostrar os efeitos do passeio, assim como fez com os voluntários da pesquisa, o pesquisador, primeiro, mediu a pressão do repórter. Os batimentos cardíacos também são controlados. Não podem ser baixos, nem altos demais. Não é um exercício, é um passeio.

"Quero que você imagine que está nesse lugar, imagine os sons, os cheiros, com quem você está, o que vai fazer depois. Imagine que está na beira da praia", orienta o pesquisador.

No começo, parece pouco provável que funcione, mas o barulho do mar, a imagem das ondas batendo. E a pessoa se deixa envolver pelo vídeo. Os pesquisadores fizeram o mesmo teste em um passeio real na praia e os resultados foram semelhantes.

Depois de algum tempo pedalando, o repórter fica suado, mas bem mais tranquilo e sem tanto stress como estava antes. Após descansar um pouco, o repórter teve a pressão medida novamente e ela estava um pouco mais baixa do que antes do exercício.

Um passeio tão curto não tem grande impacto na saúde de ninguém, mas – se isso for feito com frequência – haverá uma grande diferença, garantem os pesquisadores. "Fazer exercícios em contato com a natureza é mais relaxante, você perde a noção das horas e se exercita por mais tempo. E é mais provável que faça de novo, já que você curtiu o passeio", diz o pesquisador.

A pesquisa não indica que morar no meio do mato seja mais saudável do que nas cidades. A urbanização trouxe grandes benefícios para a humanidade, como acesso à água tratada, variedade de alimentos, higiene, atendimento médico. Coisas que aumentaram a longevidade. Mas é um alerta para as autoridades na hora de planejarem as cidades: criar áreas verdes é investir na saúde da população.

 Globo Repórter – 27.10.2013

 

Fonte: Espaço Ecológico no Ar.