A ciência engajada na preservação da Amazônia


Vandré Fonseca – 22/07/15

01011980-flota-trombetasFloresta Estadual de Trombetas faz parte da Calha Norte Paraense. A criação do mosaico de Unidades de Conservação, Quilombos e Terras Indígenas com cerca de 12 milhões de hectares contou com estudos do Imazon. O instituto continua a atuar na região. Foto: David Alves/Arquivo Agência Pará.

Manaus, AM — Julho é aniversário do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), uma organização não governamental criada em 1990 para fazer pesquisas que ajudem a proteger a floresta e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem nela. São vinte e cinco anos, desde os primeiros estudos sobre o manejo florestal de baixo impacto, às contribuições que ajudaram na criação de mais de 20 milhões de hectares de Unidades de Conservação na Amazônia, até a criação de um sistema próprio que monitora o desmatamento na Amazônia.

As conversas e preparativos para a fundação do Imazon começaram em 1988. Era uma época de grande pressão ambiental e social sobre a região, com desmatamento acelerado e poucos estudos sobre as transformações da paisagem. Nesse ambiente de crise, o ecólogo americano Christopher Uhl, então pesquisador visitante da Embrapa, viu uma oportunidade de servir à Amazônia.

A criação contou com a parceria de Adalberto Veríssimo e Paulo Barreto, hoje pesquisadores seniores do Imazon, e David McGrath, que se tornou professor na Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador Associado do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM). Ao longo de duas décadas e meia, segundo o site do instituto, o Imazon publicou 642 trabalhos técnicos, dos quais 193 conquistaram páginas de revistas científicas internacionais. Foram publicados também 71 livros e 26 livretos.

A produtividade e repercussão dos trabalhos do Imazon levaram o instituto a figurar este ano, pela primeira vez, no ranking dos 100 melhores centros de estudos estratégicos independentes sobre economia e política de Mudanças Climáticas do mundo, preparada pelo International Center for Climate Governance (ICCG). O instituto figura na 66a posição na análise per-capita, ou seja, que leva em consideração o número de pesquisadores, e 53a na absoluta.

“Nosso esforço é fazer o homem ver que a floresta traz benefícios com os serviços ecossistêmicos e que, se explorada de forma adequada, ela pode contribuir para ganhos econômicos”, afirma a bióloga Andréia Pinto, diretora executiva do Imazon. “Proteger a floresta sem o homem não vai trazer um futuro sustentável”.

Conquistas

Para Andréia Pinto, um dos grandes feitos do Imazon foi contribuir para a criação de um grande bloco de Unidades de Conservação Estaduais na Calha Norte do Rio Amazonas, no Pará, com 12,8 milhões de hectares. De acordo com ela, o Imazon atuou desde a prospecção e até hoje luta para consolidar essas Unidades de Conservação.

Um dos estudos recentes do Imazon é sobre os impactos positivos dos acordos que os frigoríficos assinaram, em 2009, com o Ministério Público Federal e com a ONG Greenpeace, para não comprar gado de fazendas com irregularidades ambientais. Produzido por Paulo Barreto em parceria com Holly Gibbs, da Universidade de Wisconsin, o trabalho mostra que esse tipo de medida funciona. Por exemplo, o percentual de fazendas comCadastro Ambiental Rural que fornecem aos frigoríficos do acordo aumentou de 2% para 96%, no período 2009-13.

O projeto mais famoso talvez seja o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), em operação desde 2007, que monitora por meio de imagens de satélites, mensalmente, a derrubada da floresta amazônica no Brasil. “O grande papel de um sistema independente é a regularidade da informação livre do contexto político e econômico”, afirma Andréia Pinto. “Há anos de eleição em que é perceptível a retenção de informação, quando ela não é positiva”.

Segundo ela, desde a fundação, em 1990, uma das prioridades é “gerar informação com precisão e celeridade para chegar nas mãos dos tomadores de decisão ”, antes que o dano ambiental tenha se consolidado.

Fonte: (o) eco