EUA entre os últimos na luta contra o aquecimento global


Quase 30 países diminuíram suas emissões de gases de efeito estufa em 2018, mas grandes emissores como Estados Unidos estão nas últimas posições (AFP)

Quase 30 países diminuíram suas emissões de gases de efeito estufa em 2018, mas grandes emissores como Estados Unidos estão nas últimas posições, segundo um relatório publicado nesta terça-feira à margem da COP25 de Madri.

Segundo o índice “Climate change performance” de Germanwatch e da Climate Action Network, 31 dos 57 países responsáveis por 90% dessas emissões mundo as reduziram.

Entretanto, Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita são fonte de “grande preocupação”, por seus níveis de emissões, assim como suas políticas climáticas, segundo um comunicado.

Os três primeiros postos da classificação dessas organizações que medem o desempenho dos países no que se refere à proteção do clima permanecem vazios, considerando-se que nenhum país aplica uma política compatível com o Acordo de Paris, que prevê limitar o aquecimento abaixo de + 2 graus.

A China, principal emissor do mundo, aparece em 30º. A UE em 22º. À frente aparece o Brasil, na 21ª posição. A Suécia ocupa o quarto lugar, à frente da Dinamarca. Pela primeira vez, os Estados Unidos substituem a Arábia Saudita na última posição.

O índice “mostra sinais de uma mudança mundial em termos de emissões, com uma redução do consumo de carvão”, indicou Ursula Hagen, da Germanwatch. “Mas vários grandes países continuam à margem dessa tendência, em primeiro lugar os Estados Unidos”.

Por outro lado, o Climate Action Tracker (CAT), que avalia os compromissos de 36 países que representam 80% das emissões, advertiu que as promessas atuais dos governos continuam sendo insuficientes em relação ao Acordo de Paris, porque levariam a um aumento de + 2,8 graus em 2100.

O carvão continua desempenhando um papel importante na política energética de alguns países, disse o CAT em um relatório, apontando para China, Japão e Coreia do Sul.

O documento também ressalta que a capacidade instalada de energias renováveis duplicou em 10 anos e previu que aumente 50% no próximo período.

AFP

Concentração de gases do efeito estufa bate recorde em 2018, diz ONU


As emissões de CO2 são responsáveis por cerca de dois terços do aquecimento da Terra (AFP)

A ONU anunciou que os principais gases do efeito estufa, que provocam a mudança climática, registraram um recorde de concentração em 2018, com a advertência de que “não há indícios de desaceleração visíveis”. O alarme foi divulgado poucos dias antes do início da reunião anual da ONU sobre a luta contra a mudança climática, a COP25, de 2 a 13 de dezembro em Madri.

“Não há indícios de que vai acontecer uma desaceleração, e muito menos uma redução, da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre a mudança climática”, destacou o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas, por ocasião da publicação do boletim anual sobre concentrações de gases do efeito estufa.

O documento não leva em consideração as quantidades de gases do efeito estufa expelidas na atmosfera, e sim as que permanecem nela, já que os oceanos absorvem quase 25% das emissões totais, assim como a biosfera, a qual pertencem as florestas.

De acordo com os cientistas, o dióxido de carbono (CO2), que está associado às atividades humanas e que constitui o principal gás do efeito estufa que permanece na atmosfera, bateu um novo recorde de concentração em 2018, de 407,8 partes por milhão (ppm), ou seja, 147% a mais que o nível pré-industrial de 1750.

“Cabe recordar que a última vez que a Terra registrou uma concentração de CO2 comparável foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás. Na época, a temperatura era de 2 a 3 graus mais quente e o nível do mar era entre 10 e 20 metros superior ao atual”, afirmou Taalas em um comunicado.

Crescimento mais rápido

Além disso, a OMM destacou que o aumento anual da concentração de CO2, que persiste durante séculos na atmosfera e ainda mais tempo nos oceanos, foi superior à taxa de crescimento média dos últimos 10 anos.

De acordo com as observações dos cientistas, as concentrações de metano (CH4), que aparece em segundo lugar entre os gases do efeito estufa com maior persistência, e de óxido nitroso (N2O) também aumentaram mais que a média anual da última década.

O metano, cujas emissões são provocadas em 60% pela atividade humana (gado, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros etc.), e o óxido nitroso, com 40% das emissões de origem humano (fertilizantes, processos industriais…), também alcançaram níveis máximos de concentração. O óxido nitroso, além disso, tem um forte impacto na destruição da camada de ozônio, que filtra os raios ultravioleta.

Diante da emergência climática, os países se comprometeram, em 2015 em Paris, a adotar planos de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas as emissões mundiais não param de crescer.

Petteri Taalas pediu aos países a “cumprir os compromissos em ação e aumentar o nível de ambição em nome do bem-estar futuro da humanidade”. No início de novembro, no entanto, o governo dos Estados Unidos oficializou a saída do acordo de Paris.

Os quatro maiores emissores de gases do efeito estufa – China, Estados Unidos, União Europeia e Índia – representam 56% das emissões globais. Apenas a UE (9% do total) está a caminho de cumprir, ou até superar, seus objetivos, de acordo com um estudo recente da ONG americana Fundação Ecológica Universal (FEU-US).

AFP

Estudo da Nasa mostra que a Amazônia está mais seca e vulnerável


As condições mais áridas tornam os incêndios mais prováveis, secando ainda mais a floresta (Victor Moriyama/Getty Images)

O aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, aliado à alta concentração de gases de efeito estufa, está tornando a atmosfera sobre a floresta tropical mais seca, fazendo crescer a demanda por água e deixando os ecossistemas mais vulneráveis aos incêndios e à própria seca. Essa situação, prevista por cientistas para acontecer talvez em algumas décadas, está ocorrendo agora. É o que revela um novo estudo feito pela agência espacial americana, a Nasa.

O trabalho considerou dados coletados em solo e por análise de imagens de satélite para determinar o chamado déficit de pressão de vapor (VPD). Com isso, os cientistas conseguiram rastrear a quantidade de umidade na atmosfera e quanto dela é necessário para manter os ciclos da floresta.

“Nós observamos que nas últimas duas décadas houve um aumento significativo na secura na atmosfera, bem como na demanda atmosférica por água acima da floresta”, afirmou Armineh Barkhordarian, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em comunicado à imprensa.

“Ao comparar essa tendência com dados de modelos que estimam a variabilidade climática ao longo de milhares de anos, determinamos que a mudança na aridez atmosférica está muito além do que seria esperado com a variabilidade climática natural”, complementou a autora principal do trabalho publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Para os pesquisadores, a elevada concentração de gases de efeito estufa (responsáveis pelo aquecimento global) na atmosfera é respondem por cerca de metade dessa aridez. A outra parte estaria ligada às queimadas para limpeza do terreno para pecuária e agricultura. A combinação de tudo isso estaria aquecendo a Amazônia. Veja no gráfico abaixo como isso ocorre.

O trabalho apontou que o processo mais significativo e sistemático de ressecamento da atmosfera acontece na região sudeste da Amazônia, por onde se espalha o chamado Arco do Desmatamento – justamente onde ocorre a maior parte do desmate e da expansão agrícola.

Também foram observadas secagens episódicas no noroeste da Amazônia. A área, que normalmente não tem uma estação seca, experimentou secas severas nas últimas duas décadas. Para os autores, isso traz uma indicação adicional da vulnerabilidade de toda a floresta ao aumento de temperatura e ar seco.

Desequilíbrio em curso

“É uma questão de oferta e demanda. Com o aumento da temperatura e a secagem do ar acima das árvores, elas precisam transpirar para se resfriar e adicionar mais vapor de água na atmosfera. Mas o solo não tem água extra para as árvores puxarem”, explicou Sassan Saatchi, também pesquisador do JPL e autor do trabalho. “Nosso estudo mostra que a demanda está aumentando, a oferta está diminuindo e, se isso continuar, a floresta poderá não ser mais capaz de se sustentar.”

As condições mais áridas tornam os incêndios mais prováveis, secando ainda mais a floresta. Se essa tendência prosseguir a longo prazo e a floresta deixar de funcionar adequadamente, muitas outras árvores vão morrer. Quanto maiores e mais antigas, mais elas vão liberar CO2 na atmosfera ao morreram, ao mesmo tempo em que, com menos árvores, a floresta vai absorver menos CO2 da atmosfera, piorando o cenário de mudanças climáticas.

Climatologista vê risco de ‘savanização’ entre 15 e 30 anos

O climatologista brasileiro Carlos Nobre, um dos primeiros pesquisadores a estimarem o risco de savanização da Amazônia a partir de um determinado nível de desmatamento da floresta, comentou ao jornal O Estado de São Paulo que o trabalho da Nasa confirma o que vários estudos já vinham apontando.

“Uma grande faixa da Amazônia no sul e leste está ficando mais quente e mais seca, principalmente durante a estação seca, que já ficou entre 3 e 4 semanas mais longa naquela área de cerca de 2 milhões de km²”, disse o pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Por seus cálculos, se a estação seca tornar-se mais longa do que quatro meses (hoje ela dura, em média, três meses), a floresta se converterá em savana tropical – “que é o bioma de equilíbrio com uma longa estação seca e fogo”, diz. “De fato, nesta região, o ponto de não retorno está bem próximo. Eu estimo não mais do que 15 a 30 anos com o ritmo crescente de desmatamento somado à continuidade do aquecimento global, e também com a maior vulnerabilidade da floresta Amazônica ao fogo.”

Agência Estado

Relatório aponta que emissão de gases de efeito estufa ficam estáveis em 2018


Em 2018 as emissões brutas, de acordo com o levantamento, foram de 1,939 bilhão de toneladas de CO2, ante 1,932 bilhão em 2017 (Lula Sampaio/AFP)

As emissões de gases de efeito estufa no Brasil ficaram praticamente estáveis no ano passado, com flutuação de apenas 3% em relação a 2017. Apesar de ter ocorrido um aumento no desmatamento da Amazônia, que colaborou para a liberação de mais gás carbônico (CO2) no setor de uso do solo, houve queda nas emissões provenientes de energia, equilibrando a conta.

É o que aponta o mais recente relatório do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima. O cálculo anual, feito por cientistas de diversas instituições, é independente das contas oficiais do governo, mas considera a mesma metodologia.

Em 2018 as emissões brutas, de acordo com o levantamento, foram de 1,939 bilhão de toneladas de CO2, ante 1,932 bilhão em 2017. O aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é o que está promovendo o aquecimento global e as mudanças climáticas.

O ano foi marcado por altas de um lado, mas reduções por outro. As emissões resultantes do aumento de 8,5% no desmatamento da Amazônia observado entre agosto de 2017 e julho de 2018 – na comparação com os 12 meses anteriores – foram em parte compensadas pela redução de cerca de 10% na destruição do Cerrado, o que fez as emissões por mudança de uso da terra crescerem somente 3,6%. O setor, porém, continua respondendo pela maior parte das nossas emissões – 44%.

Já em energia, o aumento de 13% no uso de etanol no Brasil – combustível mais limpo, que zera suas emissões quando a cana-de-açúcar cresce e consome CO2 da atmosfera –, acabou resultando numa queda de 5% nas emissões do setor.

Também contribuiu para essa redução um aumento na presença de fontes renováveis, especialmente eólica, na geração de eletricidade. O ano teve mais chuvas, o que também favoreceu as hidrelétricas, de modo que o governo não teve de acionar muito as termelétricas.

Houve também uma leve queda nas emissões provenientes da agropecuária, de 0,7%, promovida pela diminuição do rebanho nacional que, segundo o IBGE, se deve ao aumento do abate de matrizes, em função do alto preço da carne no mercado internacional. O setor representa a segunda maior fatia das emissões brasileiras – 25%.

Agência Estado

O que diz o novo acordo para reduzir o efeito estufa


O que diz o novo acordo para reduzir o efeito estufa – e o que ele tem a ver com a sua geladeira?

Acordo assinado em Ruanda é passo importante na redução da eliminação de gases (Foto: Frank Augstein/AP)Acordo assinado em Ruanda é passo importante na redução da eliminação de gases (Foto: Frank Augstein/AP)

Delegados de 150 países chegaram no dia 15 de outubro, na cidade de Kigali, Ruanda, a umacordoque tem sido descrito como “monumental” e uma grande vitória para o clima.

Seu objetivo é remover gradualmente os gases hidrofluorocarbonetos (HFCs), que são amplamente utilizados em refrigeradores, condicionadores de ar e aerossóis e são considerados muito prejudiciais para o meio ambiente.

Na verdade, em termos práticos, o acordado na conferência em Ruanda fará com que futuros refrigeradores sejam fabricados para usar menos gases que causam o efeito estufa.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PENUMA), os hidrofluorocarbonetos são um dos maiores agentes geradores de efeito estufa e têm uma vida atmosférica longa.

Os delegados que estão na cidade africana aceitaram uma alteração complexa do Protocolo de Montreal de 1987 que obriga os países mais ricos a reduzir a utilização de HFCs a partir de 2019.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que ajudou a concretizar o acordo durante uma série de reuniões, disse que foi uma grande vitória para a Terra e que estava confiante do impacto significativo na luta contra o aquecimento global.

Hidrofluorocarbonetos presentes no ar-condicionado têm efeito mais forte sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (Foto: Altaf Qadri/AP)Hidrofluorocarbonetos presentes no ar-condicionado têm efeito mais forte sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (Foto: Altaf Qadri/AP)

“Este é um passo monumental que responde às necessidades das nações em particular e nos dá a oportunidade de reduzir o aquecimento do planeta em meio grau centígrado”, disse Kerry em conversa com a BBC.

“Sinto-me muito positivo sobre onde nós estamos. Nós fizemos todos os cálculos e todos se sentem confiantes de que os fundamentos estão lá”, disse.

“É uma grande vitória para o clima. Demos um grande passo no sentido de concretizar as promessas feitas em Paris em dezembro”, disse o Comissário Europeu para a Energia e Ambiente, Miguel Arias Cañete.

Ricos primeiro
O novo acordo será composto de três padrões para diferentes países, pois o objetivo é que as nações ricas reduzam a utilização de hidrofluorocarbonetos de forma mais rápida do que as pobres:

“É um dia histórico, certamente,” disse Durwood Zaelke, membro do Instituto para o desenvolvimento sustentável e governabilidade (IGSD, na sigla em inglês), organismo que tem participado das negociações desde o Protocolo de Montreal.

“Nós viemos com a ideia de conseguir a redução intermediária e vamos partir de Kingali com cerca de 90% das modificações feitas”, disse o especialista.

Comprando tempo
Se o acordo for implementado na íntegra, vai fazer uma grande diferença no que diz respeito ao aquecimento global.

“Os hidrofluorocarbonetos representam uma ameaça imediata para a segurança do clima devido à sua crescente utilização e alto potencial de causar o aquecimento global, que é milhares de vezes maior do que o dióxido de carbono”, disse Benson Ireri, conselheiro sênior da organização britânica de ajuda humanitária Christian Aid.

“Ao acordar uma redução inicial de hidrofluorocarbonetos, estamos comprando um pouco mais de tempo para obter uma economia global de baixo carbono e para proteger as pessoas mais vulneráveis do mundo”, acrescentou.

O mercado
Os defensores insistem que o acordo alcançado em Kigali vai ficar sobre o fundamento posto pelo Acordo de Paris, que foi assinado por mais de 190 países e entrará em vigência no início de novembro. O acordo foi firmado com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a menos de 2 graus Celsius.

O acordo significa que refrigeradores utilizarão gases menos nocivos no futuro.

Também se destacam as conquistas do Protocolo de Montreal, que em seus 30 anos de história permitiu a eliminação de 100 gases fluorados.

A premissa é que quando o regulamento for aprovado, a indústria desenvolva rapidamente alternativas.

“O mercado vai inundar a Índia (que tem um prazo de adaptação mais longo) e isso fará com que o país faça a transição muito mais rapidamente do que tem sido planejado”, disse Durwood Zaelke.

“A eliminação gradual sempre conduziu a uma transição no mercado, levando os retardatários a se sentirem obrigados a se mover no ritmo do mercado.”

Questionamentos
Mas alguns críticos indicam que o compromisso teria um impacto menor do que o esperado.

Eles questionam as concessões dadas para Índia e China, porque elas, em sua opinião, enfraquecem o impacto global do acordo.

“Eles precisavam chegar a um acordo aqui para que parecesse como legado de Obama. É por isso que a delegação dos EUA tem sido muito agressiva para que China e Índia a adiram ao acordo”, disse Paula Tejon Carbajal, da ONG Greenpeace International.

“É um passo na direção (redução) de 0,5 grau, mas ainda não foi alcançado. Eles dizem que o mercado vai trabalhar para nos levar até lá, mas nós não estamos lá ainda”, acrescentou.

Nas primeiras horas do sábado havia um certo sentimento de júbilo entre os delegados quando o negócio foi anunciado.

“É muito importante o que aconteceu”, disse um participante, “mas poderia ter sido maior.”

O que é o efeito estufa?
O efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural que mantém a temperatura da Terra, ao reter parte da energia do sol. O aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) a partir da queima de combustíveis fósseis levou à intensificação do fenômeno eo consequente aumento da temperatura global, o derretimento do gelo polar eo aumento do nível do mar.

Fonte: G1.com

Ministério lança estratégia de redução das emissões de gases do efeito estufa


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Estoques de carbono florestal: estratégia
Foto: Arquivo/MMA

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lança nesta quarta-feira, 6 de abril, em Brasília, a Estratégia Nacional para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, Conservação dos Estoques de Carbono Florestal, Manejo Sustentável das Florestas e Aumento de Estoques de Carbono Florestal (Enredd+).

O evento incluirá apresentações e um debate entre representantes das instituições envolvidas no processo de amadurecimento do tema Redd+ no Brasil. O objetivo da estratégia é contribuir para a mitigação da mudança do clima por meio do combate ao desmatamento ilegal. Além disso, a Enredd+ aborda a conservação e a recuperação de ecossistemas florestais e tem por objetivo promover o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com benefícios econômicos, sociais e ambientais.

A estratégia nacional foi estabelecida com a publicação da Portaria do MMA nº 370, de 2 de dezembro de 2015. Um de seus objetivos é aprimorar o monitoramento e a análise de impacto das políticas públicas para o alcance dos resultados de REDD+, no sentido de contribuir para frear o aquecimento global de acordo com os dispositivos acordados na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

A estratégia contribuirá, ainda, para a mobilização de recursos internacionais em escala compatível com a meta nacional voluntária de corte de emissões até 2020

A Enredd+ também busca integrar as estruturas de gestão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima e dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento nos biomas, em consonância com as políticas voltadas para a mudança do clima, a biodiversidade e as florestas nos níveis federal, estadual e municipal. A estratégia contribuirá, ainda, para a mobilização de recursos internacionais em escala compatível com a meta nacional voluntária de corte de emissões até 2020.

Comissão
As ações serão acompanhadas pela Comissão Nacional para Redd+ (Conaredd). Instituído pelo Decreto nº 8.576, de 26 de novembro de 2015, o grupo tem a responsabilidade de coordenar, acompanhar e monitorar a implantação da Estratégia Nacional para Redd+. A comissão também tem a finalidade de coordenar a elaboração dos requisitos para o acesso a pagamentos por resultados de políticas e ações de Redd+ no Brasil, reconhecidos pela UNFCCC.

De acordo com o Decreto, a Conaredd+ é presidida pelo MMA e tem a participação da Casa Civil, dos ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda, do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da Secretaria de Governo da Presidência da República. A Comissão conta ainda com representantes sociedade civil organizada e dos governos estaduais e municipais indicados pelas associações competentes.

(Via Ministério do Meio Ambiente)

Fonte: EcoD

Termômetro do campo


O Brasil ganha um instrumento inovador para controlar as emissões rurais de carbono, tirar o agronegócio da condição de vilão do ambiente e aumentar as exportações.

Por Ricardo Arnt

A primeira ferramenta de mensuração das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária, o GHG Protocol Agropecuária, acaba de ser lançada no mercado, desenvolvida por uma parceria do World Resources Institute (WRI) com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Campinas (Unicamp). O instrumento oferece diretrizes, parâmetros e um programa específico para medir as emissões em empresas rurais, auxiliando a gestão do agronegócio e a expansão da agricultura de baixo carbono em novos mercados. Na prática, funciona como um termômetro de carbono.

Após dez anos de controle da febre de desmatamento da Amazônia (que chegou a desmatar 29 mil km2 num ano, em 1995), a agropecuária virou a segunda maior fonte de emissão de gases de efeito estufa (GEE) no país. Em 2012, o Brasil perdeu para a Indonésia o título constrangedor de campeão mundial do desmatamento, mas é o sétimo maior emissor de GEEs e assumiu compromissos globais para reduzir as emissões e preservar o clima e os recursos naturais, no âmbito do Protocolo de Kyoto.

O GHG Protocol é a ferramenta voluntária de gestão de gases-estufa mais usada no mundo, mas seus parâmetros foram estabelecidos em países de clima temperado. Talvez por isso, entre as 106 empresas brasileiras que já o adotam e publicam inventários de emissões regularmente, há apenas uma do setor de “agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura”. Agora, esse quadro pode mudar. 

Um grupo poderoso de exportadores – JBS Friboi, Duratex, Grupo Maggi, Marfrig, BP Biofuels e Bunge – ajudou a testar os critérios e os parâmetros para definir uma ferramenta de gestão de emissões para a agricultura tropical, considerando seus diferentes biomas, práticas de adubação e os tipos de pastagem do país. “A JBS foi convidada pelos fundadores do GHG, que sentiram a necessidade de criar uma metodologia exclusiva para o Brasil, baseada na agricultura e na pecuária de clima tropical”, confirma Márcio Nappo, diretor de sustentabilidade do grupo. “Sozinho, o setor já responde por um terço das emissões de todo o país”, ressalta.

De fato, “o Brasil consolidou-se como celeiro fornecedor de alimentos ao mundo, mas ao mesmo tempo estamos entre os maiores emissores de gases de efeito estufa”, ressalta Rachel Biderman, diretora do WRI-Brasil. “Considerando a redução das emissões com mudanças do uso da terra, devido à queda do desmatamento, a agropecuária está se tornando uma das maiores fontes de emissões e já produz 29,7% do CO2 bruto do país” (veja quadro acima). Neste ano é provável um novo recorde na produção de grãos e oleaginosas (como algodão, arroz, feijão, milho, soja e trigo). 

Controlar as emissões de GEE é um imperativo para sustar o aquecimento do planeta e expandir as exportações para a Europa e os Estados Unidos. Além disso, a gestão de emissões de gases proporciona aumento de competitividade das empresas, controle de riscos operacionais e de reputação, identificação de oportunidades de redução e sequestro de emissões, venda de créditos de carbono, conservação de energia, melhorias na qualidade do solo e no uso da água e aumento geral de produtividade. 

É importante, entretanto, que o sistema não se torne mais uma burocracia intransponível para o produtor rural. “Acho difícil, porque é fácil de usar. Trata-se de uma planilha Excel com 15 perguntas, baseadas no inventário de gases do Ministério de Ciência e Tecnologia, adaptadas para a realidade da nossa agricultura”, afirma o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa, que ajudou a formatar o termômetro de carbono agrário. “O fazendeiro vai respondendo e no final sabe quantas toneladas de CO2 produz ou sequestra.”

Várias práticas agropecuárias são geradoras de emissões. “Tem a fermentação entérica dos animais (a flatulência, produtora do gás metano), o cultivo do arroz, a queima de resíduos, a preparação dos solos com fertilização de nitrogênio e o cultivo de organossolos”, explica Biderman. “Também há emissões relativas a atividades associadas, como produção de energia e conversão de uso do solo, de floresta para pastagem ou de um tipo de lavoura para outro.”

Fronteira tecnológica

Poucos países no mundo estão em condições de atender à demanda crescente de alimentos num planeta que terá 9 bilhões de habitantes, em 2030. “O Brasil pode aumentar a atual colheita de 193 milhões de toneladas de grãos para 350 milhões, em 2050, sem desmatar nem mais um hectare”, afirma Assad. “Basta intensificar a agricultura, integrar lavoura, pecuária e floresta e disseminar o plantio direto.” O país já  desmatou cerca de 150.000 km2 de florestas, em parte cultivados e em parte degradados.

Hoje, as fronteiras agrárias estão no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, onde pastagens exauridas estão sendo substituídas por lavouras de soja e milho, e no chamado Bamatopi, a área de Cerrado da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí, que já responde por 10% da soja e 15% do milho produzidos no país. Pelo menos 50 mil km2 de pastagens degradadas podem abrigar sistemas integrados de lavoura- pecuária-floresta com tecnologia de sustentabilidade. “A agricultura sustentável é o maior aliado do meio ambiente. Podemos produ- zir mais com sistemas agroflorestais e preservar o que resta da Amazônia e do Cerrado”, diz Assad. 

Para os especialistas, a diversifi cação e a integração da produção agrícola, pecuária e florestal numa mesma propriedade, em rotação ou em cultivo consorciado, são a fronteira do aumento da competitividade no campo. Nos últimos 20 anos, as safras têm crescido mais do que o espaço ocupado por culturas, melhorando a produtividade do setor. Em Mato so, a Embrapa Agrossilvipastoril está calculando as emissões de GEEs dos vários sistemas de integração possíveis – lavoura-pecuária, lavoura-floresta, floresta- pecuária e lavoura-pecuária-floresta – para quantificar a cobrança de créditos de carbono. “Só na Amazônia já temos 19 sistemas agroflorestais formatados com rotação de grãos, pastagens e plantio de árvores definidos”, diz Assad. “O que nos falta é transferir tecnologia para o produtor e para a agricultura familiar, para além da classe média rural e das grandes empresas.” 

Para tanto, o governo lançou, em 2010, o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), que oferece subsídio e financiamento a juros baixos (4,5% ao ano), no Banco do Brasil e no BNDES, para recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura- pecuária-floresta, reflorestamento e redução das emissões de carbono. Vinte mil contratos já foram assinados. A meta é chegar a 70 mil.

Em maio, foi regulamentado o funcionamento da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) – a sucessora da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), extinta pelo governo Collor, em 1990, com a demissão – e o desperdício – de 1.500 extensionistas rurais. A missão da Anater é alavancar a assistência técnica rural e coordenar o Plano ABC. Mas a agência ainda está longe de funcionar, embora já tenha uma sede construída, em Jaguariúna (SP). Nem a diretoria foi nomeada.

Vanguarda ambiental

Ninguém duvida que a agricultura de baixo carbono possa aumentar  a vantagem competitiva do agronegócio tropical. Enquanto a Europa considera novidade o plantio direto (o sistema de manejo do solo que mantém os resíduos vegetais na superfície, garantindo fertilidade e proteção contra erosão), no Brasil ele já é a norma. Em junho, a revista americana Proceedings of the National Acadea m b i e n t e my of Sciences publicou um estudo afirmando que ao diminuir a aragem de terra (tornando- a mais clara e capaz de refletir a luz do sol), o sistema retém o carbono no solo e diminui a temperatura local em até 2ºC. “Eles estão muito atrasados”, observa Assad. “No Brasil, mais de 50% das propriedades já praticam formas de plantio direto para preservar o solo e controlar pragas.”

Em Chapadão do Céu, em Goiás, Carine Schneider, diretora do Grupo Wink, contou à PLANETA que sua empresa começou a fazer plantio direto em 1991 e logo avançou para a integração lavoura-pecuária. “Acoplamos uma caixa nas plantadeiras John Deere para, no momento em que plantamos milho, na entrelinha de uma carreira para outra, liberar semente de capim e plantar pastagem. Antigamente, as sementes eram lançadas ao solo de avião, mas o nosso sistema é muito mais eficiente.”

A Wink está interessada no GHG Protocol Agropecuário, mas teme pela sua operacionalidade. “Precisa ser algo claro, palpável e não burocrático. Precisamos aprender a inserir essa ferramenta em nossas atividades. Mas a renda dos créditos deve ficar mais na mão de quem trabalha para isso: o produtor," ressalta.

A empresa inscreveu quatro projetos no Plano ABC. “Encaminhamos mais dois este ano. Com os recursos, melhoramos nossos pastos, ampliamos a área de integração lavoura-pecuária e corrigimos melhor o solo, aumentando a produção”, afirma Schneider. “Acho que podemos avançar no mercado mundial porque teremos mais produto para comercializar produzido de maneira ambientalmente correta e economicamente mais viável.” 

O grupo Bunge, que atua com mais de 16 mil fornecedores no Brasil, dispõe de certificações ambientais nas áreas de biodiesel e de soja, mas os parâmetros e as metas não refl etiam a realidade da sojicultura brasileira. “Agora temos diretrizes feitas no Brasil, que vão acelerar a gestão agrícola para adequação a nichos mais exigentes do mercado”, ressalta Rodrigo Spouri, especialista em sustentabilidade do grupo.

André Nassar, diretor da consultoria Agroícone, acha que a ferramenta facilitará a produção rural. “A inovação não está no instrumento, mas na perspectiva de o setor começar a utilizar as emissões como fator de performance. É importante ter fornecedores de carne, cana-de-açúcar e soja com garantias de legalidade e conformidade ambiental. Quem emite menos deve ser premiado.” Rachel Biderman lembra que há disposição internacional para definir um novo acordo mundial com metas de redução de emissões na COP- 21, marcada para 2015, em Paris. “Daqui a dois ou três anos o Brasil pode aprovar leis de redução de emissões que afetem o agronegócio. O produtor rural que fizer antes a lição de casa sobre a sua pegada de carbono terá uma vantagem considerável.” 

A oportunidade está diante das empresas. Enquanto a Europa, apesar de possuir solos mais férteis, produz durante seis meses do ano, a agricultura tropical proporciona três colheitas e “safrinhas” durante o ano inteiro. Com a agricultura de baixo carbono, a vantagem tecnológica será intensificada. Num primeiro momento, o termômetro de GEE do campo poderá ser útil para 1 milhão de proprietários rurais médios e 500 mil grandes produtores.  Mas se chegar à agricultura familiar o patamar cresce. Há 5,6 milhões de propriedades rurais no país. 

 

 

 

Comida para o mundo

Em 2013 o agronegócio exportou US$ 100 bilhões e importou US$ 17 bilhões. O saldo positivo de US$ 83 bilhões ameniza o déficit comercial do país e estabiliza a economia. Este ano, a safra de grãos atingiu 193 milhões de toneladas. Em três décadas, ela deverá crescer 40% para atender à demanda de alimentos de um mundo com 9 bilhões de pessoas. Veja, ao lado, o que o Brasil produz e quem compra.

 

 

Fonte:Revista Planeta 

União Europeia se compromete a reduzir 40% de suas emissões até 2030


      

Bloco se adianta ao propor oficialmente corte para acordo do clima de Paris. Bloco se adianta ao propor oficialmente corte para acordo do clima de Paris.

A União Europeia (UE) deu a largada rumo ao acordo do clima de Paris nesta quarta-feira (25), ao tornar-se o primeiro bloco a colocar na mesa sua proposta de redução de gases de efeito estufa para o novo tratado global, a ser implementado em 2020. Um documento divulgado pela Comissão Europeia detalha a visão dos 27 países sobre o novo regime climático e diz o que os europeus estão dispostos a fazer.

A chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC) da UE chega um mês antes do prazo informal dado pelas Nações Unidas para os países desenvolvidos apresentarem seus números. Traz também um avanço ao propor que o novo acordo, que os europeus já estão chamando de Protocolo de Paris, tenha força de lei internacional. Porém, ainda faz pouco para colocar o mundo na trajetória segura de limitar o aquecimento global no fim deste século a 2 °C, objetivo almejado pelos membros da Convenção do Clima da ONU, com base nas recomendações da ciência.

A INDC europeia propõe reduzir as emissões dos 27 países do bloco “em pelo menos 40%” até 2030 em relação aos níveis de 1990, sem a compra de créditos de carbono de fora. Segundo o documento da Comissão Europeia, isso colocaria a UE numa trajetória “economicamente viável” de cortar 80% de suas emissões até 2050, permitindo uma chance “provável” de ficar dentro do limite de 2 °C.

Na linguagem estatística do IPCC, o painel do clima da ONU, “provável” significa uma chance de pelo menos 66%.

“Os europeus merecem crédito por terem sido os primeiros a fazer o anúncio, mas sua oferta está aquém do que seria sua contribuição justa ao esforço mundial de redução de emissões”, diz Mark Lutes, analista sênior de clima do WWF, uma das organizações integrantes do Observatório do Clima. “Estamos dizendo que o mundo precisa reduzir a zero as emissões de queima de combustíveis fósseis e chegar a 100% de energia renovável até 2050; e a proposta europeia não chega lá.” No entanto, ressalta Lutes, os europeus deixaram a porta aberta para revisões periódicas dos compromissos a partir de 2020, algo que o Brasil tem defendido nas negociações.

“Esperamos que a UE ainda possa aumentar sua contribuição à luz do que a ciência diz que é necessário fazer para evitar o caos climático”, diz o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. “Da mesma forma, esperamos que o Brasil não fique dependendo disso para colocar na mesa um compromisso de redução de emissões ambicioso e proporcional a sua responsabilidade. Para o Brasil, fazer a coisa certa no clima representa oportunidade de recolocar a economia nos eixos, e nós não podemos deixar essa oportunidade passar só porque outros países estão fazendo menos do que deveriam.”

“O Brasil é um dos países com mais oportunidades para redução de emissões e tem tudo para assumir um papel de protagonismo, estimulando os outros países a aumentarem a ambição do novo acordo global”, afirma o gerente de estratégias da conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti.

 

Fonte: CicloVivo

Obama e Hollande lançam chamada por acordo internacional sobre mudanças climáticas


                    

Os dois presidentes François Hollande e Barack Obama assinaram uma coluna em comum publicada pelo The Washington Post e pelo jornal Le Monde no dia 11 de fevereiro. Eles reafirmam seus objetivos de alcançar um “crescimento forte, durável e equilibrado” e anunciaram um acordo internacional de luta contra mudanças climáticas, focado sobre o objetivo de redução das emissões de gases do efeito estufa.

O crescimento consiste, portanto em um objetivo centralizado entre os Estados Unidos e a França. Esse objetivo de renascimento da economia procede da vontade de criar empregos e de estimular a inovação, particularmente sobre o domínio da energia “baseada no carbono”. O apoio de países em desenvolvimento ajudará “a se voltarem para as fontes de energia com baixo uso de carbono”.

A luta contra as mudanças climáticas constituirá de fato uma das metas principais da cooperação franco-americana. Essa ação se manifestará pelos esforços dirigidos para redução de emissões de gases contribuintes ao efeito estufa, que deverão ser concretizadas por um acordo internacional, reunindo preferencialmente mais países com a finalidade de compartilhar “o peso e o preço da liderança”.

Um acordo será talvez confeccionado, na conferência de Paris sobre o clima, a ser realizada no próximo ano. É o sucessor do Protocolo de Kyoto, de 1997, que continua a ser o único acordo internacional para combater as emissões de CO2. Este protocolo ainda não foi ratificado pelos Estados Unidos.

François Hollande optou por não pronunciar sobre as metas francesas em matéria de redução da frota nuclear. Concentrando seus esforços na redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE), uma questão ainda particularmente aguda na escolha da estratégia energética francesa. Uma eventual extensão ou possível renovação da frota nuclear francesa ainda é de relevância pertinente.

Fonte: http://www.actu-environnement.com/ae/news/Obama-Hollande-changement-climatique-appel-20739.php4
Publicado em: 11 de fevereiro de 2014.
Autor: Pierre Emmanuel Bouchez.
Tradução: Matheus Lima

 

2013 é sexto ano mais quente da história — e vem mais calor


Temperatura global do ano de 2013 é consistente com a tendência de aquecimento de longo prazo, diz Organização Meteorológica Mundial (OMM)

2013 ficou entre os dez anos mais quentes desde que os registros modernos começaram em 1850, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), nesta quarta-feira (5).

Ao lado de 2007, o ano passado foi considerado o sexto mais quente, com temperatura média da superfície global cerca de 0,50 ° C acima da média de 1961-1990, e 0,03 °C a cima da média registrada entre 2001 e 2010.

Treze dos 14 anos mais quentes já registrados na história ocorreram no século 21. Os recordes são de 2010 e de 2005, com temperaturas globais cerca de 0,55 ° C acima da média, seguido por 1998, marcado por um evento excepcionalmente forte de El Niño.

Os eventos El Niño e La Niña são os principais motores da variabilidade natural do clima. Mas o que causou surpresa na OMM é que, em 2013, nenhum dos dois fenômenos foram registrados.

Século febril

É bom preparar os bisnetos para lidar com o calorão. "A temperatura global para o ano de 2013 é consistente com a tendência de aquecimento de longo prazo", disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

"A taxa de aquecimento não é uniforme, mas a tendência é inegável. Dadas as quantidades recordes de gases de efeito estufa na nossa atmosfera, as temperaturas globais continuarão a subir para as gerações vindouras", disse Jarraud.

"A nossa ação – ou inação – para reduzir as emissões de dióxido de carbono e outros gases que retêm o calor irão moldar o estado do nosso planeta para nossos filhos, netos e bisnetos", disse Jarraud.

A temperatura da superfície é uma das variáveis de tempo e clima mais familiares e consistentemente medidas, e tem conexão direta com as mudanças climáticas a longo prazo. Mas é apenas parte de um quadro muito mais amplo.

Ainda neste mês, a OMM divulgará o Estatuto do Clima em 2013, que trará mais detalhes de temperaturas regionais, precipitação, inundações, secas, ciclones tropicais, a cobertura de gelo e do nível do mar.

Fonte: Exame.com