Realizado em Madri, COP25 alcança acordo mínimo sobre mudança climática


Acordo foi firmado em Madri na manhã deste domingo (15) (AFP)

A comunidade internacional alcançou, neste domingo (15), um acordo mínimo na COP25, realizada em Madri, longe de responder firmemente à urgência climática, conforme reivindicado pela ciência e pela sociedade civil.

Após duas semanas de negociações, a conferência da ONU concordou em pedir aos países que aumentem suas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no próximo ano, o que é essencial para tentar conter o aquecimento a menos de 2 graus, mas não emitiu nenhum sinal forte de que intensificará e acelerará a ação climática.

“Parece que a COP25 está desmoronando. A ciência é clara, mas é ignorada”, tuitou durante a noite a jovem ativista climática Greta Thunberg, que inspirou milhões de jovens a exigir medidas radicais e imediatas para limitar o aquecimento global.

“Aconteça o que acontecer, não vamos desistir. Estamos apenas começando”, acrescentou a adolescente sueca, estrela desta conferência climática da ONU.

A COP25 deveria, teoricamente, terminar na sexta-feira à noite, mas as grandes divisões sobre assuntos importantes, como ambição e financiamento, ainda não permitiram alcançar um compromisso.

No sábado, uma proposta de texto da presidência chilena foi recusada muitos países, por razões às vezes diametralmente opostas, alguns exigindo mais audácia, outros arrastando os pés.

“Não podemos dizer ao mundo que estamos diminuindo nossas ambições na luta contra as mudanças climáticas”, insistiu o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Esta manhã, uma nova versão se mostrou mais consensual.

A ministra espanhola da Transição Ecológica, Teresa Ribera, facilitou grande parte das negociações, uma tarefa aplaudida por seus colegas e chamada de “heroica” pela francesa Laurence Tubiana, uma das arquitetas do Acordo de Paris.

Seu “apoio nas últimas horas contribuiu para obter um resultado mínimo necessário para 2020”, junto com uma “aliança progressista de pequenos Estados insulares, países europeus, africanos e latino-americanos”, disse.

No atual ritmo de emissão de gases do efeito estufa, a temperatura pode aumentar até 4 ou 5 graus até o final do século. Mesmo que os cerca de 200 signatários do Acordo de Paris respeitem seus compromissos, o aquecimento global seria superior a 3 graus.

Todos os estados deverão apresentar até a COP26 de Glasgow uma versão revisada de seus compromissos. Nesta fase, cerca de 80 países se comprometeram a apresentar um aumento de suas ambições, mas eles representam apenas cerca de 10% das emissões globais, e quase nenhum dos maiores emissores, China, Índia ou Estados Unidos, parece querer se juntar a este grupo.

Somente a União Europeia “endossou” esta semana em Bruxelas o objetivo de neutralidade de carbono até 2050. Mas sem a Polônia, muito dependente do carvão. E os europeus ainda vão levar meses para decidir sobre um aumento de seus compromissos para 2030.

A regulamentação dos mercados de carbono, o último capítulo em aberto sobre as regras do Acordo de Paris que não pôde ser resolvido na COP24 pela oposição do Brasil, foi novamente adiada.

O Brasil e, desta vez também a Austrália, foram novamente acusados de buscar uma “contagem dupla”, ou seja, uma contagem de redução nas emissões mesmo quando as vende, o que anularia o objetivo do mecanismo.

A delegação brasileira se mostrou “desapontada” por não ter chegado a um acordo, mas preferiu ver o “copo meio cheio” com a perspectiva de continuar negociando.

“Chegamos muito perto”, lamentou a ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt, presidente desta COP.

O resultado em Madri reflete uma “resistência” ao avanço. “Se essa situação não mudar” antes da COP26 no final de 2020 em Glasgow (Escócia), o objetivo de limitar o aquecimento “será quase impossível”, disse Alden Meyer, um observador veterano.

Para Sébastien Treyer, diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais, os bloqueios, além das diferenças inevitáveis, “são um sintoma de um estado geral de polarização e não cooperação entre os países”.

AFP

Comunidade internacional se aproxima do fracasso nas negociações climáticas


Ativistas protestam em Madri em 13 de dezembro de 2019 (AFP)

A comunidade internacional parecia neste sábado destinada a dar um passo atrás em seus esforços contra o aquecimento global, apesar dos apelos urgentes da ciência por ações para proteger o futuro das novas gerações.

Após uma noite de negociações, os quase 200 países que participam na 25º Conferência da ONU sobre a Mudança Climática em Madri estão mais divididos do que nunca.

“Inaceitável”, afirmaram os representantes de vários países a respeito do rascunho de acordo apresentado pela presidência chilena da COP25, reunião que deveria ter acabado na sexta-feira.

“A solução que propomos é equilibrada em seu conjunto”, disse, no entanto, a ministra chilena do Meio Ambiente, Carolina Schmidt.

Ante a urgência climática anunciada pelos cientistas e a pressão da sociedade civil cada vez mais mobilizada, a comunidade internacional precisa demonstrar em Madri sua disposição a elevar a “ambição” em 2020, ou seja, as metas de cada país de redução de emissões de gases do efeito estufa.

Os objetivos determinados no Acordo de Paris em 2015 são insuficientes para conseguir limitar o aquecimento a +1,5 ºC, um limite que de acordo com os cientistas permitira conter os efeitos devastadores.

Mas após duas semanas de negociações e apelos a favor da ação liderados pela jovem ativista sueca Greta Thunberg, o rascunho do acordo não reflete a necessidade de reforçar as metas de redução das emissões no próximo ano.

“É impossível sair desta COP sem uma mensagem forte sobre a ambição”, afirmou em nome da União Europeia (UE) a ministra finlandesa do Meio Ambiente, Krista Mikkonen.

“É algo que as pessoas nos pedem e devemos atender a seu apelo”, completou.

Os países insulares e mais vulneráveis à mudança climática denunciaram um passo atrás.

“Todas as referências à ciência perderam força, todas as referências a elevar a ambição desapareceram. Parece que preferimos voltar ao passado”, criticou Carlos Fuller, negociador de um grupo de 44 Estados insulares, que enfrentam uma ameaça existencial pelo aumento do nível do mar.

México, Argentina e Uruguai denunciaram que o rascunho atual retirou as referências à importância de levar em consideração os direitos humanos e os dos indígenas nas ações para lutar contra o aquecimento

ONGs e observadores também criticaram o progresso das negociações.

“A presidência chilena tem uma tarefa: proteger a integridade do Acordo de Paris e não permitir que o cinismo e a ganância o enterrem”, afirmou a diretora do Greenpeace International, Jennifer Morgan. “Mas até agora fracassou”, disse.

“Este é o pior texto que vi em todas as negociações climáticas. Será uma traição para as pessoas de todo o mundo, da mesma maneira que o governo chileno está traindo seus cidadãos em casa”, declarou o diretor da ONG Power Shift Africa, Mohamed Adow, em referência aos protestos sociais no país latino-americano.

“Nos últimos 25 anos, eu nunca vi esta desconexão quase total entre o que a ciência e as pessoas no mundo pedem e o que os negociadores climáticos estão conversando”, afirmou Alden Meyer, observador veterano das negociações.

– Novas objeções do Brasil –

O Brasil, que desde o ano passado trava uma batalha que impede a aprovação do capítulo essencial dos mercados de carbono – um sistema de troca de emissões entre países – expressou objeções neste sábado a respeito de outro assunto.

O país considerou “inaceitável” qualquer referência no recente relatório do grupo de especialistas da ONU sobre o clima que alertou para a superexploração da terra, principalmente devido às práticas agrícolas.

No ritmo atual, a temperatura mundial poderia aumentar até 4 ou 5 ºC no fim do século em comparação com a era pré-industrial.

A ONU considera que é necessário reduzir as emissões em 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, mas estas registraram alta em 2019 no mundo.

AFP

COP25 entra em semana decisiva sem sinais de ação ambiciosa


Conferência de imprensa de jovens ativistas pelo clima (AFP)

A segunda semana da 25ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas começa em Madri nesta segunda-feira, com uma enorme lacuna entre as expectativas dos defensores do clima e as intenções dos países mais emissores de gases de efeito estufa.

Os jovens gritam sua raiva, o chefe da ONU repete os avisos cada vez mais preocupantes, mas na COP25 os sinais de uma resposta ambiciosa dos países mais responsáveis pelas mudanças climáticas são fracos.

A lacuna até “cresceu”, estima Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace Internacional. “A paralisia dos governos é incrivelmente perturbadora”.

Desta forma, nenhum dos grandes emissores deve fazer um anúncio significativo sobre suas ambições. Obviamente, nem os Estados Unidos que formalizaram sua retirada do pacto climático no próximo ano, nem a China, a Índia, o Japão ou mesmo a União Europeia, que concentra todas as esperanças.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, foi mais claro do que nunca na abertura desta COP. “Esperamos um movimento profundo da maioria dos países do G20, que representam três quartos das emissões globais”, disse aos cerca de 200 signatários do Acordo de Paris, pedindo em particular o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e descarbonização de setores-chave da energia e transporte.

Mas o Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento a um máximo de +2 graus, prevê que os Estados revisem seus compromissos de redução de emissões somente em 2020, enquanto a maioria deles se concentra na COP26 em Glasgow.

“O grande evento será a COP26, mas não podemos esperar mais”, insistiu a jovem ativista climática Greta Thunberg, que chegou a Madri na sexta-feira e arrastou milhares de manifestantes pelas ruas.

A cinco dias para o final da reunião, “os sinais não são bons”, comentou Alden Meyer, da Union for Concerned Scientists, observadora de longa data das negociações climáticas.

Para China, Índia ou Japão, “se decidirem agir, será mais próximo da COP26”, disse. Quanto à UE, é em Bruxelas que ações podem ser adotadas em uma cúpula na quinta e sexta-feira.

“Recuo”

Enquanto isso, cerca de 70 países comprometidos em aumentar suas ambições de reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2020 se reúnem em Madri na quarta-feira.

Novos membros poderiam se unir a essa aliança, que representa apenas 8% das emissões globais, mas nenhum grande emissor, prevê Alden Meyer.

Neste contexto, muitos contam com o engajamento do setor privado. Um grupo de mais de 600 investidores institucionais que administram cerca de US$ 37 trilhões pediu nesta segunda-feira o fim do carvão e mais ambições dos Estados.

Mas para as regiões na linha de frente dos impactos já devastadores das mudanças climáticas, tudo isso está longe de ser suficiente.

“Algumas partes influentes dificultam os esforços para responder à emergência climática”, disse Janine Felson, representante do grupo dos 44 Estados insulares.

“Vimos recuos de nossos parceiros desenvolvidos” em matéria de “perdas e danos”, lamentou Sonam P. Wangdi, que preside o grupo dos Países Menos Avançados.

De acordo com um relatório recente do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, as famílias rurais de Bangladesh gastam US$ 2 bilhões por ano para reparar os danos causados por ciclones e outros eventos extremos.

AFP

Mesmo não sendo sede, Brasil terá papel importante em debate climático da COP25


Bolsonaro disse durante a campanha no ano passado que o país desistiria do Acordo de Paris, mas depois voltou atrás. (Valter Campanato/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O Brasil pode ter desistido de sediar a cúpula climática da Organização das Nações Unidas (ONU) este ano, mas o país ainda assumirá um papel de liderança na negociação dos mecanismos necessários para implementar o Acordo de Paris, afirmou nesta terça-feira (15) seu principal negociador climático.

Logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro no ano passado, ele cancelou os planos do Brasil de sediar a conferência sobre mudanças climáticas COP25. A cúpula será realizada no Chile em dezembro.

Na reunião, os países tentarão estabelecer os detalhes finais sobre como implementar o Acordo de Paris de 2015, que visa limitar o aquecimento global de 1,5 a 2 graus Celsius para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

Leonardo Cleaver de Athayde, o principal negociador climático do Ministério das Relações Exteriores, disse em uma audiência no Congresso que o Brasil será protagonista de muitos dos principais pontos de negociação, incluindo regras para mercados de carbono e financiamento para países em desenvolvimento.

Athayde afirmou que os países desenvolvidos deveriam se lembrar de que desempenharam um papel maior na causa da mudança climática e, portanto, deveriam assumir mais responsabilidade na resolução.

“Isso é um aspecto central do regime, sempre foi, do regime da mudança do clima, um reconhecimento das responsabilidades históricas dos países desenvolvidos e das nações mais industrializadas pelas emissões de gases do efeito estufa”, declarou ele.

Ele alertou os países desenvolvidos para não esquecerem os compromissos assumidos antes do Acordo de Paris, observando que a promessa de mobilizar US$ 100 bilhões em financiamento anual para apoiar as iniciativas climáticas dos países em desenvolvimento até 2020 ainda não se concretizou.

“Há essencialmente um grande desafio que o regime da mudança do clima está enfrentando e continuará enfrentando nos próximos anos. Nós temos percebido que há infelizmente da parte de muitos atores uma tendência… de agir como se de fato a partir da adoção do Acordo de Paris, tudo que veio antes deixou de existir.”

O Brasil estabeleceu metas ambiciosas para reduções de gases de efeito estufa sob o Acordo de Paris, comprometendo-se a reduzir as emissões em 37% até 2025, em comparação com os níveis de 2005, com um compromisso mais amplo de elevar esses valores para 43% até 2030.

Bolsonaro disse durante a campanha no ano passado que o país desistiria do Acordo de Paris, mas depois voltou atrás. Athayde confirmou que as metas do país permanecem inalteradas sob o novo governo.

Bolsonaro, no entanto, nomeou céticos climáticos para posições-chave, como o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Reuters

‘Rebelião Internacional’ contra mudanças climáticas toma cidades do mundo


Ativistas pelo clima do grupo Extinction Rebellion protestam em Nova York, com sangue falso no touro de Wall Street. (Mike Segar/Reuters)

Militantes do movimento ecologista de desobediência civil Extinction Rebellion (XR) iniciaram ações no mundo todo, de Sydney e Nova York a Londres e Paris, para protestar contra a falta de ação ante as mudanças climáticas. O XR nasceu no final de 2018 no Reino Unido por iniciativa de um grupo de ativistas e acadêmicos que estimulam a desobediência civil não violenta. Hoje diz ter 500 grupos em 72 países.

Os protestos que devem durar duas semanas, estão programadas, sob o nome “Rebelião Internacional”, ações em 60 cidades do planeta, entre elas Madri, Viena, Amsterdã, Buenos Aires, México, Rio de Janeiro e Bogotá.

Eles contam com o apoio de Greta Thunberg, a adolescente sueca que inspirou os protestos de estudantes em defesa do meio ambiente. Pedem que se declare “emergência climática” e que os governos estabeleçam para 2025 o objetivo de alcançar a neutralidade nas emissões de gases causadores do efeito estufa.

Sua principal forma de protesto consiste em bloquear acessos, seja de tráfego, seja aos prédios, às vezes dando-se as mãos para formar correntes humanas, ou simplesmente sentando no chão. Participam destes atos centenas de “voluntários prontos para serem detidos”.

Em Nova York, cerca de 200 manifestantes se reuniram no Battery Park para realizar uma “procissão fúnebre” até Wall Street, onde jogaram sangue falso na icônica estátua do touro, Charging bull. “Precisamos de imagens como esta para conseguir a atenção das pessoas”, disse James Comiskey, de 29 anos, enquanto participava da marcha carregando um caixão feito de papelão. Cerca de 30 manifestantes foram presos. No Canadá, dezenas de pessoas bloquearam estradas em Toronto, Halifax e Edmonton.

Prisões na Europa

Um total de 215 pessoas foram presas em Londres, onde os manifestantes bloquearam muitas ruas e protestaram em vários pontos próximos ao Parlamento e à sede do governo, em um ambiente festivo.

Dançando ao ritmo de tambores, centenas de ativistas, muitos com crianças pequenas, se reuniram perto de Downing Street com cartazes que diziam “O futuro pertence à próxima geração”.

“Há muito mais policiais e claramente vão tentar impedir que o Extinction Rebellion ocupe o lugar durante dias”, disse um ativista, Mike Buick, fabricante de móveis de 40 anos, comparando esta ação com as realizadas em abril, quando o XR manteve a capital britânica colapsada durante 11 dias de protestos que resultaram em mais de 1,1 mil prisões.

Paris se somou ao protesto global bloqueando uma ponte e uma plataforma sobre o Sena. “Nossos governos não fazem nada, ou mentem”, disse uma jovem de 27 anos que participava da mobilização e se identificou como Aurora.

Em Madri, cerca de 200 jovens fantasiados e maquiados para representar catástrofes naturais como a “desertificação”, “as inundações” ou “os incêndios” se reuniram em frente ao Ministério para a Transição Ecológica, onde instalaram barracas com a intenção de acampar.

Chegou a hora de realizar “medidas de pressão muito mais contundentes, só uma revolução global, maciça, e com a desobediência civil não violenta pode gerar as mudanças necessárias para nossa sobrevivência”, afirmou Mabel Moreno. Mais de 90 manifestantes foram detidos em Amsterdã, informou a polícia da cidade holandesa, onde os ativistas afirmavam sua determinação de lutar contra a inação.

Em Viena a polícia também prendeu 75 pessoas por bloquearem uma das principais artérias do centro da cidade. “Vamos tentar fazer isto a semana inteira, o ano inteiro, enquanto eles (o governo) não agirem”, disse Shirleen Chin, de 34 anos. “Acreditam que isto não é normal, mas vai se tornar a nova normalidade”, acrescentou.

Em uma manhã gelada, também centenas de manifestantes se reuniram na “grande estrela” de Berlim, uma das principais rotatórias da cidade, equipados com mantas e sacos de dormir. E no parque entre o Parlamento alemão e a sede do governo foi instalado um “acampamento climático” que durante a semana organizará grupos de trabalho e reuniões de informação.

Também no hemisfério sul

Muitos países africanos participavam também com mobilizações, como na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde meia centena de pessoas marcharam pelo centro com um grande cartaz amarelo que dizia “Emergência climática ecológica”, e os manifestantes deitaram no chão simulando estar mortos. “Fazemos isso para sublinhar a ameaça de extinção se não mudarmos nossos hábitos”, afirmava Jade Vester, estudante de 20 anos.

Marcando o início da “Rebelião Internacional”, na Austrália os ativistas se reuniram na escadaria do Parlamento em Melbourne, antes de desfilarem pelas ruas da cidade. E em Wellington, a capital neozelandesa, vários militantes se acorrentaram a um carro rosa, o que provocou perturbações no centro.

AFP

Mudanças climáticas terão forte efeito sobre chuvas no Brasil e na América Latina


Mudanças climáticas terão forte efeito sobre chuvas no Brasil e na América Latina, diz FAO

Mudanças climáticas devem provocar importantes alterações no padrão da chuva em países latino-americanos, disse a FAO. Foto: EBC

Mudanças climáticas devem provocar importantes alterações no padrão da chuva em países latino-americanos, disse a FAO. Foto: EBC

O clima e a agricultura na região da América Latina e do Caribe não serão mais os mesmos com os efeitos das mudanças climáticas: os prognósticos indicam que no fim do século 21 haverá uma grande variação no nível de precipitações na América do Sul, com mudanças heterogêneas — enquanto no Nordeste brasileiro estima-se que haverá uma redução de 22% das chuvas, em áreas do sul-oriente da América do Sul se espera um aumento de 25%.

A conclusão consta nos relatórios “O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação (SOFA, na sigla em inglês)” e “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe”, publicados na segunda-feira (17) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo a FAO, as alterações no padrão das chuvas terá importantes efeitos sobre a agricultura latino-americana e caribenha, e será cada vez mais difícil realizar colheitas, criar animais, gerir florestas e pescar nos mesmos locais e da mesma forma que anteriormente.

“Dado que a mudança climática altera os padrões das chuvas e a disponibilidade de água, a capacidade para enfrentar a escassez ou os excedentes de água será fundamental nos esforços para melhorar a produtividade de forma sustentável”, disse o relatório.

O relatório destacou o risco de perda de superfície das florestas da região, que se transformarão em savanas, destacando que a Amazônia enfrentará risco de incêndios frequentes. Na América Central, as mudanças climáticas colocam 40% das espécies de manguezais em ameaça de extinção.

Conversão de florestas

O documento da agência da ONU alertou também para a crescente conversão de florestas latino-americanas e caribenhas em terras para a agricultura ou pecuária, o que representa a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa na região.

A redução do desmatamento é a principal frente de combate às mudanças climáticas na América Latina, enquanto a pecuária e a agricultura são os setores que mais degradam as florestas da região, contribuindo para a emissão de gases do efeito estuda, segundo a organização.

Segundo o relatório, as três principais fontes de emissões de gases de efeito estufa da agricultura em 2014 na América Latina e no Caribe foram a fermentação entérica (58%) — o gás produzido nos sistemas digestivos dos ruminantes —, o estrume deixado nas pastagens (23%) e os fertilizantes sintéticos (6%).

Por esse motivo, a FAO faz um chamado global para que os governos implementem transformações rápidas nos sistemas alimentares e agrícolas para lidar com as mudanças climáticas. A agência da ONU também recomendou avançar em estabelecer compromissos nacionais de erradicação da fome e da pobreza.

De acordo com a FAO, essas transformações incluem práticas como o uso eficiente dos fertilizantes, a promoção de dietas que não estejam baseadas em produtos de origem animal, pois sua produção exerce uma forte pressão sobre os recursos naturais, a redução das perdas e desperdícios de alimentos e o apoio aos pequenos agricultores.

Efeitos na agricultura

O relatório apontou que as mudanças climáticas vão afetar os cultivos e a pecuária da região de diferentes maneiras. Também se verificará maiores secas dos solos e aumento da temperatura vai reduzir as produtividades nas regiões tropicais e subtropicais.

Além disso, se espera uma maior salinização e desertificação em áreas áridas do Chile e do Brasil, enquanto a agricultura de sequeiro em áreas semiáridas vai enfrentar perdas de colheitas.

A FAO também faz o prognóstico de que as mudanças climáticas vão provocar a diminuição da produção primária no Pacífico tropical e algumas espécies de peixes vão se trasladar em direção ao sul. A maior frequência das tempestades, furacões e ciclones vão prejudicar a aquicultura e a pesca do Caribe, e as mudanças na temperatura podem alterar a fisiologia das espécies de peixes de água doce e gerar o afundamento dos sistemas dos arrecifes de corais.

Ameaças à luta contra a fome

Um relatório complementar ao SOFA, denominado “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe”, publicado na segunda-feira (17) pelo Escritório Regional para América Latina e Caribe da FAO, apontou que as mudanças climáticas podem afetar as quatro dimensões da segurança alimentar e ameaçar as grandes conquistas que a região vem alcançando na luta contra a fome e a pobreza.

As mudanças climáticas podem afetar a estabilidade da segurança alimentar devido a uma maior incerteza em relação ao desempenho produtivo das atividades agrícolas, a renda das famílias e os preços dos alimentos.

No caso da disponibilidade, as mudanças climáticas podem afetar diretamente a produção alimentar, com a possível diminuição da quantidade física e variedade de alimentos disponíveis. Choques climáticos em grandes áreas produtoras poderiam ter severas implicações no comércio, chegando a afetar a oferta internacional de alimentos.

Além disso, as mudanças climáticas podem incidir na dimensão de acesso da segurança alimentar e nutricional, com variações bruscas da renda das famílias dependentes do setor agrícola ou no caso de uma redução da demanda de mão de obra assalariada para as tarefas agrícolas, repercutindo em sua capacidade de comprar alimentos.

As alterações no clima podem ainda incidir na dimensão de utilização, gerando mudanças importantes nas dietas da população, por uma oferta e ingestão alimentar pouco variada e afastada de padrões alimentares saudáveis, o que levaria a consequências negativas na nutrição.

Fonte: ONUBR

ONU pede adaptação da agricultura para evitar fome por mudança climática


Terra

A ONU chamou a atenção na sexta-feira para que sejam empreendidas ações urgentes que permitam adaptar a agricultura às mudanças do clima no planeta e evitar que este fenômeno cause mais crises de fome em um mundo onde quase 800 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer.

Já que o Dia Mundial da Alimentação cairá este ano no próximo domingo, as agências das Nações Unidas em Roma aproveitaram a jornada desta sexta-feira para destacar que a agricultura e a alimentação terão que passar por adaptações por causa das mudanças climáticas.

Também se reuniram na capital italiana os representantes de 50 cidades para impulsionar um pacto em favor de políticas alimentares sustentáveis.

Durante a cerimônia central, o diretor da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou que as secas não podem ser evitadas, mas que é possível impedir que elas levem a crises de fome “se forem tomadas as medidas apropriadas”.

Diante de fenômenos naturais extremos cada vez mais frequentes, como o último furacão Matthew que destruiu parte do Haiti, Graziano indicou que a adaptação e a mitigação dos efeitos da mudança climática são “fundamentais”, especialmente para os pequenos agricultores, que necessitam ter acesso às inovações tecnológicas e aos programas sociais, entre outros recursos.

Calcula-se que mais de 80% da população que passa fome vive em países que sofrem desastres naturais e degradação ambiental.

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, considerou que, assim como a imigração, a pobreza e a fome são questões políticas que devem ser abordadas com “valores” e sem cair nos “egoísmos nacionais”.

Precisamente, o papa Francisco afirmou em mensagem lida pelo observador permanente da Santa Sé na FAO que as instituições nacionais e internacionais devem agir com “solidariedade” para garantir uma distribuição justa dos alimentos, “até quando a lógica do mercado segue outros caminhos”.

“Da sabedoria das comunidades rurais podemos aprender um estilo de vida que pode ajudar a nos defendermos da lógica do consumo e da produção a qualquer custo”, disse o papa, que denunciou o abandono que sofrem muitos camponeses, pescadores e criadores de gado afetados pela mudança climática.

Justo quando faltam algumas semanas para a próxima cúpula do clima em Marrakech, no Marrocos, a princesa deste país, Lalla Hasnaa, insistiu que agora os países devem cumprir o pacto que assinaram no ano passado em Paris e ajudar o continente africano a desenvolver sua agricultura e a melhorar sua segurança alimentar.

Além disso, os presentes no ato destacaram a necessidade de se erradicar a fome no mundo todo com medidas concretas e, assim, cumprir com um dos objetivos incluídos na agenda para o desenvolvimento sustentável estabelecida pela comunidade internacional para 2030.

Com políticas destinadas a reduzir o esbanjamento de alimentos, melhorar a nutrição da população e fomentar a agricultura urbana, cerca de 130 cidades de todo o mundo se uniram para desenvolver um pacto que foi assinado no ano passado em Milão, explicou o prefeito desta cidade italiana, Giuseppe Sala.

Responsáveis de quase 50 dessas cidades se reuniram em Roma para seguir trocando experiências em forma de rede.

Sala detalhou alguns esforços que estão sendo realizados para que os refeitórios escolares da cidade sejam abastecidos com alimentos produzidos em áreas próximas, para que as grandes cadeias possam redistribuir os excedentes de comida e para que haja água potável e alimentos saudáveis para todos.

Nas cidades, que ocupam apenas 3% da superfície terrestre, vive mais da metade da população mundial, o que influi fortemente no comércio de alimentos e na cadeia produtiva.

Fonte: ecoinformação

Variedade de sementes é estratégia para enfrentar mudanças climáticas


Esta notícia está associada ao Programa: Vale do Ribeira

Com apoio do ISA e parceiros, comunidades quilombolas do Vale do Ribeira promovem feira de sementes para fortalecer sua agricultura tradicional e enfrentar as alterações do clima


As mudanças climáticas já fazem parte do dia a dia dos quilombolas do Vale do Ribeira. As comunidades negras, descendentes de escravos, que há mais de 100 anos vivem nessa região entre São Paulo e Paraná, contabilizam os impactos que as alterações no clima estão trazendo para suas vidas: o excesso de chuvas, as temperaturas muito baixas ou picos de calor intenso têm prejudicado os preparativos para iniciar o plantio nas roças, por exemplo.

"A gente começa o preparo para o plantio de milho, feijão e mandioca em junho. Mas este ano o frio foi pior, teve geada e ainda não esquentou”, diz Zeni de França da Rosa, liderança do quilombo São Pedro, em Eldorado. "Julho está no fim, o frio continua e por isso nenhum plantio começou, tá tudo atrasado", completa.

As adaptações e enfrentamento às mudanças climáticas estão no centro da programação da Feira de Troca de Sementes e Mudas, que vai se realizar em 20 de agosto, em Eldorado (SP). Evento anual desde 2008, a feira é importante momento de reunião das 19 comunidades quilombolas do Ribeira que participam do GT da Roça, grupo organizador das feiras. Permite o resgate de variedades de cultivares e troca de sementes, que são inclusive a base do Sistema Agrícola Quilombola, em processo de reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). "São as variedades de sementes e o sistema agrícola como um todo que podem garantir a segurança e a soberania alimentar das comunidades", afirma Raquel Pasinato, coordenadora do Programa Vale do Ribeira do ISA.

Quilombolas mostram variedades de mudas aos visitantes da oitava edição da feira, no ano passado

Este ano, a nona edição da feira será precedida pelo seminário“Agricultura tradicional e estratégias de adaptação às mudanças climáticas”, a se realizar no dia 19 de agosto. No programa estão conversas com Márcio Santilli, sócio-fundador do ISA, que vai falar sobre como anda a questão do clima no Brasil e fora dele, o depoimento de uma liderança quilombola e a apresentação do filme Para onde foram as andorinhas, no qual os índios do Parque Indígena do Xingu (MT) contam como o clima está interferindo em suas vidas.

Haverá também uma conversa sobre a importância da agrobiodiversidade e da diversidade de variedades como estratégia para enfrentar as mudanças climáticas e para a segurança alimentar com a participação de Patricia Bustamante da Embrapa Brasília, além de depoimentos dos quilombolas Benedito Alves (quilombo Cedro/Barra do Turvo); Francisco Salles Coutinho (quilombo Mandira/Cananéia); e
e Zeni de França da Rosa (quilombo São Pedro/Eldorado). Uma oficina de culinária tradicional quilombola também será ministrada aos interessados.

Ao final do seminário, será lançado oficialmente o DVD com os três vídeos que mostram o que é e como funciona o Sistema Agrícola Quilombola. Confira aqui a programação.

Serviço

19/8 – 8h30 às 18h – Seminário Agricultura tradicional e

estratégias de adaptação às mudanças climáticas, no Salão Paroquial,

Eldorado.

20/8 – 8h30 às 13h – Feira de Troca de Sementes e Mudas, Praça

Nossa Senhora da Guia, Eldorado

Fonte: Instituto Socioambiental

Mudanças climáticas


Se não for o maior, é o mais urgente dos desafios que a humanidade terá que enfrentar

Por Marilena Lavorato

Foi publicado nas revistas cientificas, “Nature Geoscience” e “Nature Climate Change”, estudos realizados por cientistas de diversas partes do mundo mostrando que em 2013, as emissões de CO2 na atmosfera bateram novo recorde. As atividades humanas emitiram 36,1 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono (CO2) em 2013, ou seja, alta de 2,3% em relação a 2012. Os maiores emissores são a China e os Estados Unidos. O estudo foi elaborado pelo projeto Carbono Global (¹).

As emissões são hoje quase 40% superiores às de 1990 – o ano de referência do Protocolo de Quioto. Desde 2000, elas aumentaram a uma taxa anual média de 3%.

O dióxido de carbono é o principal gás responsável pela elevação da temperatura do planeta, e os países que mais emitem gases contaminantes (China, EUA e Índia) aumentaram muito suas emissões em 2013. A Índia aumentou em 5,1%, a China 4,2% e os Estados Unidos, 2,9%. As previsões para os próximos anos não são nada animadoras. Para 2014, a previsão é que as emissões aumentem em 2,5%, e seguirá aumentando nos próximos anos, a ponto de preverem que em 30 anos, o planeta estará 1,1ºC mais quente que agora.

O painel do clima da ONU depois de intensas pesquisas e estudos considera extremamente provável que o homem seja o responsável pelo aquecimento global. Acordos e protocolos internacionais foram assinados e a cada ano, as emissões aumentam em vez de diminuir. Os fenômenos climáticos se intensificam, perdas econômicas, ambientais e humanas acontecem em virtude destes fenômenos, e a humanidade não consegue administrar um problema de solução clara – diminuição dos níveis de emissão de CO2 na atmosfera. 

Os cientistas apontam um cenário sombrio se não conseguirmos reverter a situação. Impactos na agricultura agravando a crise de alimento, degelo das calotas polares, aumento do nível do mar, deixando em uma perigosa situação de risco as nações que ficam em áreas baixas do litoral do Pacífico, e milhões de refugiados ambientais, entre outras previsões nada agradáveis. A mudança climática está sendo entendida como um crime coletivo contra a Humanidade.

A ONU quer reduzir o aquecimento global em 2ºC em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial, que, segundo os cientistas, é o nível mínimo para estabilizar o clima.

Economia de baixo carbono é possível

Paul Krugman, colunista do jornal NYT e economista vencedor do prêmio Nobel de economia em 2008 diz em artigo publicado recentemente que salvar o planeta do aquecimento global é economicamente viável. Segundo ele, uma estratégia bem pensada de controle de emissões, particularmente uma que cubra o preço do carbono – impostos sobre as emissões ou esquema cap-and-trade (²)-, custaria muito menos do que se imagina.

Além disto, Krugman destaca os significativos progressos da energia renovável, em especial a energia solar que teve redução de custo progressiva – praticamente caiu pela metade se comparado com os custos de 2010. Segundo ele, um dos documentos do FMI (Fundo Monetário Internacional) aponta “co-beneficios” na taxação do carbono, ou seja, teríamos efeitos positivos para além da redução dos riscos climáticos, entre eles, a saúde pública. A queima de carvão provoca muitas doenças respiratórias, que fazem subir os custos médicos e reduzem a produtividade.

Na China, turistas usam máscaras para visitar cidades, e pelo menos uma pessoa já processou o governo pela falta de controle da poluição atmosférica. Li Guixin, morador de Shijiazhuang, capital da província de Hebei, apresentou a sua queixa a um tribunal distrital, pedindo ao Gabinete Municipal de Proteção Ambiental da cidade para “cumprir o seu dever de controlar a poluição do ar de acordo com a lei”. Ele também está buscando compensação para os residentes do local que se tornaram vitimas da poluição sufocante que tomou conta de Shijiazhuang, e grande parte do norte da China no ultimo inverno.

O documento de estudo do FMI concluiu que mesmo sem um acordo internacional, há amplas razões (econômicas, sociais e ambientais) para se tomar medidas contra a ameaça climática. Krugman afirma que os que defendem a incompatibilidade entre crescimento econômico e a ação climática estão equivocados. Diz com todas as letras que é possível baixar as emissões sem colocar em risco o crescimento econômico.

Para vencer os desafios das mudanças climáticas precisamos agir já

Já temos dados mais do que suficiente para comprovar a urgência do desafio climático. Precisamos de uma estratégia de convencimento imediato.

Em 21 de setembro de 2014, ativistas do mundo todo se mobilizaram na caminhada pelo clima, exigindo investimentos em energia limpa e renovável e atitudes imediatas para combater os efeitos das mudanças climáticas. No total, foram 2.808 eventos em 166 países, entre eles mobilizações simultâneas em Nova York, Londres, Paris, Berlim, Rio de Janeiro, Istambul, Bogotá, entre outras capitais.

A manifestação ocorreu um dia antes da abertura da Cúpula do Clima das Nações Unidas, em Nova York, com a participação de mais de 120 chefes de Estado e de Governo. A demora por reação dos chefes de estados e de governo para enfrentar este comprovado desafio global de extrema urgência e potência causa perplexidade.

O que falta acontecer?

Diante dos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), dos fenômenos climáticos que se intensificam, dos documentos de estudos do FMI, dos estudos de ONGs sérias, dos fundamentos de argumentação do economista prêmio Nobel 2008, e dos apelos de ativistas respeitados, entre eles, Al Gore, vice presidente do Estados Unidos (1993/2001) e prêmio Nobel da paz em 2007, o que mais é necessário fazer para que as lideranças políticas e econômicas, entendam que as emissões não são um bom negócio para ninguém? Como convencer a governança global que as emissões são um crime contra a humanidade? Em pleno século de valorização do conhecimento e da velocidade das informações, o que mais é necessário descobrir e divulgar para acelerar o processo de construção de uma nova consciência e cultura na sociedade? Como convencer países que a cultura de sustentabilidade será muito mais competitiva e positiva para seus povos?

O nosso futuro depende das práticas do nosso presente, é certo. E neste caso específico (mudanças climáticas/ aquecimento global), já perdemos tempo demais. Estamos em contagem regressiva para a reconfiguração de cenários, que para serem positivos dependem desesperadamente de ações concretas, firmes e imediatas, como aponta a ciência em seus relatórios e estudos publicados.

(¹). O Projeto Carbono Global foi criado em 2011 para auxiliar a comunidade científica internacional estabelecer uma base de conhecimento comum de apoio ao debate de políticas e medidas para reduzir a taxa de aumento de gases de efeito estufa na atmosfera. (Http://www.globalcarbonproject.org)

(²) Esquema cap-and-trade – Mecanismo de mercado que cria limites para as emissões de gases de um determinado setor ou grupo. Com base nos limites estabelecidos, são lançadas permissões e formas de cumprimento.

Fonte: Pensamento Verde

Este poderá ser o ano mais quente já registrado


O mês de maio de 2014 foi o mais quente desde que as medições começaram a ser feitas, em meados do século XIX. A média de temperatura entre março e maio também é a maior registrada no período. Além disso, a evolução das temperaturas em junho aponta para um recorde neste mês. A constatação é observada nos principais centros meteorológico do planeta como NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera), nos EUA, e a Agência Meteorológica do Japão (JMA).
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Paradoxalmente, no leste dos EUA – que iniciaram o ano com recordes históricos de temperaturas baixas -, as temperaturas têm estado abaixo da média histórica. É a única área continental no planeta que tem médias abaixo das históricas, o que explica o fenômeno da alteração do vórtex polar que tratamos em outro post – O frio do aquecimento global –, publicado em janeiro.
A precipitação também está abaixo da média e em situação crítica em várias regiões na América do Sul, Estados Unidos, Ásia e Austrália, para citar algumas regiões. O que faz o sinal de alerta subir mais ainda é o fato de ser esperado, para o final deste ano, o início de mais um El Niño, com aquecimento das águas do Pacífico, que alteram os fluxos das massas de ar provocando mais calor.
A temporada de incêndios florestais no hemisfério norte está começando mais cedo na primavera e terminando mais tarde no outono. Este pode ser uma dos piores anos também nesse aspecto.
A influência destes efeitos climáticos em turbinar conflitos latentes, como no caso da Síria, começaram a ser documentados nos últimos anos (ver documentário Years of Living Dangerously) e, recentemente, Bryan Merchant, Editor da Motherboard, chamou à atenção outro recorde recentemente registrado pela ONU: nunca houve tantosrefugiados de conflitos e desastres no mundo. Em maio, 50 milhões de pessoas encontravam-se nestas condições no mundo e esse número cresce rapidamente com a escalada dos conflitos no Oriente Médio e, em especial, no Iraque e Síria.
O Oriente Médio é uma das regiões do planeta que mais aqueceram este ano. Isso agrava de forma dramática a situação dos refugiados e as condições para seu atendimento.
De acordo com o IPCC, o aumento da temperatura média global desde o inicio da era industrial foi de 1ºC. Definitivamente, não podemos arriscar superar 2ºC. Mais um sinal do quanto são fundamentais os acordos e as ações para limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a adaptação às mudanças climáticas.
 
Publicado em Planeta Sustentável em 30.06.2014
Por: Tasso Azevedo