Objetivos do desenvolvimento sustentável no Antropoceno


Objetivos do desenvolvimento sustentável no Antropoceno, artigo de Paulo Artaxo

Nosso planeta está passando por uma série de processos de transformação muito fortes e rápidos, com o potencial de dificuldades importantes para as gerações futuras em termos de viabilidade como sociedade sustentável.

Certamente estamos caminhando neste início de Antropoceno a um planeta com clima mais instável e violento, além da evidente escassez de recursos naturais. E somos nós que estamos promovendo tais mudanças, muitas das quais sequer nos demos conta.

Nosso planeta Terra tem uma história longa, de cerca de 4,5 bilhões de anos. O homem moderno só apareceu muito recentemente (200 mil anos atrás), e a civilização tal qual a conhecemos hoje existe há apenas 6 mil anos, minúsculo intervalo na vida de nosso planeta.

Foi, contudo, nesse último milênio, que o nosso planeta passou por mudanças significativas, estando hoje muito diferente do que era àquela época.

Mudanças no uso do solo em larga escala tiveram início no desenvolvimento da agricultura, inicialmente em pequena escala, mas que hoje tomaram proporções planetárias.

A partir do século 19, o homem descobriu que queimar carvão, petróleo ou gás natural poderia produzir trabalho mecânico, e com esta descoberta na Inglaterra teve início a revolução industrial, que tantos progressos trouxe à humanidade.

Porém, com o progresso vieram também os problemas, e um deles é o uso excessivo de recursos naturais como água, minerais, combustíveis fósseis e outros, que são finitos.

Com uma crescente população de 7 bilhões de pessoas em 2016, cuja estimativa é que tenhamos cerca de 10 bilhões de pessoas em algumas décadas, é fundamental pensarmos na sustentabilidade do planeta a longo prazo.

Certamente estamos caminhando neste início de Antropoceno a um planeta com clima mais instável e violento, além da evidente escassez de recursos naturais”

Entre as 9 milhões de espécies biológicas em nosso planeta, somos uma única, controlando a biosfera da Terra, a tal ponto que estamos alterando a composição da atmosfera e o clima de nosso planeta, com fortes consequências para todas as 9 milhões de espécies.

Áreas enormes das Américas, Europa e Ásia que eram florestas, há alguns séculos, hoje são áreas cultivadas ou com estradas e áreas urbanas, o que significa forte mudança no uso do solo, com reflexos em várias propriedades que regulam o clima do planeta, tais como o balanço radioativo.

Hoje, temos cerca de 1,3 bilhão de automóveis circulando na Terra; estima-se que podemos ter 2 bilhões de automóveis em algumas décadas. Parece claro que não se pode continuar dessa forma, pois estamos esgotando rapidamente os finitos recursos naturais de nosso planeta.

Para estudar essa questão, um grupo de cientistas mundiais fundou uma atividade chamada em inglês de Future Earth, ou “Terra Futura” (site:http://www.futureearth.org/). Essa iniciativa visa a entender como o desenvolvimento de nosso planeta pode se tornar sustentável a longo prazo.

O objetivo do Future Earth é produzir o conhecimento científico necessário para minimizar os riscos das mudanças climáticas globais e realizar a transição para a sustentabilidade global, se é que isso pode ser possível.

Garantir a sustentabilidade de nossa sociedade vai envolver fortes mudanças de atitude de e para todos nós. A enorme desigualdade na distribuição das riquezas de nosso planeta traz instabilidade política, econômica e social, e é preciso minimizá-la para evitar conflitos ainda mais sérios.

Com estas preocupações em mente, as Nações Unidas estruturaram os chamados “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, que consistem em um conjunto de metas acordadas pelos 193 países membros da ONU, visando ao desenvolvimento sustentável de nosso planeta a longo prazo.

Hoje, temos cerca de 1,3 bilhão de automóveis circulando na Terra; estima-se que podemos ter 2 bilhões de automóveis em algumas décadas”

Este é um dos resultados da Rio+20, e entraram em vigor em 1 de janeiro de 2016, com um prazo de realização até 31 de dezembro de 2030. Para cada ODS, são estruturados 169 metas e indicadores globais de acompanhamento da implementação dos ODS. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são:

  1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
  2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição
  3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos
  4. Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade
  5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
  6. Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água
  7. Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável
  8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável
  9. Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva
  10. Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles
  11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes
  12. Assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis
  13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima
  14. Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos
  15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas
  16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável
  17. Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global

A figura abaixo ilustra de modo pictórico estes ODS, que são abrangentes e visam a construir uma nova sociedade em nosso planeta.

Estes objetivos fazem parte da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, estruturado pela ONU, onde desenvolvimento sustentável é definido como o desenvolvimento que procura satisfazer às necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades.

Garantir a sustentabilidade de nossa sociedade vai envolver fortes mudanças de atitude de e para todos nós”

Desenvolvimento sustentável demanda um esforço conjunto para a construção de um futuro inclusivo, resiliente e sustentável para todas as pessoas e todo o planeta.

A questão das mudanças climáticas é um ponto central, onde se observa que a mudança do clima já impacta a saúde pública, segurança alimentar e hídrica, migração, paz e segurança.

A mudança do clima, se não for controlada, reduzirá os ganhos de desenvolvimento alcançados nas últimas décadas e impedirá possíveis ganhos futuros. As ações relacionadas à mudança do clima darão impulso ao desenvolvimento sustentável.

Se conseguirmos atingir a maior parte destes ODS, teremos um planeta mais igualitário, justo e sustentável. Os ODS, embora de natureza global e universalmente aplicáveis, dialogam com as políticas e ações nos âmbitos regional e local.

Na disseminação e no alcance das metas estabelecidas pelos ODS, é preciso promover a atuação dos governantes e gestores locais como protagonistas da conscientização e mobilização em torno dessa agenda global.

O Brasil ao longo dos últimos dez anos trabalhou em políticas de inclusão que tiraram milhões de pessoas da pobreza extrema. Este esforço deve continuar, com a intensificação de políticas sociais visando à integração de milhões de brasileiros na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, trazendo desenvolvimento sustentável e justiça social. Essa é uma tarefa de todos os brasileiros.

Paulo Artaxo é professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.

Artigo socializado pelo Jornal da USP e reproduzido in EcoDebate, 24/06/2016

Educação Ambiental: infelizmente ainda está faltando muito


Educação Ambiental: infelizmente ainda está faltando muito, artigo de Luiz Eduardo Corrêa Lima

sustentabilidade

 

[EcoDebate] O Brasil é um país onde o setor primário, isto é, a agricultura, a pecuária e a mineração se constituem na base da economia. Além disso, o setor secundário é quase totalmente ocupado por empresas multinacionais e a grande maioria delas é totalmente despreocupada com as questões ambientais e menos preocupadas ainda com o Brasil e a população brasileira. Se não bastasse isso, ainda temos essa mania terrível de achar que a economia é tudo. Em suma, aqui no Brasil, além de termos a infeliz mania de achar que a economia é, de fato, a única coisa importante para o país, ainda sofremos com a exagerada exploração dos recursos naturais e o desleixo das empresas multinacionais.

Assim, com essas condições funcionais e operacionais de nossa base econômica, associadas com essa mania inverídica da importância quase exclusiva de entender a economia como sendo o único mecanismo de avaliação do desenvolvimento, seguimos nosso triste caminho, quem nem Dom Quixote, na busca de dias melhores. É bom lembrar que essas condições estão tão arraigadas que lamentavelmente atingem tanto os dirigentes (governantes) nacionais, como a grande maioria das pessoas e por isso mesmo consistem claramente na raiz de nossa eterna dependência.

Um país que possui essas características básicas e ainda com essa população, de visão generalizadamente caolha, apresenta uma cultura que realmente não permite pensar que a Educação Ambiental seja realmente algo importante e necessário para melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas. Há necessidade de mudar essa cultura, desqualificando esse pensamento errôneo e criando novas maneiras de pensar que produzam novos comportamentos e que possam gerar novas atitudes na população brasileira. Temos sim que colocar metas de Educação Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável na vanguarda de nossas ações para que ocupemos o nosso devido lugar no cenário internacional.

Mas, como no momento presente, a sociedade brasileira infelizmente ainda não está preparada para entender a importância de determinados conceitos, os quais deveriam ser consequências de uma base sólida de Educação Ambiental, temos muito que trabalhar para mudar o quadro. Palavras e expressões como Sustentabilidade, Biodiversidade, Economia Verde, Desmatamento Zero e outras tantas, ainda soam de maneira destoante e ilógica na mente da maioria dos brasileiros e isso ocorre exatamente porque para a grande parte das pessoas essas palavras são menos importantes, porque na visão delas, os conceitos por trás delas não têm nenhuma relação próxima com a Economia Nacional, o que certamente é um grande equívoco.

Desta maneira, como será possível fazer Educação Ambiental no país, se o propósito da Educação Ambiental é exatamente ao contrário dos valores culturais estabelecidos na população e se os interesses desse tipo de modelo educacional são totalmente antagônicos aos interesses primários dos dirigentes e das próprias pessoas? Assim, acaba se falando muito de Educação Ambiental, mas se faz efetivamente muito pouco (quase nada) sobre essa proposta educacional. Embora haja alguns bons trabalhos na área, esses são pouco significativos perto da necessidade e assim, o tempo passa e a caravana segue praticamente do mesmo jeito. Mudar essa imagem conflitante é realmente uma tarefa bastante difícil, mas que precisa ser cumprida.

Temos uma Constituição Federal que determina a Educação Ambiental como mecanismo obrigatório e orientador das atividades formadoras básicas na área ambiental. Entretanto, por outro lado, desenvolvemos uma ação efetiva que contradiz aquilo que a Constituição preconiza. Quer dizer, existe um grande contrassenso entre o que a diretriz legal maior do país propõe e aquilo que na realidade se aplica. Em contra partida, o mundo civilizado e os países desenvolvidos, cientes da necessidade da Educação Ambiental e clamando por melhor maneira de tratamento planetário, atua prioritária e exatamente nessa área, tentando orientar e criar melhores mecanismos e soluções ambientais, pelo menos no âmbito de seus respectivos territórios. Enquanto isso, aqui no Brasil, nós continuamos brincando de fazer Educação Ambiental e permitindo que muitas multinacionais, principalmente aquelas ligadas ao setor primário, façam o que quiserem do ponto de vista ambiental.

A Legislação Brasileira é muito boa, ouso dizer que talvez seja a melhor do mundo, no que diz respeito à área ambiental, porém, a nossa cultura de que “algumas leis pegam e outras não”, nos condiciona à eterna dependência do Poder Judiciário capenga (na verdade totalmente paralítico) que o país possui e que simplesmente não funciona. Assim, temos a necessidade premente de criarmos a prática efetiva de cumprir a lei, sempre priorizando o interesse maior da comunidade e deixar de lado esse “faz de contas legal” em que vivemos, mormente na área ambiental.

O caso recente da SAMARCO, que produziu o lamentável evento em Mariana/MG, retrata muito bem o que foi dito acima e que costumeiramente acontece em nosso país. A SAMARCO é uma empresa de Mineração, ligada diretamente a duas mega multinacionais do setor e que historicamente têm feito coisas erradas e não se preocupam muito em cumprir a legislação, aqui no Brasil. De repente ocorreu um grave problema e aí se descobriu que, de acordo com os preceitos legais, tudo estava errado há muito tempo e que essa é só uma pequena questão, apenas a ponta do iceberg e que obviamente trouxe consigo uma série de outros problemas muito maiores.

Mas, o que a legislação diz a esse respeito que a SAMARCO e tantas outras não cumprem? A legislação diz exatamente tudo o que a SAMARCO não fez e que a maioria das empresas do setor minerário também não fazem. Por sua vez, a população também não sabe e infelizmente nem quer saber o que a legislação diz, até ocorrer o grande problema, como aconteceu. A partir daí a coisa muda. Depois do problema estabelecido, isto é. depois que o leite foi derramado, é que se quer impedir o seu derramamento. Ora, isso é fisicamente impossível.

Então se começa a discutir outras coisas, que não são o problema em si, como, por exemplo: que coisas que deveriam ter sido feitas e que não foram? Quem vai pagar o quê a quem? Por que alguém tem pagar alguma coisa? Quanto e quando alguém tem que pagar? Mais uma vez só se pensa em economia (dinheiro). Enfim, nenhuma dessas coisas, principalmente dinheiro, resolve o problema depois dele já ter ocorrido, quando muito essas coisas podem servir como mecanismo para calar a boca de alguns e para que as coisas erradas continuem acontecendo. Tem um ditado muito antigo que diz: “prevenir é melhor do que remediar”, mas aqui no Brasil prevenção, embora esteja na lei, na prática não existe.

Passa o tempo e todo mundo se esquece, com aconteceu com a Vila Socó, em Cubatão/SP (1984), na Baia de Guanabara/RJ (2000), em Cataguases/MG (2008), São Sebastião/SP (2013), só para citar alguns e fica assim até que outro problema apareça. Essa situação viciada precisa ter fim e isso pode ser conseguido facilmente, com efetiva educação ambiental e naturalmente com cumprimento da legislação.

Assim, voltamos a nossa questão inicial, precisamos de Educação Ambiental, mas também precisamos aprender a cumprir as leis, além de fiscalizar e denunciar quem não as cumpre. Precisamos nos informar melhor sobre as potencialidades dos danos ambientais e sociais produzidos pelos setores primários e secundários da produção, principalmente pelas atividades ligadas à mineração.

Bem, depois de tantos esclarecimentos preliminares sobre esta problemática, que é de fato bastante confusa, fica a seguinte pergunta: como deveremos fazer para tentar solucionar essa situação e começar a resolver os problemas?

Acredito que primeiramente haja necessidade de informar os riscos efetivos produzidos pelas diferentes atividades antrópicas e a partir daí elaborar os planos de educação ambiental que viabilizem prioritariamente orientar as ações preventivas e secundariamente as ações corretivas. Por outro lado, também é fundamental obrigar e acompanhar as empresas dos setores interessados na produção de seus programas de prevenção, de fiscalização e de controle de suas atividades. Infelizmente na nossa cultura, sem fiscalização ninguém faz nada.

Com a tradição brasileira é de país pouco industrializado e de base agrícola, a Educação Ambiental tem que se implantar sobre os aspectos agropastoris e minerários incialmente e crescer a partir dessas possibilidades. A população brasileira necessita saber, de fato, sobre os riscos ambientais que está correndo, quando desmata uma área natural, cultiva um solo, planta determinada cultura agrícola, introduz um determinado fertilizante, aplica certo agrotóxico e principalmente quando extrai um mineral qualquer e acumula os rejeitos da extração. Além disso, também é necessário que se invista em orientar a população sobre as vantagens, as desvantagens e os possíveis riscos de cada um dos aspectos citados e também sobre a legislação relacionada com os mesmos.

Enquanto a população continuar totalmente alheia e desinteressada sobre essa realidade, certamente não haverá um progresso efetivo nos mecanismos de Educação Ambiental e consequentemente também não haverá condições do país prosperar de maneira responsável e sustentável, tratando melhor os seus espaços ambientais e sua população. Particularmente as comunidades mais próximas de cada empreendimento, devem estar bem informadas e conscientes do que estão sujeitas.

É preciso que as verdades sejam ditas no que se refere as ações dos governos e dos empresários dos setores da agricultura e da mineração e de suas respectivas posturas, quase sempre contrárias ao interesse ambiental e a proteção da natureza. A população brasileira precisa saber que de um modo geral, os governos em todas as esferas do Poder e os produtores agrícolas e mineradores, por conta de seus respectivos interesses corporativistas, egoístas e imediatistas, além do pouco interesse ambiental, estão mais afim de burlar a legislação e enganar a população para ganhar mais dinheiro, do que trabalhar para garantir a qualidade ambiental e a sustentabilidade dos seus próprios empreendimentos agrícolas e minerários.

Os trabalhadores dos diferentes setores agrícolas, os mineradores e os demais segmentos da população do entorno dos grandes empreendimentos do setor primário da produção, precisam estar efetivamente informados sobre todos os procedimentos e sobre toda a legislação ambiental que se relaciona com o empreendimento. O Código Florestal e o Código de Mineração precisam ser conhecidos de toda população brasileira. As medidas compensatórias e mitigadoras e mesmo as maneiras de inviabilização de alguns projetos precisam estar presentes na educação básica e na formação dos cidadãos, para que eles possam conhecer, opinar, discutir e até decidir sobre essas atividades e as consequências de seus riscos potenciais.

Apenas dessa maneira é que estaremos realizando a verdadeira Educação Ambiental que o país tanto precisa e que poderá transformar a população brasileira, enquadrando cada setor dentro das devidas possibilidades legais, mas preservando suas necessidades e ampliando a capacidade de produção e de controle das diferentes atividades. Por mais que a produção agrícola e minerária sejam importantes e necessárias, do ponto de vista econômico, a educação ambiental pode, deve e tem que ser a mola mestre que poderá trazer dias melhores ao Brasil no futuro. Mas, é preciso que se queira realmente que isso aconteça e que se invista profundamente nisso. Para tanto, há necessidade de estabelecer Programas de Educação Ambiental específicos para as diferentes áreas, localidades, culturas florestais, tipos de minérios.

A Educação Ambiental tem que ser muito séria e tem que estar realmente adaptada ao ambiente a que se propõe, pois do contrário continuará sendo uma falácia que continuará fazendo pouca diferença no contexto real e na necessidade do país e da população brasileira. Urge que as autoridades constituídas se tiverem verdadeiro interesse no país e no seu desenvolvimento sustentável, passem a se manifestar ativamente, definindo critérios claros e atuando mais abertamente nessa direção.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (59) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor e Ambientalista

 

in EcoDebate, 08/02/2016

Agora vai


Agora vai … artigo de Efraim Rodrigues

cuidando do planeta

 

[EcoDebate] Você se lembra onde estava quando caíram as torres gêmeas ?

Daqui a 1000 anos os alunos de história estarão decorando o 18/06/2015.

Até aqui, a conservação andou de lado. Falamos muito, alguns poucos mudaram seu modo de vida, mas mudança em nível mundial, mensurável não aconteceu. Ao contrário, com a ascensão social de grande contingentes ao redor do mundo, a degradação de recursos naturais só piorou, com casas maiores, carros maiores, mais viagens de avião e maior consumo de carne. Todos querem ser o Grande Gatsby.

Não há artigo ou palestra de ambientalista que não comece com alguma citação da reunião do Rio em 1992. Alguém viu alguma mudança? Eu não. Ainda que nossa consciência global tenha melhorado, e muito, nestes 20 anos, as grandes reuniões são reativas. Elas acontecem porque há um sentimento de que algo precisa feito, mas seu resultado sempre é mais reuniões, documentos e viagens e hotéis para homens de terno.

No dia 18/06/2015 a Igreja Católica manifestou da maneira mais forte possível que não mais crê que o ambiente, entre outras questões terrenas, criariam certa “confusão” para a fé ou para o aprimoramento espiritual. A encíclica deixa claro que cuidar do ambiente é questão de compaixão, os mais pobres sofrem mais as mudanças do clima.

A encíclica também conserta o erro histórico de uma igreja medieval que permitia comprar indulgências. Assim como o dinheiro não inocenta um assassino, não vamos a lugar algum comprando permissões para poluir.

O Papa tem sido também um exemplo de simplicidade, estabelecendo um exemplo de vida com significado em oposição a seu antecessor, mais chegado a sapatinhos vermelhos de marca.

Por centenas de anos acreditamos que o planeta seria o jardim para Adão e Eva se multiplicarem. E neste particular, católicos, judeus, muçulmanos e comunistas se igualaram.

No entanto, a evolução de Darwin reafirma o gênesis, assim como a preocupação com o futuro climático do planeta reafirma a compaixão católica.

Tivemos que esperar a chegada de um líder espiritual com vivência científica em química, literatura e psicologia para conciliar a divergência entre ciência e religião, que só existe mesmo porque interessa.

Jeb Bush, candidato católico à presidente dos EUA, tem sua plataforma eleitoral no descrédito da ciência do clima em favor da “fé”. Seu comitê já está recorrendo ao conceito católico de livre arbítrio para tentar não perder votos. E como ficam as petroleiras e distribuidoras?

Como disse Upton Sinclair; É difícil fazer um homem entender algo, se o seu salário depende dele não entendê-lo. Não será fácil, mas ao menos agora temos um líder à altura do desafio.

PS: Para os que não gostaram da escola ser ainda a mesma daqui a mil anos, lembro que ela já era assim quando a Igreja lançou a bula intercoetera em 1493…

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br), Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, JICA e Vale, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores e Ecologia da Restauração, finalista do 56º Prêmio Jabuti 2014. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico.

 

Publicado no Portal EcoDebate, 19/06/2015

Cidades Sustentáveis, artigo de Roberto Naime


[EcoDebate] Sempre que se fala em cidades sustentáveis, particularmente no país, sempre é citada a cidade de Curitiba. E realmente, não existem projetos acabados, nem tampouco definições que sejam completas, todas as situações podem e devem sofrer aprimoramentos contínuos. Mas em Curitiba de fato, estão presentes e realizadas iniciativas que devem ser demonstradas e realçadas sempre que se deseja discutir cidades sustentáveis.

Transportes públicos sempre são um dos grandes problemas de toda aglomeração urbana. Em Curitiba não é diferente. Mas em todas as manifestações que se realizam, o transporte urbano da cidade se destaca da realidade encontrada na maioria das grandes cidades do país. O transporte urbano de Curitiba é um dos mais eficientes e eficazes do país. Formado por corredores exclusivos espalhados pelas principais vias da cidade, trafegado por grandes veículos bi ou tri-articulados, quando então a capacidade dos veículos é superior a duas centenas de passageiros, o transporte coletivo de Curitiba parece estar muito próximo de atender as expectativas.

Os veículos são movimentados por combustíveis renováveis, a partir de fontes de bioenergéticos, gerando menores quantidades de gases geradores de efeito estufa e sendo menos impactantes ao meio ambiente em geral. A malha rodoviária de tráfego é integrada e opera com as chamadas estações-tubo nos paradouros em calçadas e praças, que são projetadas e instaladas, de forma associada às paisagens, tornando os cenários plenos de harmonia estética.

Existe na cidade estímulo legal para instalação de reservas particulares do patrimônio natural dentro do perímetro urbano. Embora não caracterizado como pagamento de serviço ambiental, a prefeitura premia estas iniciativas com o fornecimento de documento de índice construtivo, permitindo que tal índice seja comercializado em outra região da cidade. A legislação existente exige, além da preservação permanente da área, o levantamento detalhado de todas as espécies florísticas e faunísticas existentes no local.

Estas áreas verdes preservadas por particulares se adicionam às áreas verdes públicas, praças, parques e outros domínios, criadas e mantidas pelo poder público municipal. Esta realidade efetivamente cria uma aglomeração urbana muito aprazível e acolhedora para o assentamento individual do grupo familiar.

Outra experiência muito interessante e que merece divulgação e o merecido realce se situa na reciclagem. Dados divulgados pelo canal NBR, a tv do governo federal, indicam que o índice de reciclagem de resíduos sólidos em valores próximos a 23% do total. A forma que se materializa este objetivo é bastante meritória. A prefeitura mantém um programa de troca de alimentos em periferias por resíduos sólidos recicláveis, que sejam coletados.

As populações beneficiadas tendem a ser setores vulnerabilizados, que são beneficiados pela distribuição de alimentos, incluindo hortifrutigranjeiros, que são adquiridos de centrais de abastecimento. Desta forma estão sendo atingidos vários objetivos: reciclagem dos resíduos sólidos que propicia economia ambiental e incremento na geração de ocupação e renda para as populações menos favorecidas, principalmente, e estímulos para a formação de cinturão verde de segurança alimentar em região circundante da aglomeração urbana da cidade. Quanto melhor e mais desenvolvida a produção de hortifrutigranjeiros ao redor do núcleo urbano, menor será a dependência de abastecimento dependente de transporte oneroso e poluente.

Outras cidades, como Cuiabá, por exemplo, favorecem a troca de materiais recicláveis, com benefícios que se materializam em descontos na conta de energia elétrica. A operação ocorre em quiosques instalados no estacionamento de redes varejistas locais, integradas ao esforço de realização.

Já se destacou que não existem modelos definitivos, ou concepções acabadas. E todos os conjuntos de realizações são passíveis de críticas e aprimoramentos em processos contínuos de melhoria que possam ser implementados e adotados. Mas bons exemplos merecem ser destacados para que possam ser copiados e adaptados às diversas realidades locais, deste país com caracteres continentais.

Por trás de todas as iniciativas nem sempre existem vultuosas inversões de recursos. Pelo contrário, na maioria das vezes não existem grandes investimentos ou onerosos custeios, mas simplesmente vontade política acompanhada de capacidade de gerenciamento ou aprimoramento de mecanismos de gestão pública e cooperação com entidades privadas.

Em processos onde existem ganhos e vantagens para todas as partes envolvidas. Resumidamente, é um processo conhecido como “ganha-ganha”, onde todas as partes envolvidas acabam beneficiadas. Além da obtenção de melhor qualidade ambiental e qualidade de vida para todas as populações atingidas. Realidade esta que é intangível e não tem preço, atingido a atual população e todas as gerações posteriores que herdarão esta condição essencial à manutenção de vida.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

Publicado no Portal EcoDebate, 11/06/2015

"Cidades Sustentáveis, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 11/06/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/06/11/cidades-sustentaveis-artigo-de-roberto-naime/.
 
 

As agendas globais para a Saúde e o Desenvolvimento sustentável


As agendas globais para a Saúde e o Desenvolvimento sustentável, e nós… – Profa. Dra. Maria Inês Azambuja

 

A atividade IHU ideias é um espaço de discussão, análise e avaliação de questões que se constituem em grandes desafios de nossa época. Busca fazê-lo no âmbito do debate cultural, tendo como parâmetro o humanismo social cristão.

Objetivos

Geral

– Fomentar o debate sobre temas da atualidade, abrangendo as áreas de atuação do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Específicos

– Discutir temas emergentes das descobertas científicas e suas implicações.

– Analisar as questões de ordem sociopolítico-econômico-espirituais e culturais que influenciam na organização de diferentes grupos sociais.

– Avaliar, considerando o contexto de globalização e da “sociedade da informação”, as repercussões na vida do ser humano enquanto sujeito.

Inscrições

Faça sua inscrição aqui.

Público Alvo

Professores, acadêmicos, colaboradores da Unisinos e comunidade em geral.

Programação

 

18 de junho – quinta-feira

As agendas globais para a Saúde e o Desenvolvimento sustentável, e nós… – IHU ideias

Palestrante: Profa. Dra. Maria Inês Azambuja – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Horário: 17h30min às 19h
Local: Sala Ignacio Ellacuria e Companheiros – IHU

 

Saiba mais

Maria Inês é graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Residência em Medicina Interna, mestrado em Epidemiologia pelaUniversidade da California Los Angeles e doutorado em Medicina – Clínica Médica, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sanitarista do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, aposentada em junho de 2009. Experiência na área da epidemiologia de doenças cardiovasculares/promoção da saúde do adulto, e saúde do trabalhador. Ex-colaboradora no PPG-Epidemiologia da UFRGS. Atualmente, professora adjunta em regime de dedicação exclusiva, no Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.



 

Certificado

O aluno deve solicitar o certificado de participação no Atendimento Unisinos (taxa de R$9,00) a partir de 15 dias após o término de todo o evento – IHU ideias Junho – 26/06/2015. É imprescindível a assinatura na ata em cada atividade para registrar a presença.

Investimento

Evento gratuito.

Coordenação

Prof. MS Caio Fernando Flores Coelho – UNISINOS
Prof. Dr. Inácio Neutzling – UNISINOS
Prof. MS Lucas Henrique da Luz – UNISINOS
Profa. Dra. Susana Rocca – UNISINOS

Promoção

Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
Instituto Humanitas Unisinos – IHU

Fonte: IHU

Ministra diz ao Banco Mundial que Brasil pode produzir mais sem desmatar


Durante reunião com a vice-presidente do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, Rachel Kyte, a ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disse que o Brasil cumprirá a meta definida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) de aumentar em 40% a produção de alimentos até 2050, contribuindo para o desafio de vencer a fome no mundo.

“Com tecnologia e inclusão social no campo, o país tem condições de alavancar sua produção sem aumentar a área desmatada”, afirmou Kátia Abreu durante reunião na quarta-feira (1º) com a equipe do Banco Mundial.

“Temos um exército de produtores que estão excluídos do agronegócio. Sabemos que, com investimento em tecnologia, podemos tornar produtivas terras que estão sem uso adequado. Assim, ultrapassaremos a meta da FAO de aumentar em 40% a produção até 2050. Podemos chegar muito além do que isso, e sem desmatar”, declarou a ministra.

Rachel Kyte elogiou o desempenho da agricultura brasileira e destacou a “revolução de produtividade” pela qual passou o setor de grãos nas últimas décadas. “Mas entendemos que as mudanças que estão à frente são um desafio ainda maior”, acrescentou. “Temos convicção de que podemos gerenciar a terra de forma que a emissão de gases de efeito estufa reduza e a produtividade aumente”, afirmou a vice-presidente do Banco Mundial.

Agricultura de Baixo Carbono

Para alavancar a produtividade dos agricultores brasileiros sem aumentar o desmatamento e a emissão de carbono no meio ambiente, o Mapa pretende manter investimentos no Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), apoiar agricultores de baixa renda com capacitação técnica e conhecimento sobre agricultura sustentável, investir em irrigação e plantação de florestas.

“Há diversas técnicas eficientes para evitar a liberação de CO2, mas que ainda precisam ser democratizadas entre os nossos agricultores. Nós fazemos uma agricultura sustentável, porém temos que ajudar os pequenos a também contribuírem com o meio ambiente”, afirmou.

Kátia Abreu afirmou aos executivos que o Brasil tem 61% dos seus biomas preservados, o que representa 517 milhões de hectares de vegetação nativa. O continente africano, por exemplo, tem apenas 7,8%, a Ásia, 5,6% e a Europa, 0,3%. “É o maior território mundial de preservação. Nós só produzimos essa gigantesca agricultura em 27% do território nacional”, explicou.

Fonte: ambientebrasil

Eleições 2014: Organizações da sociedade civil apresentam agenda de desenvolvimento sustentável


               

Vinte e cinco organizações não governamentais (ONGs) apresentaram no ultimo dia 25 de Junho, na capital paulista, sete temas estratégicos que serão propostos aos candidatos nas eleições deste ano como parte de uma agenda nacional para o desenvolvimento sustentável. A ideia é fazer com que eles se comprometam publicamente com essas questões durante a campanha eleitoral e incluam nos planos de governo propostas concretas para assuntos como: meio ambiente, questões sociais, tansparência pública, economia sustentável, reforma política, valorização do trabalho e gestão pública.

De acordo com Gláucia Barros, diretora da Fundación Avina, esta é a primeira vez que um grupo de organizações constrói uma plataforma unificada com demandas originárias da sociedade civil. “Antes cada entidade apresentava a sua. No máximo duas se uniam. O objetivo é chamar a atenção, tanto dos candidatos como dos cidadãos, para a necessidade um debate programático”, explicou. Ela avalia que a iniciativa inova ao traçar uma agenda sistêmica que aborda aspectos fundamentais para o desenvolvimento do país.

No campo do meio ambiente, por exemplo, a agenda propõe uma economia de baixo carbono, redução das emissões de poluentes, conservação da biodiversidade marinha e florestal, uso e gestão sustentável dos recursos hídricos e implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “É fundamental que quem venha a assumir o governo se comprometa a colocar na mesa compromissos que sejam ambiciosos o suficiente para conter o aquecimento global”, defendeu Carlos Ritll, da secretaria executiva do Observatório do Clima.

O eixo que trata da desigualdade de renda destaca a necessidade de políticas de reforma agrária, ampliação e melhoria dos sistemas públicos de saúde e de educação, democratização da comunicação, direito à mobilidade urbana e rural, entre outros pontos. Uma lei anticorrupção empresarial e a elaboração de um plano nacional de transparência e controle social compõem o tema integridade e transparência. Para uma economia sustentável, as organizações propõem, por exemplo, a instituição de um sistema tributário progressivo.

O grupo de trabalho que formatou as propostas espera que coligações partidárias que venham a aderir a agenda, apresentem metas e planos para o cumprimento dessas propostas. “Avaliamos que esse é um trabalho para os planos de governo dos candidatos, que contam com equipes de técnicos e recursos. Delimitamos dentro do campo da sociedade civil o que estamos esperando e optamos por não chegar na proposta concreta”, explicou Vera Masagão, da Associação Brasileira de ONGs (Abong). A agenda deve ser apresentada aos candidatos até o final de agosto de 2014.

As organizações também estão atentas à necessidade de monitoramento dessas propostas após as eleições. Nesse sentido, será criada um plataforma digital chamada De Olho nas Promessas. Gláucia avalia que a dificuldade em acompanhar as demandas existe não só pela falta de objetividade na formatação das propostas dos candidatos, mas também “pela pouca capacidade da sociedade civil, em se organizar em torno de diferentes causas”. O site da Agenda Brasil Sustentável vai informar as adesões dos candidato, assim como as metas traçadas por eles. “As pessoas poderão comentar, sugerir e fazer vivo esse debate no período eleitoral”, disse.

Além da adesão de presidenciáveis e candidatos ao executivo estadual, as propostas estão disponíveis para senadores e deputados. “[Nesse caso,] devemos fazer a interlocução com os partidos políticos”, explicou Vera. Outras organizações e pessoas físicas que se sintam contempladas pelos compromissos também podem aderir à agenda pelo e-mail (agendabrasilsustentavel@gmail.com). A íntegra do documento pode ser acessado na página do Facebook.( https://www.facebook.com/AgendaBrasilSustentavel)

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2014/06/26/eleicoes-2014-organizacoes-da-sociedade-civil-apresentam-agenda-de-desenvolvimento-sustentavel/

Laísa Mangelli

III Congresso Internacional de Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável


                                                          

Estão abertas as inscrições para o III Congresso Internacional de Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, que será promovido pela Escola Superior Dom Helder Câmara nos dias 10, 11 e 12 de setembro. Neste ano, o evento discutirá a temática ‘Estado Socioambiental e Economia: um debate constitucional’, reunindo os maiores especialistas do Direito Ambiental e áreas relacionadas.

De acordo com a professora Beatriz Souza Costa, que participa da comissão organizadora, o assunto se monstra importante, primeiramente, para esclarecer o significado do termo socioambiental e, posteriormente, sua ligação intrínseca com a economia. “A obviedade da sobrevivência humana, como consumidores da natureza, envolve a economia (que visa o lucro com essa necessidade). Todavia, a partir da certeza da escassez de recursos naturais, a produção e o consumo de bens ambientais ensejam novos rumos”, afirma a professora.

A estrutura seguirá o padrão convencional de palestras por módulos, distribuídos nas manhãs e noites dos dias 11 e 12. Entre as presenças já confirmadas, estão os professores Demétrio Magnoli, da Universidade de São Paulo (USP); Consuelo Yoshida, da PUC-São Paulo; e Tiago Fensterseifer, da PUC-PR. O Congresso contará também com um forte time de palestrantes internacionais, formado pelos pesquisadores Tânia López, da Escuela Jacobea de Posgrado (México); Luiz Oosterbeek, do Instituto Politecnico de Tomar (Portugal); Jean Marc Sorel, da Université de Paris 1 – Panthéon Sorbonne (França), entre outros.

Oportunidade

De acordo com o professor Franclin Brito, coordenador do evento, a grande novidade desta edição é a oferta de minicursos na parte da tarde. “Eles discutirão temas transversais, como cinema socioambiental, modelos de sociedade (do consumo ao pós-consumo) e ética ambiental”, explica o professor.

Para os alunos da graduação da Dom Helder Câmara, a participação em um dos minicursos (somada à presença completa nos 4 módulos de palestras), valerá como um seminário temático (os estudantes devem cursar ao menos cinco seminários até o término da graduação). “É uma grande oportunidade, mas os estudantes devem ficar atentos à frequência e à escolha do minicurso, no momento da inscrição”, completa Franclin.

Confira a programação completa e os minicursos em oferta!

 

Gilberto Dimenstein e Uakti

A solenidade de abertura, que acontece no dia 10, às 19h, contará com conferência do jornalista Gilberto Dimenstein, comentarista da Central Brasileira de Notícias (CBN) e colunista da Folha de São Paulo. Formado na Faculdade Cásper Líbero, conquistou renome internacional trabalhando em importantes órgãos da imprensa como Jornal do Brasil, Correio Brasiliense,  Revista Visão e Jornal Última Hora.

Dimenstein destaca-se também por suas reportagens e projetos na área social. É criador da ONG Cidade Escola Aprendiz, membro da Comissão Executiva do Pacto da Criança coordenado pelo Unicef, entre outras iniciativas. “Ele fará uma reflexão sobre o meio ambiente a partir de um lugar muito interessante e instigante, que é o jornalismo. Acreditamos que sua visão crítica é uma boa maneira de iniciar os trabalhos”, comenta Brito. Também participam do debate o engenheiro Volney Zanardi, presidente do IBAMA; e Mauro Almeida, representante do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A noite de abertura terá ainda apresentação do Uakti. Formado em 1978, o grupo utiliza instrumentos artesanais – feitos de materiais como tubos de PVC, sinos de madeira e caldeirões – para produzir um som único e diferenciado.

Inscrições

As inscrições são obrigatórias para participar do evento e serão realizadas apenas pelo site. O valor do 1º lote, para pagamento até 31/07, é de R$ 50,00 (alunos e docentes da Escola) e R$ 100,00 (demais participantes).

Informações: http://domhelder.edu.br/congressodireitoambiental/

BRICS prepara criação de seu banco de desenvolvimento


Ministros de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul perfilaram os detalhes da criação de um banco de desenvolvimento para o bloco

 

 

Fortaleza – Os ministros de Economia e os presidentes dos Bancos Centrais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul perfilaram nesta segunda-feira os detalhes da criação do banco de desenvolvimento do BRICS na véspera da cúpula de chefes de Estado do fórum.

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus pares de Rússia, Anton Siluanov; China, Löw Jiwei; África do Sul, Nhlanhla Nene; e Índia, Nirmala Seetharaman; se reuniram a portas fechadas durante cerca de duas horas no marco da VI Cúpula dos BRICS, que oficialmente começa amanhã na cidade de Fortaleza.

Apesar de a agende prever uma entrevista de Mantega, o ministro não ofereceu detalhes sobre o banco de desenvolvimento e o fundo de reservas, cujos acordos constitutivos devem ser assinados amanhã pelos presidentes das cinco grandes economias emergentes.

De acordo com o presidente rotativo da associação empresarial BRICS Business Council, Rubens de La Rosa, os empresários se mostraram otimistas com a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS e em que o novo banco contemple o câmbio direto de moedas entre as cinco maiores economias emergentes do mundo para "baratear os custos de transação".

"A ideia é que se tenho que fazer uma remessa a Índia não tenha que converter (os reais) a dólares e depois a rúpias", comentou De la Rosa, que comemorou a futura criação do banco de fomento conjunto dos BRICS e do fundo de reservas, mecanismos que deverão ser formalizados amanhã durante a cúpula.)

Esse pedido, proposto pelo Brasil, constará no documento final que o Conselho Empresarial dos BRICS entregará amanhã aos presidentes dos cinco países e no qual sugerem medidas para melhorar as relações empresariais entre os países do bloco., como a facilitação na isenção de vistos.

Durante a primeira jornada da sexta cúpula também foi realizado um encontro entre os ministros de Comércio dos cinco países, que expressaram em comunicado conjunto sua preocupação pelo "lento processo de recuperação" da economia global e "pelas respostas de política econômica dos países desenvolvidos".

"Observamos incertezas relacionadas ao crescimento econômico e às respostas de política econômica que podem levar a um aumento da volatilidade do mercado financeiro e causar repercussões não desejadas da economia", afirma a nota.

Antes de viajar para Fortaleza, a presidente Dilma Rousseff recebeu hoje em Brasília o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que na véspera presenciou a final da Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha junto com a governante no Maracanã.

Dilma e Putin ratificaram seu objetivo de duplicar o valor do comércio bilateral e elevá-lo até US$ 10 bilhões anuais.

Na terça-feira está previsto que Dilma, Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro de Índia, Narendra Modi, realizem a primeira sessão plenária do fórum.

Além de abordar a criação do banco de fomento próprio e do fundo de reserva, os líderes das cinco potências incluirão no debate o "crescimento inclusivo" e o "desenvolvimento sustentável", segundo afirmou o subsecretário político do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima.

Após o encontro em Fortaleza, os líderes dos BRICS se transferirão a Brasília, onde se reunirão com os chefes de Estado e do governo dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Fonte: Época

Agenda brasileira para o desenvolvimento sustentável: economia para a sustentabilidade


O primeiro item proposto é a aprovação de uma política fiscal e tributária que incentive as atividades sustentáveis e desincentive as não sustentáveis.

Por Jorge Abrahão*

 

A vida política continua em ebulição, as candidaturas vão se delineando, mas os programas que eles vão defender para balizar suas ações de governo, caso eleitos, parecem ainda muito frágeis.

Daí o movimento de várias entidades da sociedade civil, inclusive do setor privado, em favor da elaboração de uma agenda nacional para o desenvolvimento sustentável, cujo conteúdo estamos comentado aqui neste espaço nas últimas semanas. A mensagem é de que há uma agenda comum proposta pela sociedade civil que pode ser adotada pelos governantes, independentemente dos partidos.

Na última vez que tratamos desse tema nesta coluna, listamos alguns projetos fundamentais que precisam ser adotados pelos governos para reduzir as desigualdades. Hoje, vamos tratar da economia para a sustentabilidade.

O primeiro ponto de proposta da agenda é a aprovação de uma política fiscal e tributária que incentive as atividades sustentáveis e desincentive aquelas não sustentáveis. Vale lembrar que política fiscal significa, grosso modo, a administração das receitas e despesas de um governo. Política tributária é aquela que envolve ações para angariar receitas para o erário público por meio de impostos e taxas.

Juntar política fiscal e tributária significa administrar receitas e despesas da União, dos Estados e dos municípios no sentido de contribuir para o fortalecimento de atividades ou negócios sustentáveis e desincentivar os que não sejam sustentáveis.

Isso já é feito, por exemplo, com o cigarro, cujos impostos não param de crescer há vários anos, para desincentivar o consumo. A medida foi adotada junto com outras ações educativas e de restrição à publicidade. O resultado é que o consumo de cigarros no país caiu 20% nos últimos seis anos.

A proposta é fazer algo parecido, por exemplo, com os materiais recicláveis, que, ao serem encaminhados para reaproveitamento, são novamente tributados como matéria-prima original. Acontece que latas, garrafas pet, aço e plásticos em geral já foram tributados na fonte na primeira vez em que saíram da linha de produção.

O que se perderia em receita de um lado – a desoneração dos recicláveis, no caso – pode ser compensado pelo aumento de tributos dos materiais que não podem ser reciclados e que ainda são utilizados pela indústria. Esse é o “desincentivo” às atividades não sustentáveis.

É claro que tudo isso deve passar por discussões com as diversas indústrias e com a sociedade, para definir as prioridades. Em parte, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e outros marcos regulatórios já trazem essa priorização. A questão principal é criar marcos regulatórios para que o Estado se movimente nessa direção.

Falando em marco regulatório, o país precisa de um que estabeleça e regulamente as compras públicas sustentáveis. Há leis e normas em vários Estados, municípios e órgãos públicos. Todavia, falta uma legislação geral que unifique e harmonize todas as ações locais, algo como uma Política Nacional de Compras Públicas Sustentáveis, que adote condicionantes de sustentabilidade, e não apenas de preço, para que as empresas possam participar de licitações ou vender produtos e serviços ao Estado brasileiro.

A ONU, inclusive, por meio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançou um programa global para apoiar a adoção, pelos países-membros da entidade, de programas nacionais de compras públicas sustentáveis para redirecionar gastos públicos para produtos e serviços que tragam benefícios sociais e ambientais relevantes. Esse assunto foi tema de nosso artigo no último dia 30 de abril (“ONU lança programa para deixar os mercados mais sustentáveis”).

Inovação

Outro fator importante da economia para a sustentabilidade é que ela precisa ser inovadora em processos, produtos e serviços, menos intensiva em carbono, mais eficiente no uso e reúso de recursos naturais, gerando oportunidades para os ainda bilhões de excluídos e mantendo o bem-estar para todos. Esse desafio vai exigir o melhor do espírito empreendedor e da criatividade dos brasileiros e das brasileiras. Portanto, também precisaremos que os governos, em todos os âmbitos, incentivem, nas escolas, nas empresas e nos próprios órgãos públicos, a inovação científica e tecnológica no sentido do desenvolvimento sustentável.

Um exemplo brasileiro é o etanol de cana-de-açúcar. Ele foi uma inovação que surgiu ainda nos anos 1970, durante a crise do petróleo, e contou com muito investimento público em pesquisa e desenvolvimento. Hoje, o produto que compramos nos postos de gasolina já é muito mais avançado, graças a contínuos investimentos dos próprios produtores de cana e das empresas distribuidoras do combustível.

Questão de cultura

E não adianta pensar em inovação sem cuidar do aperfeiçoamento cultural de todos os brasileiros, mas principalmente dos jovens da periferia. Inovação implica mais mudança de comportamento do que acesso a bens de consumo. E, no caso do desenvolvimento sustentável, mudar processos, produtos e serviços significa transformar a maneira como vivemos. O bem-estar deve vir mais pelos valores do que pelo consumo, mais pelo compartilhamento do que pela posse de bens individuais. As inovações sustentáveis precisam levar em conta os limites do planeta e as necessidades dos seres humanos, entendendo o bem-estar como saúde, educação, segurança, saneamento e acesso à cultura, que são os bens imateriais da sociedade.

Ainda no âmbito da economia para a sustentabilidade, a agenda propõe que o Brasil aproveite mais as vantagens comparativas, entre outras, de recursos naturais e da janela demográfica (que permitirá ao país ter uma população economicamente ativa relevante, formando, em pouco tempo, imensa força de trabalho e um novo mercado interno).

Outra dessas riquezas que podem dar vantagem ao país na nova geopolítica do século 21 são as comunidades e povos tradicionais, cuja sobrevivência depende de manter e conservar nossos ecossistemas.

Precisamos de um novo padrão de desenvolvimento para garantir o bem-estar dessas populações, utilizando os recursos naturais sem destruí-los e gerando emprego e renda para esses milhões de brasileiros. Só conseguiremos tal patamar com políticas públicas e investimentos em ciência e inovação.

Finalmente, nesse item, não haverá economia para a sustentabilidade sem a progressividade dos tributos, principal ferramenta para uma rápida e consistente redução das desigualdades sociais.

Jorge Abrahão é diretor-presidente do Instituto Ethos.

 

Fonte: Ethos