Movimento Ecos 2020: aprimoramento e educação ambiental para todos


Por Elmo Júlio de Miranda, desde fevereiro de 2011 no Movimento Ecos

Após a pausa do recesso letivo, o Movimento Ecos retorna com suas atividades de educação ambiental. Fevereiro iniciou-se com várias reuniões entre profissionais, professores, nucleadores, estudantes e coordenação geral para sistematizar as diretrizes, regulamento e editais que definem as estratégias do Movimento.

Promovido pela Dom Helder Escola de Direito e pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE), o Ecos está com novas propostas que interiorizam o projeto em busca de maior dinamismo em suas atividades. Uma das transformações é a implantação de elementos facilitadores para melhorar as condições de desenvolvimento das escolas de Belo Horizonte e região metropolitana. Dessa maneira, pretende-se levar mais qualidade para os projetos.

Novas estratégias

Para 2020, o Movimento Ecos ampliou grupos de pesquisas, capacitando seus integrantes para que possam levar maior conhecimento e nível técnico às equipes. O objetivo é suprir as necessidades que giram em torno do descarte de materiais, resíduos, água, energia, melhorias dos espaços das escola e entorno, além de outras categorias que possam colaborar com melhores resultados nas relações das equipes com os espaços físicos-naturais. A proposta é que o Ecos possa ser, cada vez mais, uma ferramenta que possibilite mudanças de posturas em um plano coerente, pedagógico e multiplicador para todas essas comunidades.

A relevância do Projeto Socioambiental para a educação mineira

Espera-se, para 2020, a ampliação e a participação de novos centros de ensino técnicos, ligados à indústria, para a dinamização do Movimento. O Ecos atenderá novas escolas da região metropolitana de Belo Horizonte, tais como Ibirité, Lagoa Santa, Nova Lima, Santa Luzia, Vespasiano e ampliará o número de instituições em Contagem, Ribeirão das Neves e Sabará.
A importância do Movimento nessas escolas vem sendo observada e muito valorizada pela rede de ensino público, visto que o Projeto Socioambiental está legitimamente conveniado à Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG), obtendo total reconhecimento institucional entre as partes.

A experiência crescente do projeto

A cada ano, o projeto vem sendo reconhecido pelo estado e pela federação, através de premiações e no aumento de escolas participantes. Tal fato é fruto do trabalho e profissionalismo dos parceiros do projeto que buscam, com detalhes, a dinamização e melhorias estruturais para o Ecos.

Ainda temos “a questão multiplicadora” que possibilita que as famílias, comunidade e todo o entorno das escolas recebam parte dessa educação ambiental, modificando atitudes, repensando ações e adequando suas relações em prol de um ambiente mais equilibrado e harmonioso.

Afinal, o Movimento Ecos, inicia sua décima edição nas escolas…

O Ecos começou seu trabalho com as escolas em 2011, com meia dúzia de instituições participantes. A cada ano esse número aumentou devido ao valor ambiental que o movimento carrega e o seu papel como obra social na educação pública.

Todos nós aprendemos, todos nós reconhecemos e todos nós agradecemos!

Edição – NECOM

Dom Helder e EMGE recebem doações para vítimas das chuvas


A Dom Helder Escola de Direito e a Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE) receberão doações de produtos de limpeza e de higiene, água mineral e alimentos não perecíveis para as vítimas das chuvas em Minas Gerais.

O posto de coleta funcionará a partir desta quinta-feira (30), de 8h às 18h, na sede das instituições (Rua Álvares Maciel, 628, Santa Efigênia, Belo Horizonte). Os materiais arrecadados serão encaminhados para o Serviço Social Autônomo (Servas), para a Cruz Vermelha e outras entidades.

De acordo com o novo balanço divulgado pela Defesa Civil, o estado tem 101 municípios em situação de emergência, 38.703 pessoas desalojadas e 8.157 desabrigados. Além de receber as contribuições da comunidade acadêmica, a Dom Helder e a EMGE doarão os móveis que foram substituídos na última reforma dos prédios.

Informações: (31) 2125-8800

Prorrogado estado de alerta para barragens em Minas, Rio, Goiás e Espírito Santo


(Divulgação / Vale)

A Agência Nacional de Mineração (ANM) estendeu até o dia 31 de janeiro o estado de alerta para as empresas que têm barragens de mineração nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo, emitido na última quinta-feira (23), com data de encerramento no sábado (25). A medida foi tomada após a agência receber dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) com a previsão de tempo. Novas previsões do instituto indicam que ainda haverá fortes chuvas nesses estados nos próximos dias.

“A maior intensidade de precipitação deve ocorrer na região centro norte de Goiás, regiões litorâneas do Espírito Santo, região centro-sul de Minas Gerais e região serrana do Rio de Janeiro. Os fiscais da ANM pedem que as equipes de segurança de barragens se mantenham em alerta com monitoramento diário das condições das estruturas – em especial do estado de conservação – além de manter atenção especial às tomadas d’agua dos vertedouros, para garantir a capacidade vertente de acordo com o projeto”, informou a agência.

Em caso de detecção de qualquer anormalidade, a agência determina que as empresas acionem o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM). Além disso, também devem informar, imediatamente, o Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens (SIGBM).

Monitoramento

Na última sexta-feira (24), a agência lançou uma versão pública do SIGBM, antes acessível apenas para as empresas e os fiscais da ANM. A ferramenta permite o acompanhamento em tempo real de como está a situação das 816 barragens de mineração no país. Entre as informações disponíveis, estão a categoria de risco, altura, volume e método construtivo da barragem, dano potencial, entre outros.

Para realizar a consulta é necessário inserir algumas informações sobre a barragem, como nome e CNPJ da empresa, estado e município em que se localiza, tipo de rejeito armazenado, estado de conservação, se ela está inserida no Plano Nacional de Segurança de Barragem (PNSB) ou se tem Plano de Ação Emergencial (PAE). É possível também fazer comparações entre barragens por regiões, estados ou municípios, gerar gráficos, tabelas e estatísticas e até ver uma imagem da barragem.

EBC

MP questiona licenciamento ambiental fragmentado para complexo de Grão Mogol


Ação Civil Pública pede que o processo seja analisado em conjunto. Ibama tinha esse entendimento, mas mudou de posição

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) ajuizaram Ação Civil Pública (ACP) questionando a fragmentação do licenciamento ambiental do projeto bloco 8, da empresa Sul Americana Metais (SAM), que engloba extração mineral em Grão Mogol (Norte), mineroduto Minas-Bahia e escoamento portuário da produção na Bahia. Uma parte do licenciamento ficou a cargo do Estado de Minas Gerais, e a outra, sob responsabilidade do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

A ação pede que o processo fique concentrado no Ibama, que de 2010 até 2018, entedia ser o órgão ambiental responsável pelo licenciamento global do empreendimento. Entretanto, em 2019, mudou o posicionamento, aceitando ficar apenas com a parte relacionada ao mineroduto. Para conseguir o fracionamento do processo, a mineradora SAM teria criado a empresa Lótus Logística. Para o Ministério Público, o que ocorreu foi uma manobra para burlar legislação estadual e federal.

Entenda o caso

Há aproximadamente 10 anos a SAM busca o licenciamento do complexo minerário, com instalação proposta para Grão Mogol. Contudo, o projeto, segundo a ACP, vem sendo questionado pela população, tanto em relação ao local da instalação, situado em área de conflitos pela escassez de recursos hídricos, como pelos impactos ambientais negativos, pois lá seria instalada uma das maiores barragens de rejeitos do estado ou até do país.

Por contemplar o mineroduto Minas-Bahia, envolvendo dois estados, o primeiro pedido de licenciamento do complexo minerário foi apresentado ao Ibama, em 2010. Já nessa época, de acordo com os representantes do Ministério Público, a preocupação era de que o pedido fosse analisado de forma global, evitando-se o fracionamento, pois, ao se analisar integralmente o caso, seria possível considerar, não apenas os impactos diretos e indiretos da produção mineral, mas também a parte do escoamento via mineroduto.

Diante disso, o Ibama unificou todo o empreendimento para que o licenciamento, tanto do complexo minerário em Grão Mogol, quanto o mineroduto Minas-Bahia e o escoamento da produção na Bahia, fosse analisado em conjunto. Em 2016, após a apresentação do estudo ambiental, o Ibama opinou pela inviabilidade do empreendimento, diante dos impactos negativos relacionados aos recursos hídricos, a qualidade do ar e o volume de rejeitos. E mesmo depois do pedido de reconsideração feito pela empresa, o Ibama manteve a negativa.

Em 2017, a mineradora entrou com novo pedido de licenciamento ao Ibama, mas apenas para a parte relativa ao mineroduto. E pediu que o complexo minerário em Grão Mogol fosse analisado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad). No entanto, o Ibama indeferiu o pedido de desmembramento do processo por entender que se tratava de uma tentativa de fracionamento indevido do licenciamento.

Foi então que a mineradora, em abril de 2018, pediu o licenciamento apenas do complexo minerário em Minas e excluiu a parte do mineroduto. Entretanto, em reunião com o Ministério Público, em agosto de 2018, a empresa disse que a parte em Grão Mogol funcionaria em conjunto com o mineroduto. Mas o licenciamento dele ficaria com a Lótus Logística. Com isso, segundo a ACP, estaria confirmada a fragmentação do empreendimento para fins de licenciamento, contrariando parecer do Ibama.

“Não se tratam de empresas distintas a empreenderem atividades com ligação ocasional, mas de empresas que compõem o mesmo grupo, controladora e controlada, atuando conjuntamente como se um único empreendedor fosse, na execução das atividades interdependentes do mesmo empreendimento que o grupo visa explorar, dando ensejo, inclusive, para tanto, ao fracionamento do procedimento de licenciamento ambiental, que deveria ser, novamente, analisado de modo global pelo Ibama”, afirmam os representantes do Ministério Público.

Diante dessa manobra, o Ministério Público enviou Recomendação ao órgão licenciador de Minas Gerais para que fosse indeferido o pedido da mineradora. Mas a orientação não foi acatada. Na época, o Ibama também comunicou à Lótus o encerramento do processo em razão do fracionamento indevido e, ainda, manteve o entendimento de que o mineroduto e o complexo minerário deveriam ser licenciados conjuntamente. Porém, em 2019, o Ibama mudou o posicionamento e autorizou o licenciamento fragmentado do empreendimento.

Na ACP, o Ministério Público pede que o processo de licenciamento do complexo minerário, do mineroduto e do escoamento portuário seja analisado de forma global pelo Ibama, e que as empresas SAM e Lótus sejam proibidas de apresentar novos pedidos de licenciamento fracionado.

MPMG/Dom Total

Barragem de Brumadinho rompeu por liquefação estática, dizem especialistas


Bombeiro trabalha no resgate de pessoas em Brumadinho no crime ambiental que chocou o mundo (Mauro Pimentel/AFP)

O rompimento mortal de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, foi resultado da “liquefação estática dos rejeitos dentro da barragem”, concluiu um painel de especialistas contratado pela assessoria jurídica externa da mineradora para avaliar as causas técnicas do ocorrido.

Em relatório publicado nesta quinta-feira (12), o painel pontuou que a estrutura não continha drenagem interna suficiente e, portanto, tinha um alto nível de água no talude a jusante. “Isso fez com que uma parte significativa dos rejeitos permanecesse saturada, o que é um pré-requisito para a liquefação estática não drenada”, disse o documento.

O painel, que não teve como objetivo apontar responsabilidades pelo desastre, que deixou mais de 255 mortos, concluiu ainda que não houve atividade sísmica ou registro de detonações antes do desastre e que nenhum dos dispositivos de monitoramento detectou precursores de rompimento.

“Em vez disso, o rompimento da barragem foi súbito e abrupto, decorrente de altas tensões de cisalhamento no talude a jusante da barragem e da resposta frágil e não drenada dos rejeitos”, apontou a análise. Segundo o relatório, que foi divulgado pela Vale, características do projeto e da construção da Barragem I estão entre os fatores que contribuíram para seu rompimento.

“Especificamente, o projeto resultou em uma barragem íngreme, com falta de drenagem suficiente, gerando altos níveis de água, os quais causaram altas tensões de cisalhamento dentro da barragem”, afirmou. O rompimento de Brumadinho liberou uma onda de lama, que atingiu mata, rios e comunidades da região, além de refeitório e área administrativa da própria Vale, durante a hora do almoço. Grande parte das vítimas fatais era de funcionários da mineradora.

Em fevereiro, uma autoridade do governo mineiro afirmou que tudo indicava que o desastre teria ocorrido por liquefação, o que já ocorreu em outros grandes desastres no mundo em estruturas com o mesmo método de construção de Brumadinho, com tecnologia de alteamento a montante.

O sistema a montante custa menos que outros tipos de design, mas apresenta maior risco de segurança, porque suas paredes são construídas sobre uma base de resíduos, em vez de em material externo ou em terra firme. A liquefação, com o maior acúmulo de água na estrutura, foi também o motivo apontado para o rompimento de barragem da Samarco (joint venture da Vale com BHP) em novembro de 2015, que utilizava o mesmo método de alteamento.

Reuters / Dom Total

Vale elimina a primeira de suas nove barragens a montante remanescentes em MG


A empresa pontuou que as demais barragens a montante também já estão passando por obras preliminares (Divulgação / Vale)

RIO DE JANEIRO – A mineradora Vale informou nesta quarta-feira ter concluído as obras para a eliminação da primeira de suas nove barragens com método construtivo a montante que serão descaracterizadas, conforme anunciado em janeiro, após o rompimento fatal de uma de suas estruturas em Brumadinho (MG).

A companhia está investindo R$ 8,6 bilhões nas obras de descaracterização, o que inclui aportes na construção de barreiras de contenção a jusante para reforçar a segurança.

Enquanto realiza os trabalhos de descaracterização, a maior produtora global de minério de ferro mantém paralisada capacidade de cerca de 55 milhões de toneladas, adiando a meta de aproximadamente 400 milhões de toneladas/ano, antes esperada para 2019.

A empresa espera retomar em 2020 cerca de 30 milhões de toneladas de operações suspensas por Brumadinho e mais 25 milhões em 2021, segundo informou a Vale no seu último relatório de produção.

A primeira barragem descaracterizada foi a chamada 8B, na Mina de Águas Claras, em Nova Lima, cujas obras foram iniciadas em 17 de maio, disse a Vale nesta quarta-feira.

O objetivo, segundo a companhia, é que nos próximos três anos todas as barragens estejam descaracterizadas ou com o fator de segurança adequado, sem oferecer risco às comunidades e municípios localizados abaixo das estruturas e ao meio ambiente, pontuou a mineradora.

O plano para a eliminação dessas estruturas foi colocado em prática após uma barragem da companhia em Brumadinho, com o mesmo método construtivo, ter entrado em colapso em 25 de janeiro, liberando uma onda de rejeitos de minério de ferro que atingiu instalações da companhia, rios, mata e comunidades.

O desastre deixou mais de 255 pessoas mortas, grande parte de funcionários da própria empresa.

“A área onde ficava a barragem também está sendo revegetada, o que permitirá uma reintegração mais rápida ao meio ambiente”, afirmou a Vale, em um comunicado à imprensa.

“Foi aplicada uma manta vegetal em uma área de 12.700 m2 e plantadas mil mudas de espécies nativas da Mata do Jambreiro, reserva de proteção permanente preservada pela Vale onde estava localizada a 8B.”

A empresa pontuou que as demais barragens a montante também já estão passando por obras preliminares com o objetivo de rebaixar o nível de água das estruturas, antes do início da descaracterização propriamente.

Marta Nogueira / Reuters

Barragem gigante é vistoriada após tremor de terra atingir Congonhas


Casa de Pedra tem 76 metros de altura e capacidade de acumular cerca de 50 milhões de m³ de rejeito (Reprodução)

Equipes da Agência Nacional de Mineração (ANM) e da Defesa Civil de Minas Gerais vistoriam, nesta terça-feira (26), a situação da barragem Casa de Pedra, da mineradora CSN, e de outras estruturas de Congonhas, região Central do estado. Na noite dessa segunda-feira (25), um tremor de terra de magnitude 3,2 na Escala Richter assustou a população, que já vive apreensiva por causa das 24 barragens que cercam a cidade.

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A mineradora CSN, responsável pela barragem Casa de Pedra, garante que o tremor não abalou a estrutura, que tem 76 metros de altura e capacidade para 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Trata-se da maior barragem em área urbana da América Latina.

O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB) registrou que o epicentro do tremor aconteceu no território de Belo Vale, também na Região Central, às 20h27 e teve magnitude de 3.2.

“O tremor sentido em Congonhas não causou nenhum dano na estrutura da barragem Casa de Pedra. Todas as inspeções realizadas evidenciaram que elas estão estáveis e nenhuma anomalia foi identificada. Também não houve dano nas demais áreas da unidade”, diz nota da CSN, que segue monitorando a situação.

A Prefeitura de Congonhas informa que fez contatos com diversas pessoas para verificar a origem do fenômeno, se de ordem natural ou provocada por algum acidente. “Equipe da Prefeitura segue monitorando informações sobre a segurança das estruturas de barragens. A primeira preocupação foi com a condição de estabilidade da estrutura da Barragem Casa de Pedra, que é a mais próxima da área urbana”.

“Não tem nenhuma informação de que há risco iminente de rompimento. Isso é totalmente inverídico, não tem essa informação. A casa de Pedra continua estável, segundo a geotecnia da CSN”, tranquilizou o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil estadual.

Barragens

Congonhas tem 24 barragens. Além da CSN, Gerdau, Ferrous e Vale operam na cidade. No entanto, a operação da Casa de Pedra é a que gera mais insegurança. Em 2017, um parecer do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontou risco de rompimento da estrutura e determinou que a CSN Mineração tomasse uma série de medidas para sanar danos. Conforme o órgão, a empresa executou as determinações.

Com população de aproximadamente 54 mil habitantes, Congonhas seria destruída em caso de rompimento das barragens. Das 24 estruturas, 54% têm dano potencial associado considerado alto.

Relatório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Congonhas mostra que a cidade histórica que abriga os profetas do mestre Aleijadinho seria praticamente varrida. O colapso afetaria de maneira drástica até mesmo outros municípios.

Mais de 20 mil estudantes caminham em defesa do meio ambiente


Caminhada EcoDom 2019 para Belo Horizonte e levou mensagem de preservação ambiental Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

Belo Horizonte teve grande mobilização em defesa do meio ambiente na manhã desta sexta-feira (22). Mais de 20 mil estudantes, acompanhados pelos seus professores, participaram da VIII Caminhada Ecológica, promovida pelo Movimento EcoDom, celebrando o empenho e as conquistas de projetos de sustentabilidade desse ano. O Movimento EcoDom, da Escola de Direito Dom Helder e Escola de Engenharia EMGE, conta com a participação de escolas da rede pública de educação de Minas Gerais, em convênio com a Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG). O evento contou também com as 61 escolas que disputaram, exclusivamente, o Campeonato Estadual de Matemática (CEM) promovido pela EMGE.

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Munidos com balões, faixas, tambores e bandeiras, os estudantes deixaram a Praça Raul Soares, às 8h30, e seguiram pela Avenida Olegário Maciel até a Praça da Assembleia Legislativa, no Santo Agostinho. A manifestação foi puxada pela fanfarra do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) e parou o Centro de Belo Horizonte. “É muito bonito ver esses jovens com tamanha empolgação e alegria! Temos que nos manifestar mesmo. O meio ambiente agradece”, afirmou a aposentada Maria Helena Costa, que mudou o percurso de suas atividades físicas para acompanhar a caminhada.

Os percursos de uma caminhada contínua em prol da sustentabilidade do planeta


Por Elmo Júlio de Miranda

O encerramento do Movimento EcoDom 2019 está bem próximo, mas a nossa jornada é contínua. Enfrentamos muitas lutas para alcançarmos transformações positivas. A parceria da escola pública com o movimento gera grande expectativa para a construção de um projeto de educação ambiental que se processa em várias ações e atividades. O percurso para a conclusão dos projetos contou com muita perseverança, compromisso e criatividade de centenas de jovens que integraram as equipes EcoDom das escolas juntamente com o corpo docente.

Já é possível ver todas essas transformações, os ganhos socioambientais, desde o espaço físico inovado nas escolas, bem como as novas posturas adquiridas em um processo de aprendizado e de conscientização com as múltiplas relações dos grupos culturais.

As tarefas concluem as propostas coletivas do EcoDom e dos projetos nas escolas, porém, a trajetória repassa por outras atividades que gratificam a própria educação, os jovens discentes e o corpo docente e modifica a estrutura dos padrões de ensino e o exercício da educação ambiental, contribuindo para a extensão do ensino-aprendizagem.

Notadamente as avaliações finais não serão muito fáceis. Para este ano, observa-se as diversidades dos projetos nas escolas, com muita complexidade e criatividade nos trabalhos e ações das equipes.

PARABÉNS A TODOS DESDE JÁ!!!

Mesmo antes dos resultados finais dos projetos das escolas e dos editais autônomos, tais como o Concurso de Fotografia Garota e Garoto EcoDom, o Festival de Dança EcoDom e a Pegada Ambiental, nota-se que as escolas já não são mais as mesmas. Os valores de toda trajetória percorrida estão impregnados entre o movimento e os professores, alunos e colaboradores em geral.

É perceptível a felicidade e unidade que o movimento traduz em grandes trabalhos e esforços coletivos, reunidos com o propósito de salvar a natureza e o planeta. Isso, para nós, já é um resultado muito positivo.

O EcoDom e a grandeza de um rio, que segue seu percurso…. Uma prosopopeia feliz…

Eu, professor Elmo Júlio, fico irradiado com todo esse trabalho em conjunto, pois desde 2011 vi o movimento brotar nas escolas e, como todo rio que se forma de nascentes, com certeza vejo a importância dessas escolas como se fossem as primeiras águas vivas que tornarão esse rio caudaloso e perene. O EcoDom, como se fosse um rio, que percorre, irriga e contribui com a existência da educação ambiental nas escolas públicas, rio esse, que desce os planaltos, enfrenta obstáculos, mas impetuosamente luta no caminho de  seu curso, reúne pessoas comprometidas e que nas margens, lança seus sedimentos de sabedoria.

Edição – Equipe EcoDom

Dizem que Minas não tem mar…


Por Willio Campos

O Brasil tem um território de 8.514.876 quilômetros quadrados. Sua extensão litoral conta com um total de 7.367 quilômetros, banhados pelo Oceano Atlântico. Minas Gerais, por estar no centro do território, assim como outros tantos estados federados, não possui um centímetro sequer banhado pelo oceano. Mas engana-se quem diz que Minas não tem mar.

Se apegarmos a um conceito de que mar é uma grande quantidade de água salgada que banha a maior parte do nosso planeta, realmente Minas não tem mar.

Mas, quando tratamos de linguagem e comunicação, a coisa não funciona bem assim. A linguagem humana não possui característica binária pré-constituída, ou seja, “é ou não é”.

Como sistema complexo de comunicação, a linguagem humana representa um universo extremamente diversificado de significação para um mesmo símbolo. Tomamos como exemplo uma simples imagem presente no cotidiano: manga. Uma fruta, uma parte de uma roupa, ou mesmo um verbo, são variações significativas de um mesmo tema.

Há ainda uma certa vagueza, que também se coloca como prejuízo de compreensão. Ainda que consideremos manga como fruta, essa mesma palavra tem capacidade de representar todas as mangas do mundo? Certamente não. Já que, no universo das frutas, há tipos de mangas diferentes. Quem visita um hortifrúti, sabe bem: manga espada, manga tommy, manga haden, manga palmer e assim vai…

Palavras são sinais (signos) que apresentam significações diferentes. A comunicação e a linguagem não se limitam ao posicionamento de signos em uma frase (o que se diz), mas vai além. Há o lado semântico (o que se quer dizer) e pragmático (porque se quer dizer) que compõem, de modo muito equalizado, o que se comunica.

“Uma chuva que cai do céu” (o que se diz) pode representar muito mais do que a informação física de evaporação da água, sua condensação em nuvens e a precipitação de gotas. Afinal, toda chuva cai do céu.

“Uma chuva que cai do céu” no sertão árido brasileiro, no foco de uma queimada ou em um calor escaldante, tem significado de um presente, uma dádiva (o que se quer dizer) por representar uma necessidade às exigências do momento ou do lugar (porque se quer dizer).

Se significados distintos valem para manga ou chuva, por que não valeriam para mar?

Um mar de transformação foi instalado pela onda que o EcoDom causou.

Transborda ações e emoções no cotidiano de cada escola, dando um ressignificado às coisas. O lixo se transforma em luxo, bastando o olhar artístico que cada escola se esforçou em ter para desenhar um novo vestuário para a Concurso de Fotografia Garota e Garoto Ecodom. O óleo usado se transforma em recurso, aumenta o caixa da escola, financia melhoramentos e transformações. O que se desperdiçava, como um pouco de água de um bebedouro, passa a ser captado e reutilizado nas necessidades emergentes.

Um mar de ações foi realizado pela onda que o EcoDom causou.

A ação transforma o espaço e as relações. Mudam-se os hábitos. Mudam-se as culturas. Mudam-se os significados. Descarte e desperdício dão lugar à reciclagem e à consciência sustentável, evidenciando que a escola é espaço de formação e transformação humana de jovens e adultos.

Um mar de esperança é criado, pela onda que o EcoDom causou.

O despertar de uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional também é efeito dessa onda, já que o EcoDom oferece aos seus integrantes a oportunidade de continuar seus estudos em faculdade de ponta, que tem como meta a excelência em tudo que faz.

As inscrições estão chegando ao fim e o vestibular já se aproxima, mas sabemos que o projeto ainda não, pois ainda temos a 5ª tarefa em aberto e as finais artísticas da Dança EcoDom e do Concurso de Fotografia Garota e Garoto EcoDom, sem falar na grande Caminhada Ecológica.

Nessa caminhada, a onda será contagiante, pois, como falava um grande compositor dessas terras de mar de montanhas: um mais um é sempre mais que dois.

Sim, Minas tem mar. Um mar de excelência. Sabemos que, quando queremos, conseguimos mudar muita coisa.

Sim! O EcoDom é um mar e, juntos, podemos!

Edição – Equipe EcoDom