Degelo na Antártica triplica e impulsiona elevação do nível do mar

 

A Antártica perdeu impressionantes 3 trilhões de toneladas de gelo desde 1992, fazendo o nível dos oceanos aumentar em nível global quase 8 milímetros, e esta tendência se acelerou de forma espetacular ao longo dos últimos cinco anos, segundo um estudo divulgado nesta semana.

Até 2012, o continente branco situado no Polo Sul havia perdido 76 bilhões de toneladas de gelo ao ano, calcularam 84 cientistas que participaram deste estudo de referência, divulgado na revista científica Nature.

Após esta data, a cifra saltou para 219 bilhões de toneladas ao ano. Dito de outra forma, após cinco anos, o gelo derreteu em um ritmo quase três vezes maior do que antes, o que representa uma ameaça para centenas de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.

“Agora temos uma imagem inequívoca do que está acontecendo na Antártica”, ressalta Eric Rignot, coautor do estudo e pesquisador do Jet Propulsion Laboratory da NASA.

“Consideramos esses resultados como mais um alarme para agir, para desacelerar o aquecimento global”, insiste o cientista francês, que estuda os glaciares e polos há 20 anos.

Coberta mais de 98% por gelo permanente, o continente cercado pelo Oceano Antártico responde por 90% do gelo terrestre e contém a maior reserva de água doce do planeta. Se toda essa massa de gelo derretesse, elevaria o nível do oceano em quase 60 metros.

Até agora, os cientistas lutavam para determinar se a Antártica ganhou massa através da queda de neve ou a perdeu devido ao derretimento do gelo ou à separação de icebergs.

Mas mais de duas décadas de observações por satélite fornecem uma visão mais completa.

“Sinal de alarme”

Mais de 90% do gelo está no leste da Antártica, que se manteve relativamente estável apesar do aquecimento global.

O oeste da Antártica, por outro lado, é muito mais sensível, especialmente a península antártica, onde mais de 6.500 quilômetros quadrados de gelo já se desprendeu do resto do continente.

Nos últimos 25 anos, o período abrangido pelo estudo, quase toda a massa de gelo perdida foi perdida na zona oeste.

“Embora ainda haja uma incerteza considerável sobre a evolução da massa do leste da Antártica, está se tornando cada vez mais claro que a perda de gelo no oeste se acelerou”, observa Kate Hendry, uma cientista da Universidade de Bristol, que não participou do estudo.

Se a tendência continuar, a Antártica pode se tornar a principal causa do aumento do nível do mar, à frente da dilatação térmica – a água ocupa mais espaço à medida que se aquece – e o derretimento do gelo na Groenlândia e em geleiras ao redor do mundo.

“Os dados mostram que a situação está piorando a cada ano”, diz Isabella Velicogna, professora da Universidade da Califórnia em Irvine e coautora do estudo, cujos resultados foram elogiados por vários cientistas.

“A força desta pesquisa é ter reunido resultados e metodologias de diferentes equipes ao redor do mundo”, aponta Twila Moon, cientista do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), no Colorado.

Cabe agora às autoridades políticas agir em resposta.

“O futuro da Antártica está ligado ao do resto do planeta e da sociedade humana. Agora, é preciso tomar medidas para desacelerar o ritmo das mudanças ambientais, aumentar a resiliência da Antártica e reduzir o risco de (…) mudanças irreversíveis “, afirma o oceanógrafo australiano Steve Rintoul, autor de outro estudo sobre a Antártica publicado nesta quarta-feira na Nature.

“Deve ser um enorme sinal de alarme”, diz Martin Siegert, professor do Imperial College London, que não participou do estudo.

AFP

SOS Mata Atlântica entrega propostas para pré-candidatos

A Fundação SOS Mata Atlântica apresentou nesta quarta-feira (13) uma plataforma que reúne suas propostas para os pré-candidatos das eleições de 2018. Batizado de “Desenvolvimento para Sempre”, o documento chama atenção para os marcos da legislação ambiental dos últimos 30 anos. A instituição apresentou suas propostas aos representantes dos movimentos Acredito, Agora, Bancada Ativista e Muitas, com foco na conservação da Mata Atlântica.

Dentre as propostas da ONG estão a extinção do desmatamento ilegal no bioma, a validação de todos os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) na Mata Atlântica, dando prioridade a regiões estratégicas para abastecimento e à manutenção da política de criação de parques e áreas de preservação. Além disso, a fundação ainda reiterou a importância de vetar integralmente as iniciativas que busquem reduzir as áreas protegidas.

O ambientalista e ex-secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo, Fábio Feldmann, disse em nota que as preocupações com o meio ambiente não estão vinculadas a ideias de esquerda ou direita, e sim com a ideia de pensar no futuro. “Quando participei da construção do capítulo de meio ambiente da Constituição Federal, estávamos saindo de um regime autoritário e se encontrando na democracia. Hoje, a política se esvaziou de conteúdo e chegamos no descrédito da democracia.”

Erika Bechara, advogada especialista em direito ambiental, questionou as plataformas dos políticos, que pouco tocaram na questão ambiental em suas propostas. “Onde estão os pré-candidatos com pauta ambiental? A sociedade comprou a ideia de que o ambiente é um estorvo, algo antieconômico. Precisamos mudar essa concepção. Meio ambiente é essencial para a qualidade de vida de todo mundo, é um direito humano”, disse.

“Como vamos sobreviver a esse Congresso Nacional em cenário hostil? Trabalhar com a Frente Parlamentar Ambientalista é uma das saídas, pois ela é a única que ouve a sociedade civil”, disse em nota Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, afirmando ainda que, para se pensar em políticas ambientais, é preciso conhecer os representantes dos diversos setores no Congresso.

Agência Estado

Terras indígenas foram invadidas com soja transgênica, conclui Ibama

Por Rubens Valente

O Ibama multou em R$ 2,7 milhões produtores rurais e associações indígenas após confirmar o plantio de soja e milho transgênicos em quatro terras indígenas no oeste de Mato Grosso, levados por produtores rurais que fecharam contratos com os índios para exploração da área. O cultivo e a pesquisa de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) em terras indígenas são proibidos pela lei 11.460, de 2007.

Exames laboratoriais levaram o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a interditar cerca de 7,5 mil hectares nas terras indígenas Paresi, Rio Formoso e Uirapuru, dos índios parecis, e Tirecatinga, dos nambiquaras. Os responsáveis pelo plantio são quatro associações de indígenas e quatro agropecuárias. Do total de R$ 2,7 milhões em multas, as associações foram autuadas em R$ 240 mil.

Os fiscais ambientais também embargaram outros 16 mil hectares que eram arrendados pelos indígenas para exploração agrícola, o que implicou outros R$ 23,2 milhões em multas aplicadas. O Ibama também apontou como ilegal o plantio em terras indígenas mesmo com espécies de plantas não transgênicas.

A ação do Ibama revolve um assunto que divide opiniões entre indígenas e indigenistas e é considerada uma bandeira da bancada ruralista no Congresso: conseguir alterar a lei a fim de permitir o arrendamento de terras indígenas para a monocultura.

O Ibama considera a atividade ilegal, com base na lei de crimes ambientais, a 9605/1998, e que ela afronta a previsão constitucional de que as terras indígenas são aquelas “necessárias à reprodução física e cultural” dos índios, “segundo seus usos, costumes e tradições”.

Para o órgão, não há outra saída senão aplicar a legislação que veda a presença de transgênicos em terras indígenas e a lei de crimes ambientais em três artigos, entre os quais “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação”.

“A transgenia em terras indígenas é 100% ilegal e não se discute”, disse o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Renê Luiz de Oliveira.

“Fala-se muito de garimpo e madeira como ameaças às terras indígenas, porém há também as ameaças da soja e do boi. Cada vez mais as comunidades indígenas estão sendo pressionadas a permitir isso. Até então, vinham na cultura que impede o acesso do não indígena à terra, mas passaram a ser mais liberais. Os grandes guardiões das terras indígenas são os próprios índios. Eles podem caçar, produzir, mas não podem franquear acesso irrestrito aos não indígenas para plantio. A pressão sobre os índios está crescendo.”

O Ibama foi investigar como se dá a participação dos índios parecis e nambiquaras na agricultura de soja e milho nas suas terras e concluiu que os índios não têm papel direto na atividade, toda desenvolvida e realizada por não indígenas, quase sempre produtores rurais das imediações.

Os contratos não trazem grandes vantagens para os índios. Os percentuais variam, mas a maioria registra o pagamento, para as associações indígenas, de apenas seis sacas de soja para cada 60 produzidas, ou seja, apenas 10% de toda a produção. Nas safrinhas, o percentual é ainda menor, de uma saca e meia para cada 60 sacas.

Parte dos índios parecis, porém, quer ter autorização legal para arrendar a terra, sob o argumento da melhoria das condições de vida nas aldeias a partir do dinheiro proporcionado pela exploração da monocultura. A atividade agrícola é desenvolvida nas terras dos parecis desde, pelo menos, 2004, segundo registros da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Em setembro de 2015, o coordenador de atividade produtiva de uma das associações agora autuadas pelo Ibama, a Waymarê, Arnaldo Zunizakae, esteve em audiência com o então presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa. Segundo a Funai, na ocasião Zunizakae afirmou que as associações indígenas já têm recursos financeiros para pagar o licenciamento ambiental e que estava sendo “adquirido maquinário e realizada qualificação da mão de obra indígena”.

Funcionários da Funai manifestaram, na reunião, apoio à soja nas terras parecis. O então coordenador regional da Funai em Cuiabá, Benedito Garcia, disse que “nós estamos tratando de uma forma de sobrevivência, de se trabalhar dentro da legalidade”. Outro funcionário da mesma unidade, Carlos Barros, disse que já havia um parecer técnico da Funai favorável à atividade.

A bancada ruralista no Congresso Nacional também faz carga pela liberação do arrendamento. O líder da frente parlamentar do agronegócio, Nilson Leitão (PSDB-MT), promoveu uma audiência na Câmara em outubro passado. O mesmo líder pareci, Arnaldo Zunizakae, disse que “o modelo de parceria” com os produtores rurais foi adotado porque os índios não conseguiam crédito para o plantio. “O índio entra com a terra e a mão de obra, e todo o custeio é feito por fazendeiros. Neste ano tivemos projeto que investiu R$ 800 mil em máquinas. Projetos indígenas, com dinheiro do índio”, argumentou Zunizakae.

Procurada, a Funai não havia se manifestado até o fechamento deste texto. A Folha não conseguiu localizar as associações indígenas e produtores rurais autuados pelo Ibama.
Amazônia.org, 12-06-2018

Morte sem precedentes de baobás milenares africanos assustam pesquisadores

 

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para este desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babe?-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botswana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional.

Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total.

Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono.

“A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ??como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ??há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos.

“Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem.

Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut à AFP.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

AFP

Com regras mais rígidas, novo código de mineração também incentiva o setor

 

BRASÍLIA – O presidente Michel Temer assinou nesta terça-feira (12) decretos que regulamentam o novo código de mineração, estabelecendo regras ambientais mais rígidas e a obrigatoriedade de execução de fechamento de minas, mas que também visam incentivar financiamentos para o desenvolvimento do setor.

De agora em diante, a empresa mineradora terá a responsabilidade de recuperar áreas degradadas pela atividade de mineração, um dos principais segmentos da economia do Brasil, que tem na Vale a maior produtora global de minério de ferro.

Para possibilitar o desenvolvimento de novas tecnologias e a consequente redução de passivos ambientais, um dos decretos prevê ainda que a Agência Nacional de Mineração (ANM) discipline em resolução o aproveitamento de rejeitos e resíduos da atividade mineradora.

Daqui para frente, as práticas que degradam o meio ambiente não vão mais ocorrer, destacou o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, na cerimônia de assinatura dos decretos.

Além disso, será obrigatória a execução adequada de um plano de fechamento de mina, que passa a integrar o conceito de atividade minerária.

Pela nova regra, o governo também vai permitir o uso do título minerário (portaria de lavra) como garantia de financiamento dos projetos.

“O objetivo é gerar linhas de crédito e estimular investimentos no setor”, disse o Ministério de Minas e Energia em nota.

Outro item do novo código prevê que as áreas minerárias devolvidas ou retomadas pela União serão ofertadas ao mercado via processo de seleção e julgamento com critérios objetivos, em substituição ao atual procedimento, caracterizado como moroso.

Segundo o ministro de Minas e Energia, a modernização do código de mineração, em vigor há mais de cinco décadas, é um dos principais atos do governo de Michel Temer. Há anos o Brasil vem tentando modernizar as regras que regem o setor de mineração.

“De setor em setor, o governo está alinhando nossos marcos regulatórios à realidade contemporânea. Estamos trazendo o país para o século 21”, disse o presidente Michel Temer.

Municípios

As novas regras estabelecem ainda a destinação de 15 por cento da arrecadação dos royalties do setor para municípios não produtores mas impactados pelo transporte, embarque e presença de instalações industriais relacionadas à atividade.

Para isso, serão reduzidas as fatias dos royalties –a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM)– dos demais entes da federação.

Assim, os municípios produtores passarão a receber 60 por cento da CFEM, ante os 65 por cento anteriores. A participação dos Estados cairá de 23 para 15 por cento, e a da União, de 12 para 10 por cento.

Em 2017, o setor de mineração pagou cerca de 1,8 bilhão de reais referente à CFEM.

 

Reuters

Zerar o desmatamento é possível e necessário

 

On a flight from Alta Floresta to Claudia with a view of the rainforest seen during the burning season when large sections of forest are set on fire by farmers to be cleared for soy farming or cattle breeding.

Oito organizações ambientalistas – Greenpeace Brasil, ICV, Imaflora, Imazon, IPAM, Instituto Socioambiental, WWF-Brasil e TNC Brasil – apresentaram pela primeira vez no Brasil o relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”. O seminário, que aconteceu em São Paulo com a mediação do jornalista Marcelo Tas, teve como objetivo debater as propostas apresentadas pelo grupo no documento para frear o desmatamento.

Atualmente, o desmatamento causa enormes perdas para o Brasil – desequilíbrio do clima, destruição da biodiversidade e prejuízos à saúde humana. E, ao contrário do que muitos acreditam, compromete também a competitividade da produção agropecuária.

Paulo Moutinho, pesquisador do IPAM, apresentou o tema “Agropecuária pode prosperar sem desmatar”, destacando que “dentre os ganhos com o fim do desmatamento está a preservação dos direitos dos povos da floresta”.

Também falando em benefícios, o cientista Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, explicou que não há nada mais barato do que reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes de desmatamento – responsável pela emissão de 11% dos gases no mundo. “Esse número já foi 18%, e caiu em 15 anos sem provocar recessão. (O desmatamento zero) É possível? A resposta clara e óbvia é: sim, com gigantescos ganhos ambientais”, afirmou.

Entre as causas do desmatamento, o relatório destaca a pecuária como principal responsável: do total desmatado, 65% são usados para pastagens de baixa eficiência, com menos de um boi por hectare. “Dos 75 milhões de hectares de corte raso de floresta que existem na Amazônia, pelo menos 27 milhões estão em situação muito ruim: são áreas em regeneração, pastos degradados e pastos improdutivos. Ora, vou desmatar para quê, se posso usar políticas de recuperação desses pastos para produção agrícola?”, questiona o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa, que participou do evento. “Quando o ganho tecnológico é grande, você não precisa desmatar. São 27 milhões de hectares na Amazônia que, se recuperados, entram no sistema econômico.”

A trilha para o desmatamento zero, de acordo com o relatório, envolve ações de governos, setor privado e sociedade e passa, necessariamente, por quatro eixos de atuação:

implementação de políticas públicas ambientais efetivas e perenes;

apoio a usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias;

restrição drástica do mercado para produtos associados a novos desmatamentos;

engajamento de eleitores, consumidores e investidores nos esforços de zerar o desmatamento.

Veja aqui a versão completa do relatório

O relatório destaca também que o setor privado deve ampliar esforços no monitoramento completo das cadeias produtivas e bloqueio de produtores que desmatam. Ao falar sobre o papel das empresas no fim do desmatamento no bioma, Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade do Carrefour, afirmou que desde 2010 grupo assume o compromisso pelo desmatamento zero nos 34 países em que atua, trabalhando com mecanismos excludentes: se há um alerta na cadeia, a compra é suspensa. “Mas a gente sabe que, aquilo que é recusado pelo Carrefour ou por outra empresa com política semelhante, será vendido de alguma maneira”, disse, defendendo uma legislação menos permissiva e mudanças urgentes em políticas públicas.

Ao falar sobre prioridades, Cristiane Mazzetti, da campanha da Amazônia do Greenpeace e integrante do grupo ressaltou que “o tempo para que o desmatamento seja zerado depende muito das sinalizações políticas de governos e empresas. Entretanto, no caso de governos, não podemos esperar muito no momento, já que as propostas em discussão no Congresso Nacional, especialmente as lideradas pela bancada ruralista, seguem o caminho contrário”. Cristiane também salientou que a participação da sociedade para mudar essa situação é fundamental. “Desde 2012 a população vem se mobilizando pelo desmatamento zero através de uma proposta de lei popular que obteve o apoio de mais de 1,4 milhão de brasileiros”, comenta.

O fim do desmatamento na Amazônia coloca o Brasil na frente de uma crescente demanda do mercado, que é entregar aos seus consumidores produtos livres de conversão de ecossistemas nativos: além de abrir e manter mercados, o desmatamento zero é um estímulo ao desenvolvimento de outras alternativas econômicas em harmonia com a floresta e seus povos.

Greenpeace

ONU pede restrição de sacolas plásticas para evitar contaminação dos oceanos

A Organização das Nações Unidas pediu nesta semana que sejam tomadas medidas contra o uso de sacolas plásticas, como parte do desafio global para reduzir e acabar com a poluição dos oceanos que aumenta a cada ano.

O pedido, feito na véspera do dia mundial do Meio Ambiente, cujo lema é “um planeta sem poluição por plásticos”, destaca “as medidas audazes” assumidas nesse sentido por alguns países da América Latina.

“Como resultado do consumo excessivo de plásticos de um só uso e da má gestão dos resíduos, a cada ano são recolhidos do oceano 13 milhões de toneladas de plásticos”, informou a agência do Meio Ambiente da ONU em uma declaração emitida em Lima.

“Se os padrões atuais de consumo continuarem, em 2030 a produção anual de plástico será de 619 milhões de toneladas em nível global”, advertiu a agência.

Os números são assustadores. “Calcula-se que a cada ano são consumidas 5 trilhões de sacolas de plástico no mundo”, informou.

As sacolas de plástico são feitas em sua maioria de polietileno, um polímero derivado do petróleo que demora pelo menos 500 anos para ser decomposto.

A luta contra as sacolas de plástico inclui as três cidades mais povoadas da região: Cidade do México, São Paulo e Buenos Aires.

A Cidade do México está na vanguarda, pois desde agosto de 2009 proibiu o comércio de oferecer as sacolas gratuitamente. Em 2015, foi a vez de São Paulo proibir a distribuição gratuita de sacolas plásticas. Buenos Aires desde 2017 proíbe os supermercados de entregar as sacolas, passando a cobrar por elas.

AFP

Bolsistas do Ecos participam de encontro de formação

Inscrições para o Projeto Socioambiental 2018 já estão abertas

A coordenação do Movimento Ecos promoveu, na segunda-feira (12), o primeiro encontro de formação com os bolsistas selecionados para atuar em 2018. Eles darão suporte às 100 escolas da rede pública estadual que integram o Movimento neste ano. De acordo com o professor Francisco Haas, pró-reitor de extensão da Dom Helder e coordenador do Ecos, o objetivo do encontro foi apresentar as instruções para o início do Projeto Socioambiental, que já está com inscrições abertas.

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Festa de confraternização encerra ano de vitórias do Movimento Ecos

Uma confraternização, realizada no último sábado (4), no Campus II da Dom Escola de Direito, em Brumadinho, encerrou as atividades do Movimento Ecos neste ano.
Participaram da confraternização alunos e professores de duas das três escolas que desenvolveram os três melhores projetos ao longo de 2017. São elas: General Carneiro e Instituto de Educação de Minas Gerais, todas da rede estadual de ensino. Por questões de agenda, estudantes da escola Flávio dos Santos não puderam participar da festa.

Além dos estudantes das equipes e professores, alunos que se destacaram e foram finalistas do concurso “Garoto e Garota Ecos” marcaram presença na festa, que contou com infraestrutura disponibilizada pela Dom Helder por meio dos professores Francisco Hass e Luiz Chaves, coordenadores do Ecos.

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Ecos recebe prêmio ambiental mais importante do Brasil

O Movimento Socioambiental e Jurídico Ecos foi um dos vencedores do VIII Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza.  O projeto, criado em 2011 pela Dom Helder Escola de Direito, foi escolhido como Melhor Exemplo de Educação Ambiental.

A edição deste ano do prêmio teve como tema “A Terra Pede Paz”. Em sua primeira participação, o Movimento Ecos concorreu com mais de 150 projetos na categoria ‘educação ambiental’ de todo Brasil.  A premiação ocorreu em noite de gala na Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte, na semana passada. Os professores Francisco Haas e Luiz Chaves, coordenadores do Ecos, receberam o prêmio, considerado a mais importante honraria ambiental do Brasil.

“O prêmio significa, sem dúvida nenhuma, o mais importante incentivo e demonstra que o Ecos está no caminho certo”, comemora o professor Luiz Chavez.

“Não teria melhor momento para ocorrer tal premiação, porque estamos fechando com a Secretaria de Meio Ambiente um termo de cooperação por meio do qual a Secretaria também reconhece que o Ecos é um movimento importante para os alunos. Com isso, vai franquear nosso acesso a todas escolas públicas de Minas Gerais”, completou o professor.

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Por Rômulo Ávila
Repórter DomTotal